BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Autor: Equipe AgroSenior

  • Açúcar cai 30% e usina aposta no etanol: a conta do canavial

    Açúcar cai 30% e usina aposta no etanol: a conta do canavial

    O que aconteceu

    O setor sucroenergético entrou em 2026 com o preço do açúcar em forte queda. Em maio, o açúcar cristal acumulou recuo de 30,75% frente ao mesmo mês de 2025, com média de R$ 95,22 por saca de 50 kg. No mercado externo, as exportações de açúcar VHP somaram 1,8 milhão de toneladas, queda de 10% no ano, e as cotações internacionais caíram mais de 20% na comparação anual. Diante disso, as usinas do Centro-Sul recalibraram a produção: a fatia destinada ao etanol subiu para 61,84% do mix da safra, contra 54,77% no ciclo anterior.

    Por que o açúcar perdeu força

    A pressão vem da oferta global cheia, com produtores relevantes colhendo bem e o mercado atento aos efeitos do El Niño sobre a próxima temporada. Quando o açúcar não remunera, a usina faz o que a economia manda: desloca a moagem para o produto que paga melhor — neste momento, o etanol. Essa flexibilidade é a grande força do parque sucroenergético brasileiro, capaz de girar a chave entre açúcar e álcool conforme o preço relativo. Para o canavial, porém, a virada tem consequências diretas no bolso.

    O que muda para quem fornece cana

    O fornecedor de cana é remunerado por modelos atrelados aos preços do açúcar e do etanol (caso do Consecana). Com o açúcar em baixa, o valor da tonelada de cana tende a sentir o impacto, mesmo com a usina priorizando o álcool. O recado prático é de gestão: conhecer o custo real de produção por hectare, acompanhar de perto a fórmula de remuneração e evitar decisões baseadas só no humor do mercado de curto prazo. Em ciclo de preço apertado, eficiência agrícola — produtividade do canavial, qualidade da matéria-prima e controle de custos de colheita e transporte — é o que protege a margem.

    A oportunidade no outro lado da moeda

    Etanol valorizado dentro do mix abre espaço para quem está posicionado na cadeia do combustível, e o cenário de longo prazo segue favorável: a demanda por bioenergia cresce, e o etanol ganha relevância na agenda de descarbonização. Vale ao produtor avaliar contratos, prazos de pagamento e janelas de comercialização com a usina parceira, em vez de apenas reagir ao preço spot. Planejamento de safra com o custo na ponta do lápis, e não no improviso, é o que diferencia quem atravessa a baixa de quem fica refém dela.

    Bioenergia e o ativo ambiental

    O canavial bem manejado é também um ativo ambiental. Práticas de baixo carbono, aproveitamento de subprodutos e regularização da propriedade agregam valor a uma cadeia cada vez mais cobrada por sustentabilidade — e podem abrir portas em mercados e financiamentos que premiam quem comprova boas práticas. Em um setor que vive de ciclos de preço, construir esse diferencial é estratégia, não custo.

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  • Frango: exportação dispara 32% e preço sobe — a vez da avicultura

    Frango: exportação dispara 32% e preço sobe — a vez da avicultura

    O que aconteceu

    A avicultura brasileira vive um de seus melhores momentos. Em maio de 2026, os embarques de carne de frango chegaram a 442 mil toneladas, alta de 32% na comparação anual. O preço acompanhou: nos primeiros dias úteis de junho, a tonelada exportada saiu a uma média de US$ 1.992,1, valorização de cerca de 11% frente a junho de 2025. Santa Catarina, principal polo exportador, já superou a marca de US$ 2 bilhões em exportações de carnes no acumulado de 2026 — recorde histórico para o estado.

    Por que o frango está em alta

    A explicação combina demanda externa aquecida e oferta concorrente limitada. Surtos de gripe aviária em outros grandes produtores reduziram a disponibilidade global, e o Brasil — que recuperou rapidamente seu status sanitário e mantém custo competitivo — ocupou o espaço aberto. Pesquisadores do Cepea projetam que a avicultura nacional siga em trajetória de crescimento em 2026, com alta de 2,4% nos embarques e produção estimada em 14,73 milhões de toneladas. No mercado interno, o excesso de oferta chegou a pressionar os preços no início do ano, mas a força das exportações vem sustentando a rentabilidade do setor.

    O detalhe que muda a conta: milho barato

    Para quem produz, há um segundo fator decisivo a favor da margem: o milho — que responde pela maior fatia do custo da ração — está no menor patamar em meses, com o Indicador ESALQ/B3 rondando R$ 65 a saca diante do avanço da colheita da segunda safra. Frango valorizado na ponta de venda e grão barato na ponta de custo desenham uma relação de troca rara para o avicultor. É o tipo de janela em que vale revisar dietas, planejar lotes e travar custo de reposição de insumo enquanto o cenário favorece.

    O que o produtor deve fazer agora

    Aproveitar o momento exige método. Para o produtor integrado, é hora de alinhar com a agroindústria a programação de lotes e capturar o ganho de eficiência que o milho barato oferece. Para o independente, vale travar preço de grão e negociar contratos de fornecimento com previsibilidade. Em todos os casos, biosseguridade não é despesa, é seguro: o próprio Cepea mantém o risco sanitário no radar, e um único foco mal contido pode fechar mercados inteiros da noite para o dia. Reforçar manejo, controle de acesso e protocolos sanitários protege exatamente a receita que está crescendo.

    Conformidade abre — ou fecha — mercados premium

    O acesso aos compradores que pagam mais depende cada vez menos só de preço e cada vez mais de comprovar regularidade. Granjas com licenciamento ambiental em dia, destinação correta de resíduos e documentação organizada entram em listas de fornecedores qualificados; as demais ficam de fora. Em um setor que cresce puxado pela exportação, transformar conformidade ambiental em ativo comercial é o que separa quem surfa o ciclo de quem apenas assiste.

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  • Carne suína: Brasil bate recorde em maio e firma 3º lugar mundial

    Carne suína: Brasil bate recorde em maio e firma 3º lugar mundial

    O que aconteceu

    A exportação brasileira de carne suína alcançou 129,4 mil toneladas em maio de 2026, o maior volume já registrado para o mês, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado supera em 9% o embarcado em maio de 2025 (118,8 mil toneladas), e a receita chegou a US$ 302,1 milhões, alta de 3,8% na mesma comparação. No acumulado de janeiro a maio, os embarques somaram 661,7 mil toneladas — crescimento de 13,1% sobre igual período do ano passado — e a receita avançou 11,9%, de US$ 1,382 bilhão para US$ 1,546 bilhão. Com 1,51 milhão de toneladas exportadas em 2025, o Brasil confirmou oficialmente o posto de terceiro maior exportador mundial, superando o Canadá.

    Por que isso importa para o produtor

    O recorde não é apenas estatística: ele sustenta a demanda interna por suínos e ajuda a firmar os preços pagos ao produtor num momento de custo favorável. O principal insumo da suinocultura é o milho, e o grão vem operando perto das mínimas do ano — o Indicador ESALQ/B3 rondou os R$ 65 por saca em junho, o menor patamar em meses. Ração mais barata combinada com exportação aquecida melhora a relação de troca de quem está no confinamento de suínos, abrindo uma janela de rentabilidade que nem sempre aparece junta.

    O risco que mora na concentração

    O ponto de atenção é a dependência de poucos destinos. As Filipinas seguem na liderança das compras, com 27,2 mil toneladas em maio, mas o volume recuou 3,8% frente ao ano anterior — lembrete de que mercado concentrado é mercado vulnerável. Decisões sanitárias ou comerciais de um único comprador podem virar o jogo da noite para o dia. Diversificar destinos e reforçar a sanidade do plantel são as melhores defesas; o status sanitário do Brasil é o ativo que abre (ou fecha) portas no mercado internacional.

    O que o produtor pode fazer agora

    Aproveitar a janela favorável de custo e demanda exige método, não improviso. Vale travar o custo da ração enquanto o milho está barato, revisar índices zootécnicos para extrair mais de cada quilo de ração e organizar a documentação sanitária e ambiental da granja. É justamente nesse último ponto que muitos produtores deixam valor na mesa: a regularização ambiental, o manejo correto de dejetos e a rastreabilidade deixaram de ser burocracia para virar condição de acesso aos mercados que pagam mais. Quem trata o licenciamento como ativo comercial chega mais preparado ao próximo ciclo.

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  • Fertilizante em alta: o custo da safra 2026/27 já começou a subir

    Fertilizante em alta: o custo da safra 2026/27 já começou a subir

    O insumo voltou a pesar no bolso

    O principal item de custo da lavoura está caro de novo. O preço médio de importação da ureia pelo Brasil ficou em US$ 382,6 por tonelada (FOB) em março de 2026 — o maior patamar mensal desde maio de 2023 —, depois de US$ 395,3/t em janeiro, 16,3% acima de um ano antes. E o volume importado não recuou: em março o país trouxe 3,41 milhões de toneladas de fertilizantes, 30,3% mais que em março de 2025. No mercado futuro, os contratos mais próximos de ureia seguem cotados acima de US$ 400/t, sinalizando pressão de alta no curto prazo.

    Por que está subindo

    A combinação é conhecida e perigosa: o Brasil depende fortemente de fertilizante importado, a demanda interna entrou o ano aquecida e um componente geopolítico — conflitos e restrições no comércio global — voltou a apertar a oferta e a aumentar a volatilidade dos preços. O resultado aparece direto na planilha do produtor: o custo de produção da safra 2026/27 já sobe, em alguns insumos, na faixa de 5% a 12%. Para uma cultura como a soja, que vem de margens apertadas, cada ponto a mais no adubo come a rentabilidade.

    O que o produtor pode fazer agora

    Quem ainda não comprou o fertilizante da próxima safra precisa decidir entre antecipar a compra — travando preço diante do risco de alta — e esperar, apostando em janelas melhores. Não há resposta única, mas há método: conhecer o custo real por hectare, parcelar a compra para diluir o risco de timing, cotar com mais de um fornecedor e considerar travas via barter (troca de grão por insumo). Avaliar a análise de solo para não superdimensionar a adubação também evita gastar com o que a lavoura não vai converter em produtividade.

    Eficiência vira estratégia

    Em ano de insumo caro, eficiência deixa de ser detalhe e vira estratégia de sobrevivência da margem. Práticas que reduzem a dependência de fertilizante mineral — uso de bioinsumos, manejo de solo, rotação de culturas e sistemas integrados — ganham apelo não só ambiental, mas econômico. Planejar a safra com o custo na ponta do lápis, e não no improviso, é o que separa quem atravessa o ciclo de quem fica refém do preço do adubo.

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    📌 Leia também: Plano Safra 2026/27: o que esperar do crédito rural | Exportação de carne bovina salta 70% | Cotações agrícolas de maio 2026

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  • Tarifas dos EUA: o que muda (e o que não muda) para o agro brasileiro

    Tarifas dos EUA: o que muda (e o que não muda) para o agro brasileiro

    O que foi proposto

    O governo dos Estados Unidos colocou em consulta pública, no início de junho, um pacote de novas tarifas sobre produtos brasileiros. São duas frentes: uma sobretaxa de 25%, ligada a uma investigação por supostas práticas comerciais desleais aberta em julho de 2025, e outra de 12,5%, decorrente de uma investigação que aponta falta de restrição a importações associadas a trabalho análogo à escravidão. As medidas ainda não estão em vigor: há prazo para envio de comentários até 1º de julho, audiência pública em 6 de julho e decisão final prevista para até 15 de julho de 2026, com as negociações entre os dois governos seguindo em paralelo.

    Por que o agro respira aliviado — por enquanto

    Para o produtor rural, o ponto central é tranquilizador no curto prazo: os principais produtos do agronegócio brasileiro exportados aos EUA — café, carne bovina e suco de laranja — entraram na lista de exceções e estão livres das novas cobranças. Isso protege exatamente as cadeias em que o Brasil é mais competitivo no mercado americano. Mas “exceção” não é “garantia permanente”: listas de produtos podem ser revisadas durante a negociação, e a decisão de 15 de julho ainda pode mudar o desenho final.

    O que o produtor deve monitorar

    O recado prático é acompanhar o calendário sem entrar em pânico. Quem exporta diretamente ou fornece para tradings deve mapear sua exposição ao mercado americano e conversar com compradores sobre cláusulas de repasse de tarifa em contratos em aberto. Vale também observar o câmbio: ruídos comerciais costumam mexer com o dólar, o que afeta a rentabilidade mesmo de quem vende para outros destinos. Diversificar mercados — China, Oriente Médio, União Europeia — segue sendo a melhor proteção contra decisões unilaterais de um único comprador.

    O ângulo que poucos olham: conformidade

    Um dos eixos da investigação americana é trabalhista e socioambiental. Isso reforça uma tendência que já vinha do acordo com a União Europeia: o acesso a mercados premium depende cada vez mais de comprovar regularidade ambiental e trabalhista da propriedade. Manter o CAR em dia, a documentação trabalhista organizada e a rastreabilidade da produção deixou de ser burocracia e virou ativo comercial — é o que separa quem entra nas listas de exceção de quem fica de fora.

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    📌 Leia também: Plano Safra 2026/27: o que esperar do crédito rural | Exportação de carne bovina salta 70% | Cotações agrícolas de maio 2026

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  • Resumo da semana no agro: frio ameaça lavouras e Plano Safra se aproxima

    Resumo da semana no agro: frio ameaça lavouras e Plano Safra se aproxima

    Toda segunda-feira, a Senior reúne o que moveu o agro na semana anterior — com a leitura do que cada fato significa para a decisão de quem está no campo.

    Grãos

    O milho seguiu sob pressão baixista: o Indicador ESALQ/B3 voltou à casa dos R$ 65/saca e a referência em Campinas fechou perto de R$ 64,51, o menor patamar desde outubro. O peso vem do avanço da colheita da segunda safra e da retração dos compradores. Na soja, a demanda externa sustentou os preços internos, com embarques recordes no acumulado de janeiro a maio — mas a Agroconsult já sinaliza margens mais apertadas para 2026/27.

    Pecuária

    O boi gordo manteve força: a média parcial de junho ficou em torno de R$ 352,8/@ (Cepea, até o dia 9), mais de 12% acima de junho de 2025 e em rota de recorde para o período. Oferta restrita de animais e bom momento das exportações sustentam a arroba.

    Exportações & mercado

    O agro confirmou força no comércio exterior: o primeiro trimestre de 2026 somou US$ 38,1 bilhões em exportações, recorde para o período, com superávit superior a US$ 33 bilhões. No campo da produção, a Conab reforçou a expectativa de safra recorde de grãos, próxima de 358 milhões de toneladas.

    Política & crédito

    As atenções se voltam ao Plano Safra 2026/27, que deve ser anunciado até o fim de junho. O Ministério da Agricultura pleiteia taxas de juros de um dígito para o custeio — pleito em discussão com Fazenda, Tesouro e Casa Civil. Para referência, o Plano 2025/26 reuniu R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 78,2 bilhões para a familiar.

    Clima

    Uma massa de ar polar avançou sobre o Centro-Sul, com risco de geada para café, milho, feijão e pastagens, sobretudo no Paraná. A previsão aponta uma segunda frente fria, mais intensa, na última semana de junho, com temperaturas abaixo de 10°C em amplas áreas.

    O que fica para o produtor

    Primeiro: com milho em baixa e boi em alta, quem tem confinamento ou recria ganha relação de troca favorável — momento de revisar dietas e travar custo de reposição de grão. Segundo: antes do Plano Safra, vale organizar documentação e fluxo de caixa para acessar crédito nas melhores condições assim que as taxas saírem. Terceiro: a geada não é só risco do café — pasto queimado no auge da seca pressiona o custo do pecuarista; reservar forragem agora é mais barato que socorrer o rebanho depois.

    Agenda da semana

    Acompanhe o anúncio do Plano Safra 2026/27, os boletins de geada do Inmet diante da frente fria prevista para o fim do mês e os relatórios de oferta e demanda da Conab e do USDA, que ajudam a calibrar as projeções de grãos.

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  • Soja 2026/27: área pode parar de crescer e margem fica mais apertada

    Soja 2026/27: área pode parar de crescer e margem fica mais apertada

    O fim do crescimento automático da área

    A soja brasileira vem de uma safra 2025/26 recorde, estimada pela Agroconsult em 184,7 milhões de toneladas, com área de 49,1 milhões de hectares e produtividade média de 62,7 sacas por hectare. Para 2026/27, porém, a consultoria projeta um cenário diferente do que o setor se acostumou: a área plantada deve ficar estável, e pode até recuar, em vez de manter a expansão contínua dos últimos anos. A confirmação do cenário-base depende de fatores externos, como a duração do conflito no Golfo Pérsico, que pressiona custos de fertilizantes e combustíveis.

    Por que o produtor sente o aperto

    O recado central é sobre margem, não sobre volume. Mesmo com produção recorde, o resultado financeiro da lavoura está mais estreito: custos de fertilizantes, defensivos, combustíveis e fretes em alta comprimem a rentabilidade, ao mesmo tempo em que o produtor convive com juros elevados e crédito mais difícil. A combinação de oferta global abundante — puxada pela própria expansão brasileira — e custos pressionados explica por que produzir mais nem sempre significa lucrar mais. Foi a forte demanda internacional que sustentou os preços internos no acumulado de janeiro a maio de 2026, período em que os embarques de soja bateram recorde histórico.

    O que muda na decisão de quem planta

    Num ambiente de margem apertada, a conta de cada hectare passa a exigir mais critério. Antes de simplesmente repetir a área do ano anterior, vale revisar o custo de produção real da propriedade, travar preços e câmbio em janelas favoráveis e avaliar com frieza o uso de tecnologia — cortes mal calculados em adubação ou manejo podem custar produtividade e anular qualquer economia. A gestão de crédito também ganha peso: estruturar o financiamento da safra com antecedência, dentro da capacidade de pagamento, evita decisões apressadas no momento do plantio.

    Terra e ativos como parte da estratégia

    Quando a margem operacional encolhe, a valorização e a boa gestão dos ativos da propriedade ganham importância na construção do resultado de longo prazo. Avaliar a aptidão das áreas, manter a regularização ambiental em dia e enxergar a terra como investimento — e não apenas como base produtiva — ajuda o produtor a atravessar ciclos de preço apertado sem comprometer o patrimônio.

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  • Onda de frio com risco de geada coloca café, milho e pasto em alerta

    Onda de frio com risco de geada coloca café, milho e pasto em alerta

    Frio polar reacende o fantasma da geada

    Uma massa de ar polar avançou sobre as principais regiões produtoras do Centro-Sul nesta semana, interrompeu a sequência de quedas em vários mercados e recolocou a geada no centro das preocupações de quem está no campo. No Paraná, os termômetros podem chegar a níveis capazes de provocar geada não apenas no café, mas também em milho, feijão e pastagens. O avanço do ar frio sobre o Sudeste foi tão relevante que segurou o movimento de baixa do café arábica, com o mercado virando a chave para um cenário de cautela.

    Por que o alerta importa para a safra

    A geada é um dos eventos de maior potencial destrutivo para o cafeicultor: quando atinge a planta em pontos críticos, compromete não apenas a colheita corrente, mas a produtividade da safra seguinte, já que o cafeeiro leva tempo para se recuperar. Nas pastagens, o frio intenso queima a forragem justamente no auge da estação seca, reduzindo a oferta de alimento e pressionando o custo do pecuarista que depende do pasto. E o quadro não se encerra agora: a previsão aponta uma segunda frente fria, mais intensa, para a última semana de junho, capaz de levar as temperaturas para baixo de 10°C em amplas áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

    O que o produtor deve fazer agora

    O primeiro passo é acompanhar diariamente as previsões do Inmet e de serviços privados de meteorologia, com atenção especial às mínimas abaixo de 4°C — patamar a partir do qual o risco de geada se torna concreto. Vale mapear as áreas de baixada da propriedade, que acumulam ar frio e são as primeiras a congelar, e priorizar nelas as medidas de proteção. No café, manejos como irrigação noturna, controle de mato para reduzir o efeito de resfriamento do solo e proteção de mudas ajudam a mitigar perdas. Na pecuária, antecipar reservas de forragem, silagem e suplementação evita que o frio se transforme em queda de desempenho do rebanho.

    Planejamento reduz o tamanho do prejuízo

    Eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e passaram a integrar o planejamento da propriedade. Mais do que reagir a cada frente fria, o produtor que mapeia os riscos da sua terra, organiza a documentação ambiental e estrutura a gestão da fazenda chega ao inverno com mais margem de manobra. Clima é variável que não se controla — mas a exposição a ele, sim.

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  • Leite em alta: preço ao produtor é recorde da série do Cepea

    Leite em alta: preço ao produtor é recorde da série do Cepea

    O preço do leite pago ao produtor voltou a subir e, segundo o Cepea/Esalq, a captação de junho de 2026 alcançou o maior patamar da série histórica iniciada em 2005. É o quarto mês consecutivo de valorização: na Média Brasil, o litro chegou a R$ 2,6584 em abril, alta de 10,4% sobre março, e seguiu firme em maio e junho. Depois de nove meses de queda ao longo de 2025, o leite reagiu com força no primeiro semestre.

    O que está empurrando o preço

    O motor da alta é a oferta curta no campo. A entressafra reduziu o volume disponível e acirrou a concorrência entre os laticínios pela matéria-prima — o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) do Cepea recuou no acumulado do trimestre, confirmando o aperto. Com menos leite na esteira e indústrias disputando o que existe, o produtor com escala e regularidade ganhou poder de barganha que não tinha desde o fim de 2024.

    O quadro, porém, tem prazo de validade. Os próprios pesquisadores do Cepea já apontam sinais de desaceleração a partir do meio do ano: à medida que a relação de troca melhora e o custo de produção dá alívio, tende a haver reação na oferta — e mais leite no mercado, mais cedo ou mais tarde, devolve parte do prêmio atual. Vale lembrar que, mesmo no recorde nominal, parte do ganho apenas recompõe a perda de poder de compra acumulada nos meses de queda de 2025.

    O que o produtor deve fazer agora

    A leitura da Senior é direta: preço bom é hora de organizar a casa, não de relaxar. Três frentes valem prioridade. Primeiro, travar custo onde der — negociar insumos e ração aproveitando a margem atual, porque a janela de preço alto raramente coincide com a janela de custo baixo por muito tempo. Segundo, melhorar a eficiência da captação: qualidade do leite (CCS e CBT), volume regular e logística confiável são exatamente o que faz o laticínio pagar o topo da tabela quando a oferta voltar a crescer. Terceiro, não confundir ciclo com tendência — quem expandir rebanho apostando que o preço recorde veio para ficar pode se ver pressionado quando a oferta normalizar no segundo semestre.

    Há ainda um movimento estrutural que conversa com o leite: rastreabilidade e responsabilidade ambiental viram critério de acesso a contratos melhores, dentro e fora do país. Propriedade regularizada, manejo documentado e pastagem recuperada não são custo — são o que coloca o produtor na fila dos fornecedores preferenciais quando a indústria seleciona. Quem usa o caixa do momento bom para arrumar a base sai do ciclo mais forte do que entrou.

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  • Clima é o risco nº 1 do agro em 2026: 79% dos líderes veem impacto alto, diz EY

    Clima é o risco nº 1 do agro em 2026: 79% dos líderes veem impacto alto, diz EY

    A consultoria EY divulgou nesta semana a nova edição da pesquisa “Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro”, e o resultado confirma o que o campo já sente na pele: as mudanças climáticas são, pelo segundo levantamento consecutivo, o principal risco do agronegócio brasileiro. 79% dos entrevistados classificam os impactos climáticos como altos ou muito altos para seus negócios. O estudo ouviu 52 executivos de fornecedores de insumos, produtores, agroindústrias, tradings e compradores de commodities, com faturamento anual entre R$ 3 bilhões e R$ 60 bilhões.

    O ranking completo dos riscos

    Depois do clima, a segunda maior preocupação é a gestão de pessoas — o setor convive com déficit estimado de cerca de 180 mil profissionais qualificados, agravado pela digitalização acelerada. Na sequência vêm a geopolítica (conflitos e tensões comerciais pressionando fertilizantes, energia e logística), as políticas e regulações (com a reforma tributária como novo fator de atenção) e a transformação digital, cuja adoção ainda esbarra em conectividade rural e qualificação.

    A lacuna que define quem perde

    O dado mais incômodo do estudo não é o ranking — é a distância entre percepção e ação. As empresas reconhecem o risco climático, mas apresentam baixo nível de prontidão para enfrentá-lo. Como resume Otávio Lopes, sócio-líder de Agronegócio da EY, quanto maior essa lacuna entre o impacto do risco e o preparo da organização, maior é o risco real. Enquanto isso, cresce a pressão de investidores e compradores internacionais por rastreabilidade, práticas sustentáveis e redução de emissões — ou seja, o clima deixou de ser só um risco de produção e virou critério de acesso a mercado e a crédito.

    O que o produtor deve fazer

    A leitura prática é direta: risco climático se gerencia com antecedência, não na emergência. Três frentes valem prioridade ainda em 2026: primeiro, regularização ambiental em dia (CAR, reserva legal, outorgas), porque é a porta de entrada para crédito e seguro em condições melhores; segundo, documentar práticas de baixo carbono já adotadas — plantio direto, ILPF, recuperação de pastagens — que podem virar receita com a regulamentação do mercado de carbono avançando até dezembro; terceiro, diversificar receita e proteção, combinando seguro rural, contratos futuros e projetos ambientais. A própria EY aponta mercado de carbono e biocombustíveis entre os temas que mais devem ganhar força nos próximos anos.

    Quem trata a agenda climática como custo tende a ficar para trás; quem trata como ativo entra na fila da remuneração por serviço ambiental antes da maioria.

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