BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Autor: Equipe AgroSenior

  • Fertilizante em alta: o custo da safra 2026/27 já começou a subir

    Fertilizante em alta: o custo da safra 2026/27 já começou a subir

    O insumo voltou a pesar no bolso

    O principal item de custo da lavoura está caro de novo. O preço médio de importação da ureia pelo Brasil ficou em US$ 382,6 por tonelada (FOB) em março de 2026 — o maior patamar mensal desde maio de 2023 —, depois de US$ 395,3/t em janeiro, 16,3% acima de um ano antes. E o volume importado não recuou: em março o país trouxe 3,41 milhões de toneladas de fertilizantes, 30,3% mais que em março de 2025. No mercado futuro, os contratos mais próximos de ureia seguem cotados acima de US$ 400/t, sinalizando pressão de alta no curto prazo.

    Por que está subindo

    A combinação é conhecida e perigosa: o Brasil depende fortemente de fertilizante importado, a demanda interna entrou o ano aquecida e um componente geopolítico — conflitos e restrições no comércio global — voltou a apertar a oferta e a aumentar a volatilidade dos preços. O resultado aparece direto na planilha do produtor: o custo de produção da safra 2026/27 já sobe, em alguns insumos, na faixa de 5% a 12%. Para uma cultura como a soja, que vem de margens apertadas, cada ponto a mais no adubo come a rentabilidade.

    O que o produtor pode fazer agora

    Quem ainda não comprou o fertilizante da próxima safra precisa decidir entre antecipar a compra — travando preço diante do risco de alta — e esperar, apostando em janelas melhores. Não há resposta única, mas há método: conhecer o custo real por hectare, parcelar a compra para diluir o risco de timing, cotar com mais de um fornecedor e considerar travas via barter (troca de grão por insumo). Avaliar a análise de solo para não superdimensionar a adubação também evita gastar com o que a lavoura não vai converter em produtividade.

    Eficiência vira estratégia

    Em ano de insumo caro, eficiência deixa de ser detalhe e vira estratégia de sobrevivência da margem. Práticas que reduzem a dependência de fertilizante mineral — uso de bioinsumos, manejo de solo, rotação de culturas e sistemas integrados — ganham apelo não só ambiental, mas econômico. Planejar a safra com o custo na ponta do lápis, e não no improviso, é o que separa quem atravessa o ciclo de quem fica refém do preço do adubo.

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  • Tarifas dos EUA: o que muda (e o que não muda) para o agro brasileiro

    Tarifas dos EUA: o que muda (e o que não muda) para o agro brasileiro

    O que foi proposto

    O governo dos Estados Unidos colocou em consulta pública, no início de junho, um pacote de novas tarifas sobre produtos brasileiros. São duas frentes: uma sobretaxa de 25%, ligada a uma investigação por supostas práticas comerciais desleais aberta em julho de 2025, e outra de 12,5%, decorrente de uma investigação que aponta falta de restrição a importações associadas a trabalho análogo à escravidão. As medidas ainda não estão em vigor: há prazo para envio de comentários até 1º de julho, audiência pública em 6 de julho e decisão final prevista para até 15 de julho de 2026, com as negociações entre os dois governos seguindo em paralelo.

    Por que o agro respira aliviado — por enquanto

    Para o produtor rural, o ponto central é tranquilizador no curto prazo: os principais produtos do agronegócio brasileiro exportados aos EUA — café, carne bovina e suco de laranja — entraram na lista de exceções e estão livres das novas cobranças. Isso protege exatamente as cadeias em que o Brasil é mais competitivo no mercado americano. Mas “exceção” não é “garantia permanente”: listas de produtos podem ser revisadas durante a negociação, e a decisão de 15 de julho ainda pode mudar o desenho final.

    O que o produtor deve monitorar

    O recado prático é acompanhar o calendário sem entrar em pânico. Quem exporta diretamente ou fornece para tradings deve mapear sua exposição ao mercado americano e conversar com compradores sobre cláusulas de repasse de tarifa em contratos em aberto. Vale também observar o câmbio: ruídos comerciais costumam mexer com o dólar, o que afeta a rentabilidade mesmo de quem vende para outros destinos. Diversificar mercados — China, Oriente Médio, União Europeia — segue sendo a melhor proteção contra decisões unilaterais de um único comprador.

    O ângulo que poucos olham: conformidade

    Um dos eixos da investigação americana é trabalhista e socioambiental. Isso reforça uma tendência que já vinha do acordo com a União Europeia: o acesso a mercados premium depende cada vez mais de comprovar regularidade ambiental e trabalhista da propriedade. Manter o CAR em dia, a documentação trabalhista organizada e a rastreabilidade da produção deixou de ser burocracia e virou ativo comercial — é o que separa quem entra nas listas de exceção de quem fica de fora.

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  • Resumo da semana no agro: frio ameaça lavouras e Plano Safra se aproxima

    Resumo da semana no agro: frio ameaça lavouras e Plano Safra se aproxima

    Toda segunda-feira, a Senior reúne o que moveu o agro na semana anterior — com a leitura do que cada fato significa para a decisão de quem está no campo.

    Grãos

    O milho seguiu sob pressão baixista: o Indicador ESALQ/B3 voltou à casa dos R$ 65/saca e a referência em Campinas fechou perto de R$ 64,51, o menor patamar desde outubro. O peso vem do avanço da colheita da segunda safra e da retração dos compradores. Na soja, a demanda externa sustentou os preços internos, com embarques recordes no acumulado de janeiro a maio — mas a Agroconsult já sinaliza margens mais apertadas para 2026/27.

    Pecuária

    O boi gordo manteve força: a média parcial de junho ficou em torno de R$ 352,8/@ (Cepea, até o dia 9), mais de 12% acima de junho de 2025 e em rota de recorde para o período. Oferta restrita de animais e bom momento das exportações sustentam a arroba.

    Exportações & mercado

    O agro confirmou força no comércio exterior: o primeiro trimestre de 2026 somou US$ 38,1 bilhões em exportações, recorde para o período, com superávit superior a US$ 33 bilhões. No campo da produção, a Conab reforçou a expectativa de safra recorde de grãos, próxima de 358 milhões de toneladas.

    Política & crédito

    As atenções se voltam ao Plano Safra 2026/27, que deve ser anunciado até o fim de junho. O Ministério da Agricultura pleiteia taxas de juros de um dígito para o custeio — pleito em discussão com Fazenda, Tesouro e Casa Civil. Para referência, o Plano 2025/26 reuniu R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 78,2 bilhões para a familiar.

    Clima

    Uma massa de ar polar avançou sobre o Centro-Sul, com risco de geada para café, milho, feijão e pastagens, sobretudo no Paraná. A previsão aponta uma segunda frente fria, mais intensa, na última semana de junho, com temperaturas abaixo de 10°C em amplas áreas.

    O que fica para o produtor

    Primeiro: com milho em baixa e boi em alta, quem tem confinamento ou recria ganha relação de troca favorável — momento de revisar dietas e travar custo de reposição de grão. Segundo: antes do Plano Safra, vale organizar documentação e fluxo de caixa para acessar crédito nas melhores condições assim que as taxas saírem. Terceiro: a geada não é só risco do café — pasto queimado no auge da seca pressiona o custo do pecuarista; reservar forragem agora é mais barato que socorrer o rebanho depois.

    Agenda da semana

    Acompanhe o anúncio do Plano Safra 2026/27, os boletins de geada do Inmet diante da frente fria prevista para o fim do mês e os relatórios de oferta e demanda da Conab e do USDA, que ajudam a calibrar as projeções de grãos.

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  • Soja 2026/27: área pode parar de crescer e margem fica mais apertada

    Soja 2026/27: área pode parar de crescer e margem fica mais apertada

    O fim do crescimento automático da área

    A soja brasileira vem de uma safra 2025/26 recorde, estimada pela Agroconsult em 184,7 milhões de toneladas, com área de 49,1 milhões de hectares e produtividade média de 62,7 sacas por hectare. Para 2026/27, porém, a consultoria projeta um cenário diferente do que o setor se acostumou: a área plantada deve ficar estável, e pode até recuar, em vez de manter a expansão contínua dos últimos anos. A confirmação do cenário-base depende de fatores externos, como a duração do conflito no Golfo Pérsico, que pressiona custos de fertilizantes e combustíveis.

    Por que o produtor sente o aperto

    O recado central é sobre margem, não sobre volume. Mesmo com produção recorde, o resultado financeiro da lavoura está mais estreito: custos de fertilizantes, defensivos, combustíveis e fretes em alta comprimem a rentabilidade, ao mesmo tempo em que o produtor convive com juros elevados e crédito mais difícil. A combinação de oferta global abundante — puxada pela própria expansão brasileira — e custos pressionados explica por que produzir mais nem sempre significa lucrar mais. Foi a forte demanda internacional que sustentou os preços internos no acumulado de janeiro a maio de 2026, período em que os embarques de soja bateram recorde histórico.

    O que muda na decisão de quem planta

    Num ambiente de margem apertada, a conta de cada hectare passa a exigir mais critério. Antes de simplesmente repetir a área do ano anterior, vale revisar o custo de produção real da propriedade, travar preços e câmbio em janelas favoráveis e avaliar com frieza o uso de tecnologia — cortes mal calculados em adubação ou manejo podem custar produtividade e anular qualquer economia. A gestão de crédito também ganha peso: estruturar o financiamento da safra com antecedência, dentro da capacidade de pagamento, evita decisões apressadas no momento do plantio.

    Terra e ativos como parte da estratégia

    Quando a margem operacional encolhe, a valorização e a boa gestão dos ativos da propriedade ganham importância na construção do resultado de longo prazo. Avaliar a aptidão das áreas, manter a regularização ambiental em dia e enxergar a terra como investimento — e não apenas como base produtiva — ajuda o produtor a atravessar ciclos de preço apertado sem comprometer o patrimônio.

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  • Onda de frio com risco de geada coloca café, milho e pasto em alerta

    Onda de frio com risco de geada coloca café, milho e pasto em alerta

    Frio polar reacende o fantasma da geada

    Uma massa de ar polar avançou sobre as principais regiões produtoras do Centro-Sul nesta semana, interrompeu a sequência de quedas em vários mercados e recolocou a geada no centro das preocupações de quem está no campo. No Paraná, os termômetros podem chegar a níveis capazes de provocar geada não apenas no café, mas também em milho, feijão e pastagens. O avanço do ar frio sobre o Sudeste foi tão relevante que segurou o movimento de baixa do café arábica, com o mercado virando a chave para um cenário de cautela.

    Por que o alerta importa para a safra

    A geada é um dos eventos de maior potencial destrutivo para o cafeicultor: quando atinge a planta em pontos críticos, compromete não apenas a colheita corrente, mas a produtividade da safra seguinte, já que o cafeeiro leva tempo para se recuperar. Nas pastagens, o frio intenso queima a forragem justamente no auge da estação seca, reduzindo a oferta de alimento e pressionando o custo do pecuarista que depende do pasto. E o quadro não se encerra agora: a previsão aponta uma segunda frente fria, mais intensa, para a última semana de junho, capaz de levar as temperaturas para baixo de 10°C em amplas áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

    O que o produtor deve fazer agora

    O primeiro passo é acompanhar diariamente as previsões do Inmet e de serviços privados de meteorologia, com atenção especial às mínimas abaixo de 4°C — patamar a partir do qual o risco de geada se torna concreto. Vale mapear as áreas de baixada da propriedade, que acumulam ar frio e são as primeiras a congelar, e priorizar nelas as medidas de proteção. No café, manejos como irrigação noturna, controle de mato para reduzir o efeito de resfriamento do solo e proteção de mudas ajudam a mitigar perdas. Na pecuária, antecipar reservas de forragem, silagem e suplementação evita que o frio se transforme em queda de desempenho do rebanho.

    Planejamento reduz o tamanho do prejuízo

    Eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e passaram a integrar o planejamento da propriedade. Mais do que reagir a cada frente fria, o produtor que mapeia os riscos da sua terra, organiza a documentação ambiental e estrutura a gestão da fazenda chega ao inverno com mais margem de manobra. Clima é variável que não se controla — mas a exposição a ele, sim.

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  • Reforma tributária no agro: a carga pode dobrar e o caixa é o risco

    Reforma tributária no agro: a carga pode dobrar e o caixa é o risco

    A reforma tributária deixou de ser tema de seminário e entrou na rotina do produtor rural. Em 2026 começou a fase de transição do novo sistema, com a introdução da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) em alíquotas simbólicas de teste — 0,9% de CBS e 0,1% de IBS — e implementação plena de forma gradual até 2033. Parece pouco agora, mas o desenho final muda a conta de quem produz.

    O que está em jogo

    A estimativa que mais preocupa o setor é a da carga total: cálculos de mercado apontam que a tributação sobre o agro pode passar de cerca de 4,5% para mais de 11% — ou seja, mais que dobrar. Some-se a isso o novo pacote de obrigações acessórias. A Nota Fiscal de Produtor Eletrônica (NFP-e) passou a ser obrigatória para todos os produtores, independentemente do faturamento, e a partir de julho de 2026 entra a exigência de inscrição no CNPJ para unificar as inscrições estaduais. Produtores com faturamento anual acima de R$ 3,6 milhões serão obrigados a aderir ao regime de IBS e CBS, com declarações mensais e controle contábil mais rigoroso; abaixo desse limite, a adesão é opcional.

    O nó está no fluxo de caixa

    O ponto mais sensível não é só a alíquota — é o tempo do dinheiro. A lei prevê que o produtor aproveite créditos dos tributos pagos na compra de insumos, mas esse crédito só é recuperado quando a produção é vendida. Num setor de forte sazonalidade, em que se compra insumo numa ponta do ano e se vende a safra na outra, isso significa adiantar imposto e esperar meses para reaver o crédito. Para quem já opera com margem apertada e dívida cara — o cenário de 2025/2026 —, esse descasamento entre pagar e recuperar pode ser o que mais dói no bolso.

    O que o produtor deve fazer agora

    A leitura da Senior é que esta é uma janela de preparação, não de espera. Primeiro, arrumar a contabilidade desde já: emitir NFP-e corretamente, organizar a escrituração e simular o impacto da nova carga sobre o resultado da propriedade antes que a transição avance. Segundo, mapear créditos — quanto de CBS e IBS embute cada insumo e quando esse valor volta ao caixa — para planejar capital de giro com antecedência, em vez de descobrir o buraco no fim da safra. Terceiro, decidir com dados se vale a adesão opcional para quem está abaixo de R$ 3,6 milhões, porque o regime certo depende do perfil de compras e vendas de cada negócio.

    Tributação mais pesada e mais formalização empurram o agro na mesma direção da agenda ambiental: profissionalização. Propriedade com a documentação fiscal e ambiental em ordem acessa crédito melhor, vende para compradores mais exigentes e atravessa a transição com previsibilidade. Quem trata a reforma como surpresa paga mais; quem trata como planejamento transforma a mudança em vantagem competitiva.

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  • Leite em alta: preço ao produtor é recorde da série do Cepea

    Leite em alta: preço ao produtor é recorde da série do Cepea

    O preço do leite pago ao produtor voltou a subir e, segundo o Cepea/Esalq, a captação de junho de 2026 alcançou o maior patamar da série histórica iniciada em 2005. É o quarto mês consecutivo de valorização: na Média Brasil, o litro chegou a R$ 2,6584 em abril, alta de 10,4% sobre março, e seguiu firme em maio e junho. Depois de nove meses de queda ao longo de 2025, o leite reagiu com força no primeiro semestre.

    O que está empurrando o preço

    O motor da alta é a oferta curta no campo. A entressafra reduziu o volume disponível e acirrou a concorrência entre os laticínios pela matéria-prima — o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) do Cepea recuou no acumulado do trimestre, confirmando o aperto. Com menos leite na esteira e indústrias disputando o que existe, o produtor com escala e regularidade ganhou poder de barganha que não tinha desde o fim de 2024.

    O quadro, porém, tem prazo de validade. Os próprios pesquisadores do Cepea já apontam sinais de desaceleração a partir do meio do ano: à medida que a relação de troca melhora e o custo de produção dá alívio, tende a haver reação na oferta — e mais leite no mercado, mais cedo ou mais tarde, devolve parte do prêmio atual. Vale lembrar que, mesmo no recorde nominal, parte do ganho apenas recompõe a perda de poder de compra acumulada nos meses de queda de 2025.

    O que o produtor deve fazer agora

    A leitura da Senior é direta: preço bom é hora de organizar a casa, não de relaxar. Três frentes valem prioridade. Primeiro, travar custo onde der — negociar insumos e ração aproveitando a margem atual, porque a janela de preço alto raramente coincide com a janela de custo baixo por muito tempo. Segundo, melhorar a eficiência da captação: qualidade do leite (CCS e CBT), volume regular e logística confiável são exatamente o que faz o laticínio pagar o topo da tabela quando a oferta voltar a crescer. Terceiro, não confundir ciclo com tendência — quem expandir rebanho apostando que o preço recorde veio para ficar pode se ver pressionado quando a oferta normalizar no segundo semestre.

    Há ainda um movimento estrutural que conversa com o leite: rastreabilidade e responsabilidade ambiental viram critério de acesso a contratos melhores, dentro e fora do país. Propriedade regularizada, manejo documentado e pastagem recuperada não são custo — são o que coloca o produtor na fila dos fornecedores preferenciais quando a indústria seleciona. Quem usa o caixa do momento bom para arrumar a base sai do ciclo mais forte do que entrou.

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  • Clima é o risco nº 1 do agro em 2026: 79% dos líderes veem impacto alto, diz EY

    Clima é o risco nº 1 do agro em 2026: 79% dos líderes veem impacto alto, diz EY

    A consultoria EY divulgou nesta semana a nova edição da pesquisa “Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro”, e o resultado confirma o que o campo já sente na pele: as mudanças climáticas são, pelo segundo levantamento consecutivo, o principal risco do agronegócio brasileiro. 79% dos entrevistados classificam os impactos climáticos como altos ou muito altos para seus negócios. O estudo ouviu 52 executivos de fornecedores de insumos, produtores, agroindústrias, tradings e compradores de commodities, com faturamento anual entre R$ 3 bilhões e R$ 60 bilhões.

    O ranking completo dos riscos

    Depois do clima, a segunda maior preocupação é a gestão de pessoas — o setor convive com déficit estimado de cerca de 180 mil profissionais qualificados, agravado pela digitalização acelerada. Na sequência vêm a geopolítica (conflitos e tensões comerciais pressionando fertilizantes, energia e logística), as políticas e regulações (com a reforma tributária como novo fator de atenção) e a transformação digital, cuja adoção ainda esbarra em conectividade rural e qualificação.

    A lacuna que define quem perde

    O dado mais incômodo do estudo não é o ranking — é a distância entre percepção e ação. As empresas reconhecem o risco climático, mas apresentam baixo nível de prontidão para enfrentá-lo. Como resume Otávio Lopes, sócio-líder de Agronegócio da EY, quanto maior essa lacuna entre o impacto do risco e o preparo da organização, maior é o risco real. Enquanto isso, cresce a pressão de investidores e compradores internacionais por rastreabilidade, práticas sustentáveis e redução de emissões — ou seja, o clima deixou de ser só um risco de produção e virou critério de acesso a mercado e a crédito.

    O que o produtor deve fazer

    A leitura prática é direta: risco climático se gerencia com antecedência, não na emergência. Três frentes valem prioridade ainda em 2026: primeiro, regularização ambiental em dia (CAR, reserva legal, outorgas), porque é a porta de entrada para crédito e seguro em condições melhores; segundo, documentar práticas de baixo carbono já adotadas — plantio direto, ILPF, recuperação de pastagens — que podem virar receita com a regulamentação do mercado de carbono avançando até dezembro; terceiro, diversificar receita e proteção, combinando seguro rural, contratos futuros e projetos ambientais. A própria EY aponta mercado de carbono e biocombustíveis entre os temas que mais devem ganhar força nos próximos anos.

    Quem trata a agenda climática como custo tende a ficar para trás; quem trata como ativo entra na fila da remuneração por serviço ambiental antes da maioria.

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  • Boi gordo a R$ 353/@: oferta curta sustenta a arroba, mas cota da China preocupa

    Boi gordo a R$ 353/@: oferta curta sustenta a arroba, mas cota da China preocupa

    O Indicador CEPEA/Esalq do boi gordo fechou a terça-feira (10) cotado a R$ 353,55 por arroba, acumulando alta de 1,10% em junho no mercado paulista. A média parcial do mês, de R$ 352,80/@, está mais de 12% acima da média nominal de junho de 2025 (R$ 312,90) e caminha para superar com folga o recorde anterior para o período, registrado em 2022.

    Escalas curtas dão o tom

    O motor da alta é a oferta restrita de animais terminados. Segundo a Scot Consultoria, as escalas de abate em São Paulo, que chegaram a 14-15 dias em maio, encurtaram para 7 a 10 dias. A Agrifatto aponta que as indústrias estão comprando apenas o necessário para manter escalas próximas de sete dias. Em Mato Grosso do Sul, praças como Cassilândia registraram alta de até R$ 5/@, com negócios entre R$ 340 e R$ 350. O boi padrão-China é negociado a R$ 355/@, e lotes diferenciados em São Paulo chegaram a R$ 365.

    Exportação recorde — com prazo de validade

    Junho começou com embarques de carne in natura em média diária de 15,64 mil toneladas, 29,8% acima de junho de 2025. O problema está no calendário: a cota chinesa de importação sem tarifa adicional pode se esgotar entre junho e julho, segundo a Safras & Mercado. Nesse cenário, frigoríficos tendem a reduzir abates e cortar as bonificações do padrão-China. O mercado futuro já precifica esse risco: o contrato de agosto na B3 fechou a R$ 338/@. Some-se a isso o veto da União Europeia à carne brasileira a partir de 3 de setembro, que pressiona o segundo semestre.

    O que o pecuarista deve fazer

    O momento favorece quem tem boi pronto: o físico está firme e a escassez de gado deve seguir — a Scot projeta abates de cerca de 39 milhões de cabeças em 2026, ante 42 milhões em 2025. Mas o spread entre o físico (R$ 353) e o futuro de agosto (R$ 338) indica que travar parte da produção nos preços atuais é decisão racional, não pessimismo. Atenção também à reposição: o poder de compra do pecuarista que precisa repor está nos menores níveis históricos, o que exige conta fina antes de vender para recomprar.

    Com menos gado disponível nos próximos anos, o ganho virá de produtividade por hectare — e intensificar com responsabilidade ambiental é o que separa quem apenas sobrevive ao ciclo de quem captura valor extra em mercados exigentes, como rastreabilidade e protocolos de baixo carbono.

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  • Senado aprova renegociação de dívidas rurais com juros de até 7,5% ao ano

    Senado aprova renegociação de dívidas rurais com juros de até 7,5% ao ano

    O Senado aprovou nesta quarta-feira (10) o PL 5.122/2023, que cria uma linha especial de refinanciamento de dívidas para produtores rurais, com carência, juros reduzidos e prazo alongado. O relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), ampliou o texto original para permitir o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outras fontes. Como houve mudanças, o projeto volta à Câmara dos Deputados antes de seguir à sanção presidencial.

    O que o texto prevê

    Os números aprovados são relevantes para quem carrega dívida de custeio ou investimento: financiamento de até R$ 10 milhões por beneficiário e até R$ 50 milhões por associação, cooperativa de produção ou condomínio, com prazo de pagamento de até 10 anos, acrescidos de 3 anos de carência. Os juros variam por perfil: 3,5% ao ano para o Pronaf e pequenos produtores, 5,5% para o Pronamp e médios, e 7,5% para os demais — bem abaixo do custo do crédito livre atual.

    Podem entrar dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural contratadas até 31 de dezembro de 2025, renegociadas ou não, com recálculo dos débitos sem multa, mora e encargos de inadimplência. O projeto ainda autoriza prorrogação de 180 dias dos vencimentos das operações abrangidas, com suspensão de execuções judiciais e de inscrição em cadastros negativos nesse período. Além do Fundo Social, FNO, FNE, FCO e Funcafé poderão operar a linha em suas regiões.

    Quem tem direito

    O benefício alcança produtores, associações, cooperativas e condomínios que comprovem critérios objetivos ligados a calamidades e perdas produtivas — o relatório incluiu também impactos econômicos de conflitos geopolíticos. Na área da Sudene, o período de análise de calamidades foi ampliado para 2012 a 2025. Como resumiu a senadora Tereza Cristina no plenário: a safra foi plantada com dólar a R$ 6 e está sendo colhida com dólar a R$ 5, com commodities em baixa e juros em alta.

    O que o produtor deve fazer agora

    A leitura da Senior: ainda não é lei. O texto volta à Câmara e o governo resiste ao uso do Fundo Social, prevendo impacto bilionário nas contas — o desenho final pode mudar. Mas o critério de acesso já está claro: comprovação documental de calamidade ou perda produtiva. Quem quer estar na fila quando a linha abrir deve organizar desde já laudos de perdas, decretos de emergência do município, registros de produtividade e a regularidade ambiental do imóvel (CAR e afins), que os bancos exigem na contratação. Documentação pronta é a diferença entre acessar juros de 3,5% a 7,5% ou continuar pagando o crédito mais caro do mercado.

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