BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Categoria: Agronegócio

  • Etanol de milho atrai R$ 23 bilhões e cria nova demanda para o grão

    O etanol de milho virou o principal vetor de investimento industrial do agro brasileiro. Levantamentos divulgados nos últimos dias mostram 21 projetos de novas usinas, em construção ou planejamento, que somam cerca de R$ 23 bilhões — o suficiente para ampliar a capacidade de produção de etanol de milho em quase 50%, dos atuais 8,2 bilhões de litros para 12,1 bilhões de litros até 2027.

    Produção recorde e o papel do etanol de milho

    Segundo projeções da StoneX, o Brasil deve produzir 36,5 bilhões de litros de etanol no ciclo 2026/27 (abril a março), recorde histórico e crescimento de 7,9% sobre o período anterior. O detalhe importante está na composição: o etanol de cana deve crescer 4,4%, enquanto o de milho tende a avançar 17%. O Rabobank estima cerca de 3 bilhões de litros de capacidade adicional entrando em operação até o fim de 2026.

    A geografia do investimento também está mudando. As plantas se concentram em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, mas os novos projetos avançam para o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e para regiões canavieiras — a Jalles, por exemplo, estuda usina de milho integrada à unidade de cana para produzir também na entressafra, usando a mesma estrutura industrial o ano inteiro.

    O que isso significa para quem planta milho

    Cada usina nova é demanda firme e local pelo grão. Em regiões onde o milho safrinha historicamente sofre com frete caro e preço deprimido na colheita — situação que o produtor está vivendo neste julho —, a usina na vizinhança cria um comprador permanente, reduz a dependência do porto e tende a estreitar a diferença entre o preço local e a referência CEPEA/B3. Além do etanol, as plantas geram DDG, farelo proteico que barateia a ração e fortalece a integração com pecuária de corte, leite e confinamento.

    Para o produtor, a leitura prática é dupla. Primeiro: antes de travar vendas longas de milho a preço deprimido, vale mapear os projetos anunciados na sua região — demanda nova chegando altera a conta do carrego. Segundo: a expansão dessas usinas movimenta o mercado de terras e de arrendamento no entorno, valorizando áreas bem posicionadas logisticamente. Quem pensa em comprar ou vender terra nessas regiões deve considerar esse vetor na precificação.

    O ciclo de investimento também dialoga com a agenda de descarbonização: etanol e DDG geram créditos no RenovaBio, e a demanda por biocombustível tende a crescer com o mandato de mistura e o combustível sustentável de aviação no horizonte. É mais um caso em que a pauta ambiental vira receita concreta na porteira.

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  • Exportação de algodão bate recorde e Brasil fecha ciclo como líder mundial

    O Brasil encerrou o ciclo comercial 2025/26 do algodão (julho de 2025 a junho de 2026) na liderança mundial das exportações, à frente dos Estados Unidos. A exportação de algodão fechou a temporada em nível recorde, com cerca de 3,3 milhões de toneladas embarcadas, segundo dados compilados pelo setor. Só em junho foram 217 mil toneladas — recorde para o mês — e o ciclo registrou recordes mensais em 7 dos 12 meses da temporada.

    Uma liderança construída na exportação de algodão

    O resultado coroa uma década de transformação da cotonicultura brasileira, concentrada principalmente em Mato Grosso e no oeste da Bahia. A safra 2025/26 deve entregar cerca de 3,9 milhões de toneladas de pluma, segundo a Abrapa — a segunda maior da história. O destino da fibra confirma a dependência da Ásia: em junho, Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã responderam juntos por 71,1% dos embarques brasileiros.

    O que isso muda para o produtor

    Para quem já produz grãos no Cerrado, o recado é direto: o algodão se consolidou como cultura de segunda safra com liquidez internacional real, e não apenas como aposta de nicho. A demanda asiática firme e a posição de maior exportador mundial dão ao produtor brasileiro um canal de escoamento que reduz a dependência do mercado interno — mas a cultura segue exigente em capital, tecnologia e escala, e não perdoa erro de manejo.

    Há dois pontos de atenção no radar. Primeiro, a Conab divulga em 17 de julho a primeira Intenção de Plantio 2026/27, incluindo algodão — o dado vai indicar se a área seguirá crescendo e pressionando margens futuras. Segundo, os mercados compradores mais exigentes (e os que pagam melhor) cobram cada vez mais rastreabilidade e certificação socioambiental, como os programas SouABR e Better Cotton, que já cobrem a maior parte da pluma nacional.

    Conformidade ambiental é bilhete de entrada

    É aqui que a agenda ambiental deixa de ser custo e vira acesso a mercado: CAR regular, reserva legal em dia e passivo ambiental equacionado são pré-requisitos práticos para certificar a produção e vender para as tradings que abastecem a Ásia e a Europa. O produtor que resolve sua regularização hoje entra no ciclo 2026/27 com a porta aberta para os prêmios de mercado — quem deixa para depois fica com o desconto.

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  • Déficit de armazenagem: safra recorde deixa 135 milhões de toneladas sem silo

    O Brasil caminha para colher a maior safra de grãos da sua história — cerca de 353 milhões de toneladas, segundo os levantamentos mais recentes — e esbarra em um problema antigo que nunca esteve tão exposto: o déficit de armazenagem. A capacidade estática nacional cobre apenas cerca de 62% desse volume, o que deixa aproximadamente 135 milhões de toneladas sem lugar adequado para serem guardadas, segundo dados divulgados pela ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

    Onde o déficit de armazenagem aperta mais

    A média nacional já é ruim, mas o quadro é pior justamente onde a produção mais cresce. Em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, considerando primeira e segunda safras, a capacidade de armazenagem fica próxima de 50% do que é colhido. A produção de grãos avançou em ritmo muito mais rápido do que a construção de silos e armazéns — e a colheita recorde do milho safrinha de 2026, somada à supersafra de soja, transformou o gargalo estrutural em problema imediato de logística e de preço.

    O que isso custa para o produtor

    Sem armazém, o produtor é empurrado para o pior cenário comercial: vender na pressão da colheita, quando a oferta é máxima e o preço tende a ser o menor do ciclo. O gargalo também alimenta filas nos armazéns de terceiros, eleva o custo do frete — que já subiu com o escoamento da safrinha — e aumenta as perdas pós-colheita por falta de estrutura adequada de secagem e conservação. Na prática, cada tonelada sem silo é margem que sai do bolso de quem produziu.

    O que o produtor pode fazer agora

    Três frentes merecem atenção. Primeiro, planejamento comercial: quem não tem armazém próprio precisa antecipar contratos de armazenagem e escalonar a venda para não concentrar tudo no pico da oferta. Segundo, investimento: as linhas do Plano Safra voltadas à construção e ampliação de armazéns (como o PCA) seguem sendo o principal caminho de financiamento — e a armazenagem própria costuma se pagar pela melhora do preço médio de venda e pela redução de frete no pico. Terceiro, informação: a ABIMAQ lançou um guia prático e gratuito de armazenagem eficiente, voltado a produtores e gestores do setor.

    O recado da supersafra de 2026 é claro: produzir mais deixou de ser o único desafio — guardar e vender bem virou parte central da rentabilidade. Quem tratar a armazenagem como investimento estratégico, e não como despesa, tende a capturar mais valor nas próximas safras.

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  • Frete do milho safrinha sobe até 10% em julho e aperta a margem do produtor

    O frete do milho safrinha virou o novo vilão da margem do produtor neste mês de julho. Com a colheita avançando entre junho e setembro, os custos de transporte rodoviário devem subir cerca de 10% em julho, segundo levantamentos do setor de logística agrícola. Os valores de frete já vinham operando perto dos picos de fevereiro e março — quando a soja dominava as rotas — e agora é o milho que disputa caminhão, estrada e porto.

    Por que o frete do milho safrinha está subindo

    Três fatores se somam. Primeiro, a produção recorde de grãos de 2025/26 mantém a demanda por transporte aquecida desde o início do ano, sem folga na frota. Segundo, a infraestrutura do Arco Norte — principal rota de escoamento do Centro-Oeste — está comprometida: a BR-163 tem 156 quilômetros em condição degradada (23,3% da rodovia) e a Transamazônica (BR-230) soma 953 quilômetros em estado ruim ou péssimo. Estrada ruim significa viagem mais lenta, mais manutenção e frete mais caro.

    Terceiro, o clima: a previsão de El Niño para o segundo semestre tende a reduzir as chuvas no Norte do país, baixando o calado das hidrovias. Barcaças carregando menos por viagem devolvem volume para a estrada — exatamente na janela em que o milho mais precisa dela.

    O impacto no bolso de quem produz

    Frete é o custo que o produtor menos controla e o que mais corrói a margem em ano de preço pressionado. Com o milho disponível (ESALQ/BM&FBovespa) operando na casa dos R$ 65 por saca e a colheita pressionando as cotações, cada real a mais no transporte sai diretamente da remuneração de quem colheu. Para quem está longe do porto, no norte de Mato Grosso, o frete pode consumir mais de 30% do valor da saca em anos de logística apertada.

    O que o produtor pode fazer agora

    Algumas decisões ajudam a defender a margem: negociar frete com antecedência em vez de disputar caminhão no pico da colheita; avaliar contratos com armazenagem local para escalonar a venda e o embarque fora da janela de maior pressão; comparar rotas (Arco Norte versus portos do Sul e Sudeste) considerando o estado real das estradas; e usar o mercado futuro da B3 para travar preço enquanto o grão espera logística melhor. Quem tem armazém próprio ou condomínio de armazenagem tem, neste momento, uma vantagem competitiva concreta.

    Vale também colocar o custo logístico na conta da expansão: terra mais barata e distante do porto pode custar caro no frete — um fator que deve entrar em qualquer análise de investimento em terras e de viabilidade da próxima safra.

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  • Máquinas agrícolas: vendas caem 13% e importadas da Ásia avançam 48%

    Máquinas agrícolas: vendas caem 13% e importadas da Ásia avançam 48%

    Mercado em marcha lenta

    O mercado de máquinas agrícolas começou 2026 em retração: as vendas no varejo somaram 9,8 mil unidades no primeiro trimestre, queda de 13,1% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Anfavea. Para o ano fechado, a entidade projeta 46,7 mil unidades vendidas — recuo de 6,2% em relação a 2025.

    Juros altos e renda volátil seguram a compra

    O freio tem duas causas principais: o custo elevado do crédito, que encarece qualquer financiamento de trator ou colheitadeira, e a volatilidade da renda no campo, com grãos pressionados por safras recordes. Nesse cenário, o produtor adia a renovação de frota — mesmo com a agenda cheia de colheita de safrinha e preparo para o plantio 2026/27.

    A Ásia entra pela porteira

    Enquanto o mercado total encolhe, as máquinas agrícolas importadas avançam: foram 3,35 mil unidades no primeiro trimestre, crescimento de 48,4% na comparação anual. A Índia lidera o ranking de origem das importações, e as máquinas chinesas crescem 85,7% no acumulado recente, segundo levantamento do setor. O atrativo é o preço — em geral abaixo do produto nacional equivalente —, o que pressiona a indústria local e amplia o leque de opções do comprador.

    O que pesar antes de investir

    Preço de tabela não é custo total. Antes de fechar negócio com marca entrante, o produtor deve colocar na conta a rede de assistência técnica na sua região, a disponibilidade de peças de reposição, o valor de revenda da máquina usada e a compatibilidade com implementos já existentes. Máquina parada em plena colheita custa mais caro que qualquer desconto obtido na compra. Vale também comparar as linhas de investimento do Plano Safra 2026/27 com o financiamento das próprias montadoras e avaliar alternativas como consórcio, seminovos e terceirização de operações pontuais.

    Decisão de gestão, não de vitrine

    Num ano de margens apertadas, a renovação de frota deve seguir a mesma lógica de qualquer investimento na fazenda: retorno calculado, risco mapeado e financiamento compatível com o fluxo de caixa da safra. Quem compra bem no ciclo de baixa costuma colher a diferença no ciclo seguinte.

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  • Resumo da semana no agro: café dispara, soja avança e tarifa dos EUA no radar

    Resumo da semana no agro: café dispara, soja avança e tarifa dos EUA no radar

    Toda segunda-feira, a Senior reúne o que moveu o agro na semana anterior — com a leitura do que cada fato significa para a decisão de quem está no campo.

    Grãos

    A soja subiu 3,33% no interior do Paraná, com a saca de 60 kg passando de R$ 128,41 para R$ 132,69 (Cepea), sustentada pelo ritmo forte de embarques: nos três primeiros dias úteis de julho o Brasil exportou 1,507 milhão de toneladas, com preço médio 7,5% maior que o de julho de 2025 e receita de US$ 661,2 milhões (Secex). O milho seguiu pressionado, a R$ 64,37/sc (Cepea), com a colheita da safrinha em Mato Grosso atingindo 60% da área. Na sexta (10), o relatório WASDE do USDA cortou as safras de milho e soja dos EUA e reduziu os estoques globais de trigo para 272,84 milhões de toneladas — suporte para os preços internacionais.

    Pecuária

    O boi gordo devolveu parte dos ganhos de junho: o indicador Cepea/B3 fechou a sexta a R$ 326,65/@, queda de 0,97% na semana e de 2,90% na parcial de julho. No campo político-sanitário, 14 entidades da pecuária divulgaram nota conjunta contra a adoção das exigências da União Europeia sobre antimicrobianos, enquanto o governo negocia para evitar a suspensão das importações de carne bovina e de frango pela UE a partir de 3 de setembro.

    Exportações & mercado

    A balança comercial da primeira semana de julho somou US$ 5,89 bilhões em exportações (+40,6% sobre julho/2025), com superávit de US$ 2,27 bilhões. O destaque de preços foi o café: o arábica disparou 7,74% na semana, a R$ 1.762,83/sc (Cepea), e o robusta subiu 3,64%, a R$ 1.109,55/sc.

    Política & crédito

    O governo publicou o Decreto 13.018, que regulamenta o pagamento por serviços ambientais (PSA) — nova fonte potencial de renda para quem preserva. E segue a contagem regressiva para 15 de julho, prazo da tarifa americana de 25% sobre produtos brasileiros. O dólar abriu a semana a R$ 5,11.

    Clima

    O Centro de Previsão Climática dos EUA elevou para 81% a chance de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro — potencialmente entre os maiores desde 1950, com chuva acima da média no Centro-Sul e seca no Norte/Nordeste na safra 2026/27.

    O que fica para o produtor

    1) Soja: a janela segue aberta. Prêmio de exportação e dólar acima de R$ 5,10 favorecem travar parte da produção — quem esperou até aqui foi premiado, mas o WASDE mostrou Brasil recordista, e oferta grande limita o teto.

    2) Boi: julho já cai 2,9%. Com escalas confortáveis e China mais lenta, proteger preço na B3 para o segundo semestre voltou a ser decisão de gestão, não de opinião.

    3) Tarifa dos EUA decide a semana. Exportador de carne, café e suco deve definir cenários antes de 15/07 — e quem preserva deve olhar o PSA: preservação começa a virar receita.

    Agenda da semana

    Segunda (13): Boletim Focus, balança parcial do MDIC e condições de lavouras dos EUA (USDA). Terça (15): prazo da tarifa americana de 25%. Na semana: estimativa de safra de grãos 2025/26 da Conab e estimativa da safra de trigo 2026.

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  • Exportação do agro bate recorde e abre 30 mercados em 2026

    A exportação do agro brasileiro vive um momento histórico. O setor fechou o primeiro trimestre de 2026 com US$ 38,1 bilhões embarcados — o maior valor da série histórica para o período de janeiro a março — e um superávit de US$ 33 bilhões. O ritmo seguiu forte em junho: até a terceira semana do mês, as vendas da agropecuária cresceram 21,9% na comparação anual, somando US$ 5,89 bilhões. Depois de 2025 ter batido recorde com US$ 169 bilhões exportados, 2026 caminha para desafiar a marca.

    Exportação do agro: o que está puxando o recorde

    O avanço é distribuído entre vários produtos. Na parcial de junho, os destaques da agropecuária foram animais vivos (+115,7%), soja (+23,6%) e algodão em bruto (+57,6%). Nas carnes, a bovina fresca, refrigerada e congelada subiu 32,8% e a de aves disparou 69,0% em valor. O café, mesmo com oferta mais ajustada, sustenta a receita pelos preços internacionais elevados. Some-se a isso a abertura de 30 novos mercados só no primeiro trimestre de 2026 — diversificação que reduz a dependência de poucos compradores e amplia o poder de barganha do Brasil.

    O novo passaporte: rastreabilidade e regularização

    Aqui está o ponto que o produtor não pode ignorar. Os mercados que mais crescem e mais pagam — a União Europeia, com a regra antidesmatamento (EUDR), e compradores premium da Ásia — estão condicionando a compra à comprovação de origem e à conformidade ambiental. Não basta produzir: é preciso provar que se produz dentro da lei. CAR validado, área sem embargo, Reserva Legal e APP em ordem e rastreabilidade da cadeia deixaram de ser burocracia e viraram condição de acesso aos contratos mais rentáveis. Quem não se adequar tende a ficar restrito aos mercados que pagam menos.

    O que o produtor deve fazer agora

    O recorde das exportações é uma janela, não uma garantia. Para aproveitá-la, o produtor precisa tratar a regularização ambiental e documental como investimento comercial, e não como despesa. Na prática: manter o Cadastro Ambiental Rural atualizado e validado, resolver pendências e eventuais embargos antes que travem a comercialização, organizar a rastreabilidade do rebanho e dos talhões e documentar o manejo. É essa “papelada” que abre — ou fecha — a porta dos mercados que sustentam os preços recordes de hoje.

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  • Conectividade no campo: 4G já cobre 26 milhões de hectares

    Conectividade no campo: 4G já cobre 26 milhões de hectares

    A conectividade no campo deixou de ser promessa de feira e virou variável de margem. Na Agrishow 2026, operadoras e fabricantes apresentaram soluções que levam sinal a regiões remotas, e os números mostram por que o produtor que ainda trata internet rural como item secundário está deixando dinheiro na lavoura. Só a rede 4G de uma das operadoras já cobre cerca de 26 milhões de hectares de área agrícola — base que cresce desde 2018 e sustenta a virada digital do agro brasileiro.

    Conectividade no campo paga a conta na prática

    Os ganhos não são teóricos. Em projetos de campo, a conexão estável permitiu cortar até 32% no consumo de combustível com operações guiadas por dados, enquanto sistemas de inteligência artificial que identificam pragas em tempo real reduziram, em média, 62% no uso de defensivos — aplicando produto apenas onde há infestação. Para uma propriedade que gasta com diesel e agroquímicos como duas das maiores linhas de custo, esse tipo de eficiência aparece direto no resultado.

    O produtor já adotou — falta fechar a lacuna de sinal

    A adoção digital no campo brasileiro já é alta: pesquisas apresentadas no setor apontam que 91% dos produtores usam GPS nas operações, 85% adotam aplicativos de gestão financeira, 76% trabalham com imagens de satélite e 70% praticam agricultura de precisão. O gargalo não é mais a vontade de usar tecnologia, e sim a cobertura: por isso ganham espaço soluções via satélite, que transformam o próprio maquinário em ponto de sinal e garantem conexão onde a torre não chega. Mais de 2,6 milhões de pessoas em comunidades rurais já são atendidas por projetos de conectividade.

    O que o produtor deve fazer agora

    O primeiro passo é mapear onde a propriedade tem e onde não tem sinal confiável, e tratar a conectividade como infraestrutura — no mesmo nível de energia e estradas internas. Vale comparar a cobertura das operadoras na sua região, avaliar repetidores e soluções via satélite para áreas cegas, e exigir dos fornecedores de máquinas e softwares que os equipamentos conversem entre si. Conectividade sem integração de dados vira custo; conectividade integrada vira decisão melhor.

    Há ainda um ganho que muitos ignoram: os dados gerados em campo — produtividade por talhão, uso de insumos, imagens de satélite, histórico de manejo — são exatamente a base que hoje sustenta a regularização ambiental, a rastreabilidade exigida por compradores e a documentação de projetos de crédito de carbono. Quem organiza essa informação não só produz melhor: chega à mesa de negociação ambiental e de financiamento com prova, não com promessa.

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  • Recuperação judicial no agro dispara em 2026 — e o CNJ apertou as regras

    Recuperação judicial no agro dispara em 2026 — e o CNJ apertou as regras

    A recuperação judicial no agro não deu trégua em 2026. Depois do recorde de quase 2 mil pedidos em 2025 (alta de 56,4% em um ano), o setor agropecuário encerrou o primeiro trimestre deste ano com 539 empresas em recuperação judicial, crescimento de 9,3% sobre o último trimestre de 2025, segundo a Serasa Experian. Mais revelador que o número absoluto é a proporção: o índice de recuperação judicial do agro chegou a 14,42, contra média nacional de 2,18 — ou seja, o campo é, de longe, o setor mais pressionado da economia brasileira hoje.

    Recuperação judicial no agro: onde a crise está concentrada

    O aperto tem CEP e cultura definidos. O cultivo de soja lidera com 243 empresas em recuperação, seguido por bovinos de corte (89) e cana-de-açúcar (49). Regionalmente, o Centro-Oeste avançou 5,5% no trimestre, puxado por Mato Grosso, que subiu 13,2% em três meses e 36% em um ano. A crise também subiu na cadeia: grandes distribuidoras de insumos, como AgroGalaxy e Lavoro, já passaram por reestruturação de dívidas bilionárias — sinal de que o problema não está só na porteira, mas em todo o ecossistema que financia a safra. A raiz é conhecida: anos de alavancagem no topo do ciclo, depois cotações de grãos em queda, custo de insumo elevado e o juro mais alto em quase duas décadas.

    A regra mudou: Provimento 216/2026 do CNJ

    Aqui está a novidade que mais altera o jogo. Em março de 2026, o Conselho Nacional de Justiça publicou o Provimento 216/2026, unificando e endurecendo as regras para a recuperação judicial do produtor rural. As principais exigências: comprovação formal de pelo menos dois anos de atividade rural; apresentação de Livro Caixa Digital do Produtor Rural, declaração de Imposto de Renda e, para pessoa jurídica, a ECF, além de balanços assinados por contador no momento do pedido. O juiz passa a poder determinar perícia prévia no local — com geoprocessamento — para verificar se o devedor de fato produz ou apenas arrenda a terra a terceiros. O provimento ainda delimita quais créditos entram na RJ (apenas dívidas ligadas à atividade rural registrada) e protege contratos de entrega a preço fixo (barter) e a CPR física. Na prática, a RJ ficou mais técnica, mais documentada e mais difícil de usar como saída de última hora. Vale registrar que parte dos juristas questiona se o CNJ tinha competência para criar essas exigências, o que ainda pode ser discutido nos tribunais.

    O que o produtor deve fazer

    A leitura é direta: recuperação judicial deixou de ser um botão de emergência acionável a qualquer momento. Quem pode precisar dela um dia tem de organizar a contabilidade agora — Livro Caixa em dia, balanços, comprovação de atividade —, porque sem isso o pedido nem é admitido. E, antes de chegar à RJ, há caminhos menos traumáticos: renegociação direta com bancos e fornecedores, alongamento de dívidas, adesão a programas de renegociação e ao crédito do Plano Safra, e a recuperação extrajudicial, que ganhou espaço com as novas regras. O que separa quem se reestrutura de quem quebra, neste ciclo, é menos o tamanho da dívida e mais a qualidade da gestão financeira e da documentação. Custo financeiro virou o centro da decisão da safra 2026/27.

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  • Laranja: safra cai 12,9% e greening aperta a conta do citricultor

    Laranja: safra cai 12,9% e greening aperta a conta do citricultor

    A primeira estimativa da safra 2026/27 de laranja no cinturão citrícola — São Paulo mais o Triângulo e o Sudoeste mineiros — aponta 255,2 milhões de caixas, segundo a PES/Fundecitrus. É um recuo de 12,9% frente às 292,94 milhões de caixas da temporada 2025/26 e fica 14,7% abaixo da média das dez últimas safras. Dois fatores explicam a queda: a bienalidade negativa, ciclo natural em que o pomar produz menos depois de um ano cheio, e o avanço do greening.

    Greening: a doença que mudou a equação

    O greening (HLB) já atinge mais da metade do cinturão. A incidência média de plantas com sintomas chegou a 47,6%, e a severidade da doença, a 22,7%. Não há cura: uma vez infectada, a planta perde produtividade e qualidade de fruto até ser erradicada. O controle exige manejo intensivo e contínuo — combate ao psilídeo transmissor, retirada rápida das plantas doentes, mudas sadias e replantio imediato. Tudo isso pesa no bolso.

    Custo alto e margem no fio

    O custo total ponderado de um pomar irrigado e adensado no norte paulista chegou a R$ 58.493 por hectare na safra 2026/27, alta de 8,3% sobre a temporada anterior. Para fechar a conta no cenário mais exigente, o citricultor precisa colher cerca de 1.000 caixas por hectare com preço próximo de R$ 53,50 a caixa. O problema é que o mercado físico rodou bem abaixo disso — R$ 31,20 a caixa em março — com estoques elevados de suco segurando a recuperação dos preços.

    O que o produtor deve observar

    Com oferta menor na próxima safra, há espaço para os preços reagirem ao longo do ciclo, mas a rentabilidade vai depender menos do preço e mais do controle de custo e do manejo do greening. Pomar bem cuidado, com incidência baixa de HLB e produtividade alta por hectare, é o que separa quem lucra de quem só cobre despesa. Quem pensa em entrar ou expandir na citricultura precisa colocar o custo do manejo da doença na planilha desde o primeiro dia — e avaliar a saúde fitossanitária do pomar antes de qualquer negócio de terra.

    A citricultura segue sendo um negócio de margem estreita e gestão exigente. O dado da safra menor é apenas o pano de fundo; a decisão que importa é como cada produtor vai defender sua produtividade diante de uma doença que não recua.

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