BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Autor: Equipe AgroSenior

  • Etanol de milho atrai R$ 23 bilhões e cria nova demanda para o grão

    O etanol de milho virou o principal vetor de investimento industrial do agro brasileiro. Levantamentos divulgados nos últimos dias mostram 21 projetos de novas usinas, em construção ou planejamento, que somam cerca de R$ 23 bilhões — o suficiente para ampliar a capacidade de produção de etanol de milho em quase 50%, dos atuais 8,2 bilhões de litros para 12,1 bilhões de litros até 2027.

    Produção recorde e o papel do etanol de milho

    Segundo projeções da StoneX, o Brasil deve produzir 36,5 bilhões de litros de etanol no ciclo 2026/27 (abril a março), recorde histórico e crescimento de 7,9% sobre o período anterior. O detalhe importante está na composição: o etanol de cana deve crescer 4,4%, enquanto o de milho tende a avançar 17%. O Rabobank estima cerca de 3 bilhões de litros de capacidade adicional entrando em operação até o fim de 2026.

    A geografia do investimento também está mudando. As plantas se concentram em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, mas os novos projetos avançam para o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e para regiões canavieiras — a Jalles, por exemplo, estuda usina de milho integrada à unidade de cana para produzir também na entressafra, usando a mesma estrutura industrial o ano inteiro.

    O que isso significa para quem planta milho

    Cada usina nova é demanda firme e local pelo grão. Em regiões onde o milho safrinha historicamente sofre com frete caro e preço deprimido na colheita — situação que o produtor está vivendo neste julho —, a usina na vizinhança cria um comprador permanente, reduz a dependência do porto e tende a estreitar a diferença entre o preço local e a referência CEPEA/B3. Além do etanol, as plantas geram DDG, farelo proteico que barateia a ração e fortalece a integração com pecuária de corte, leite e confinamento.

    Para o produtor, a leitura prática é dupla. Primeiro: antes de travar vendas longas de milho a preço deprimido, vale mapear os projetos anunciados na sua região — demanda nova chegando altera a conta do carrego. Segundo: a expansão dessas usinas movimenta o mercado de terras e de arrendamento no entorno, valorizando áreas bem posicionadas logisticamente. Quem pensa em comprar ou vender terra nessas regiões deve considerar esse vetor na precificação.

    O ciclo de investimento também dialoga com a agenda de descarbonização: etanol e DDG geram créditos no RenovaBio, e a demanda por biocombustível tende a crescer com o mandato de mistura e o combustível sustentável de aviação no horizonte. É mais um caso em que a pauta ambiental vira receita concreta na porteira.

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  • Crédito rural sustentável terá juro mínimo de 7,52% na safra 2026/27

    O crédito rural sustentável ficou mais barato a partir desta quarta-feira (15). O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em reunião extraordinária, as novas regras dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO) para a safra 2026/27 — e reservou as menores taxas de juros para quem investir em sustentabilidade. As condições valem de 15 de julho de 2026 a 30 de junho de 2027.

    Quanto custa o crédito rural sustentável em cada fundo

    Projetos de agricultura de baixo carbono, preservação ambiental, inovação tecnológica, geração de energia renovável para consumo próprio e ampliação da capacidade de armazenagem terão juros prefixados, já com bônus de adimplência, de 7,52% ao ano no FNE, 7,64% ao ano no FNO e 8,14% ao ano no FCO. Nas modalidades pós-fixadas, os encargos podem ficar ainda menores. São os encargos mais baixos entre todas as modalidades de crédito rural financiadas pelos fundos constitucionais.

    Para comparação: nas demais operações de investimento, as taxas prefixadas com bônus de adimplência variam de 7,65% a 12,45% ao ano no FNE e no FCO, e de 7,80% a 10,20% ao ano no FNO. Ou seja, o produtor que enquadra o projeto como sustentável pode pagar vários pontos percentuais a menos que o vizinho que financia investimento convencional.

    Nova faixa de enquadramento por faturamento

    A resolução também mudou a classificação dos produtores. A faixa única de receita bruta anual de até R$ 16 milhões foi dividida em duas: até R$ 4,8 milhões, e entre R$ 4,8 milhões e R$ 16 milhões. Na prática, produtores menores dentro do antigo grupão tendem a acessar condições mais adequadas ao seu porte — vale reconferir em qual faixa sua operação cai antes de negociar com o banco operador (Basa, BNB ou BB, conforme a região).

    O que o produtor deve fazer agora

    Quem tem investimento planejado no Norte, Nordeste ou Centro-Oeste — silo, energia solar, recuperação de pastagem, sistemas de baixo carbono — deve rodar as contas já com as novas taxas: a diferença de juros ao longo de um financiamento de 8 a 10 anos é relevante no fluxo de caixa. E o enquadramento como projeto sustentável não é automático: exige projeto técnico bem estruturado e, muitas vezes, regularização ambiental da propriedade em dia. É exatamente aí que a assessoria especializada paga o próprio custo — um projeto mal enquadrado deixa o desconto na mesa.

    O movimento do CMN confirma uma tendência que já apareceu no Plano Safra e nas linhas do BNDES: o dinheiro mais barato do crédito rural brasileiro está migrando para quem comprova prática sustentável. Produtor com CAR regularizado, passivo ambiental equacionado e projeto de baixo carbono documentado entra na fila da frente.

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  • Antimicrobianos: 14 entidades da pecuária reagem a exigência da UE

    O uso de antimicrobianos na pecuária virou o novo campo de disputa entre o Brasil e a União Europeia. Em nota oficial divulgada na sexta-feira (10), 14 entidades representativas da pecuária brasileira — entre elas ACRIMAT, FAMATO, ACRISSUL, Sociedade Rural Brasileira (SRB), ASSOCON, ABCZ e a Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável — se posicionaram contra a incorporação de exigências europeias à regulamentação nacional, o que imporia restrições a todo o rebanho do país, e não apenas à cadeia que exporta para a UE.

    O que a UE exige e por que a pecuária reagiu

    O bloco europeu pressiona para que a carne importada siga as mesmas regras internas da UE, que restringem o uso de antimicrobianos como melhoradores de desempenho e preventivos. A reação das entidades não é contra o controle — a nota defende explicitamente o uso responsável, com base técnica e científica —, mas contra o alcance da medida: transformar uma condição comercial de um único mercado em obrigação para toda a pecuária brasileira, inclusive para quem vende só no mercado interno ou para destinos com regras distintas.

    As entidades lembram que os antimicrobianos autorizados pelo Codex Alimentarius, referência reconhecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC), são ferramentas legítimas da produção moderna: contribuem para saúde e bem-estar animal, melhoram a conversão alimentar e o desempenho dos rebanhos. Restringi-los sem respaldo científico, argumentam, reduz a competitividade e pode até piorar a eficiência ambiental da atividade — mais tempo de ciclo significa mais emissão por quilo produzido.

    O precedente que preocupa mais que a regra

    O ponto mais sensível da nota está no precedente. Se uma exigência comercial europeia vira lei nacional hoje, amanhã condicionantes externas de natureza ambiental ou produtiva podem passar a moldar a política pública brasileira por fora do processo regulatório interno. Para as entidades, isso compromete a soberania regulatória, a segurança jurídica e atinge em cheio o pequeno produtor, que não exporta mas pagaria o custo da adequação.

    O que o pecuarista deve fazer agora

    Na prática, a tendência mundial é clara: mercados de alto valor vão exigir cada vez mais rastreabilidade e protocolos sanitários e ambientais diferenciados. A recomendação é tratar isso como decisão de negócio — quem mira exportação para a UE deve começar a organizar a documentação do manejo sanitário e a rastreabilidade do rebanho desde já; quem atende o mercado interno deve acompanhar a regulamentação para não ser pego por uma regra geral. Em ambos os casos, ter a propriedade ambientalmente regularizada é pré-requisito para acessar os mercados que pagam mais.

    A Senior Agroambiental acompanha as exigências regulatórias e ambientais que impactam a pecuária e apoia o produtor na regularização e no posicionamento da propriedade para os mercados mais exigentes.

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  • Exportação de frango tem melhor semestre da história; preço interno cede

    A exportação de frango do Brasil fechou junho com 482,8 mil toneladas embarcadas, alta de 40,6% sobre as 343,4 mil toneladas de junho de 2025, segundo a ABPA. A receita do mês alcançou US$ 985,5 milhões — 54,7% acima do mesmo período do ano passado. Com o resultado, o país encerrou o melhor primeiro semestre da história do setor, tanto em volume quanto em receita, que se aproximou de US$ 5,7 bilhões.

    Por que a comparação é tão alta

    Parte do salto percentual tem explicação técnica: junho de 2025 foi um mês de base deprimida, quando embargos comerciais impostos após o foco de influenza aviária registrado em maio daquele ano ainda travavam embarques para mercados relevantes. Ou seja, o crescimento de 40,6% combina demanda internacional firme com a normalização sanitária — e é essa leitura completa que o avicultor deve fazer, sem euforia com o número isolado.

    Exportação de frango forte, mercado interno fraco

    Enquanto o mercado externo puxa, o doméstico patina. Os preços da carne de frango recuaram em junho, refletindo vendas enfraquecidas principalmente na segunda quinzena, e o movimento seguiu no início de julho: no dia 3, frango congelado e resfriado eram negociados a R$ 7,20/kg no atacado do Estado de São Paulo, queda de 0,83% frente ao fechamento de junho. É o retrato clássico do inverno: consumo interno mais fraco enquanto a escala exportadora sustenta a produção.

    O que o avicultor deve fazer agora

    Três leituras práticas. Primeiro, o custo de ração joga a favor: o milho foi cotado em média a R$ 63,70/saca em junho (Cepea), queda de 6,6% em um ano — quem compra insumo no mercado spot tem janela para travar custo. Segundo, a rentabilidade do semestre tende a favorecer granjas integradas a plantas exportadoras; o produtor independente, mais exposto ao atacado interno, precisa de cautela ao ampliar alojamento no curto prazo. Terceiro, biosseguridade segue sendo o maior ativo do setor: foi a recuperação do status sanitário que reabriu os mercados — protocolos rigorosos na granja são o que protege essa receita recorde.

    Para quem produz frango e também busca diversificar receita na propriedade, a agenda ambiental abre caminhos concretos — do aproveitamento de dejetos para biometano à regularização que valoriza o imóvel rural.

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  • Exportação de algodão bate recorde e Brasil fecha ciclo como líder mundial

    O Brasil encerrou o ciclo comercial 2025/26 do algodão (julho de 2025 a junho de 2026) na liderança mundial das exportações, à frente dos Estados Unidos. A exportação de algodão fechou a temporada em nível recorde, com cerca de 3,3 milhões de toneladas embarcadas, segundo dados compilados pelo setor. Só em junho foram 217 mil toneladas — recorde para o mês — e o ciclo registrou recordes mensais em 7 dos 12 meses da temporada.

    Uma liderança construída na exportação de algodão

    O resultado coroa uma década de transformação da cotonicultura brasileira, concentrada principalmente em Mato Grosso e no oeste da Bahia. A safra 2025/26 deve entregar cerca de 3,9 milhões de toneladas de pluma, segundo a Abrapa — a segunda maior da história. O destino da fibra confirma a dependência da Ásia: em junho, Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã responderam juntos por 71,1% dos embarques brasileiros.

    O que isso muda para o produtor

    Para quem já produz grãos no Cerrado, o recado é direto: o algodão se consolidou como cultura de segunda safra com liquidez internacional real, e não apenas como aposta de nicho. A demanda asiática firme e a posição de maior exportador mundial dão ao produtor brasileiro um canal de escoamento que reduz a dependência do mercado interno — mas a cultura segue exigente em capital, tecnologia e escala, e não perdoa erro de manejo.

    Há dois pontos de atenção no radar. Primeiro, a Conab divulga em 17 de julho a primeira Intenção de Plantio 2026/27, incluindo algodão — o dado vai indicar se a área seguirá crescendo e pressionando margens futuras. Segundo, os mercados compradores mais exigentes (e os que pagam melhor) cobram cada vez mais rastreabilidade e certificação socioambiental, como os programas SouABR e Better Cotton, que já cobrem a maior parte da pluma nacional.

    Conformidade ambiental é bilhete de entrada

    É aqui que a agenda ambiental deixa de ser custo e vira acesso a mercado: CAR regular, reserva legal em dia e passivo ambiental equacionado são pré-requisitos práticos para certificar a produção e vender para as tradings que abastecem a Ásia e a Europa. O produtor que resolve sua regularização hoje entra no ciclo 2026/27 com a porta aberta para os prêmios de mercado — quem deixa para depois fica com o desconto.

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  • Relatório WASDE de julho: USDA corta estoque de milho e mantém soja

    O relatório WASDE de julho, divulgado pelo USDA na sexta-feira (10), trouxe um recado dividido para o mercado de grãos: os estoques finais de milho foram reduzidos, sinalizando oferta mais enxuta nos Estados Unidos, enquanto os estoques de soja da safra 2026/27 ficaram inalterados. Para o Brasil, o departamento americano manteve as projeções de safra recorde: 175 milhões de toneladas de soja e 131 milhões de toneladas de milho no ciclo 2026/27.

    O que o relatório WASDE mudou no milho

    O corte nos estoques americanos de milho foi o ajuste mais expressivo do relatório e deu sustentação aos preços: o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta de 3,16%. Oferta mais apertada nos EUA tende a dar suporte às cotações internacionais justamente no momento em que a colheita da safrinha brasileira avança e pressiona os preços internos — no Norte Central do Paraná, a saca era negociada na sexta em torno de R$ 68,00, enquanto no Norte mato-grossense o valor rondava R$ 40,00, segundo levantamentos regionais.

    Soja: sem gatilho de alta, exportação é o suporte

    Na soja, a manutenção dos estoques finais americanos tira do radar um gatilho imediato de alta. O sustento dos preços segue vindo do ritmo forte de embarques brasileiros e da demanda aquecida. A Conab, no 9º levantamento, estima a safra 2025/26 já colhida em 180,3 milhões de toneladas — e o próprio USDA projeta novo recorde para o ciclo seguinte. Em resumo: oferta global confortável, sem espaço para esperar grandes ralis.

    O que isso significa para a sua comercialização

    Para o produtor de milho, o suporte externo criado pelo corte de estoques nos EUA pode abrir janelas pontuais de venda mesmo com a safrinha recorde entrando no mercado. Vale acompanhar a paridade de exportação nos portos do Arco Norte e travar volumes quando o prêmio compensar — esperar o fundo do mercado com 140 milhões de toneladas colhidas no país costuma ser aposta cara.

    No caso da soja, o cenário de estoques estáveis reforça a estratégia de vendas escalonadas: aproveitar os repiques de câmbio e de prêmio em vez de concentrar a venda numa única janela. E, com margens mais apertadas por causa dos custos de insumos ainda pressionados, cada real por saca faz diferença — planejamento comercial e financeiro deixou de ser luxo, é sobrevivência.

    Quem pensa além da safra atual deve olhar também para o ativo terra e para as receitas ambientais da propriedade, que não dependem do humor de Chicago. Diversificar a renda da fazenda é a proteção mais barata contra relatório de oferta e demanda.

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  • Pagamento por serviços ambientais sai do papel: o que o produtor precisa saber

    Cinco anos depois da Lei 14.119/2021, o pagamento por serviços ambientais (PSA) finalmente ganhou regulamentação federal. O Decreto 13.018/2026, publicado em junho, detalha a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA) e define o que pode ser remunerado: ações de conservação do solo, da água e da biodiversidade e de captura e retenção de carbono — incluindo o manejo sustentável de sistemas agrícolas, agroflorestais e agrossilvipastoris.

    Quais práticas entram no pagamento por serviços ambientais

    Na prática, o decreto reconhece como elegíveis práticas que boa parte dos produtores já adota, como o plantio direto e os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). A remuneração pode vir em dinheiro, mas também em melhorias de infraestrutura, bens, serviços e instrumentos financeiros como green bonds. O Ministério do Meio Ambiente passa a ser o órgão gestor da política.

    O ponto de atenção: só vale o que excede a obrigação legal

    O decreto prioriza o pagamento por ações que vão além do que a lei já exige — por exemplo, manter vegetação nativa além das áreas obrigatórias ou recuperar áreas degradadas fora de APPs e Reserva Legal. Entidades do setor, como o Sistema FAEP, criticam essa limitação: para elas, quem mantém Reserva Legal e protege APPs também presta serviço ambiental à sociedade e deveria poder ser remunerado por isso. É um debate que deve seguir aberto nas regulamentações estaduais e complementares.

    O que ainda falta definir

    O decreto é um avanço, mas não é o fim do caminho. Ainda dependem de normas complementares os subprogramas do Programa Federal de PSA (com público-alvo, critérios de seleção, modalidades de remuneração e monitoramento), o Cadastro Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (CNPSA) e os incentivos tributários. Ou seja: o produtor que protege uma nascente ou conserva o solo já teve o serviço reconhecido, mas ainda não tem o balcão onde solicitar o pagamento.

    O que fazer desde já

    Quem quer se posicionar para capturar essa receita futura deve começar pelo básico: manter o CAR atualizado e regularizado, documentar as práticas conservacionistas adotadas (plantio direto, ILPF, recuperação de pastagens, proteção de nascentes) e mapear as áreas de vegetação nativa excedente na propriedade. São exatamente esses ativos ambientais que valerão dinheiro quando os subprogramas saírem — e que já valem hoje no mercado voluntário de carbono. Antecipar a organização documental é a diferença entre entrar na primeira leva de pagamentos ou ficar olhando de fora.

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  • Déficit de armazenagem: safra recorde deixa 135 milhões de toneladas sem silo

    O Brasil caminha para colher a maior safra de grãos da sua história — cerca de 353 milhões de toneladas, segundo os levantamentos mais recentes — e esbarra em um problema antigo que nunca esteve tão exposto: o déficit de armazenagem. A capacidade estática nacional cobre apenas cerca de 62% desse volume, o que deixa aproximadamente 135 milhões de toneladas sem lugar adequado para serem guardadas, segundo dados divulgados pela ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

    Onde o déficit de armazenagem aperta mais

    A média nacional já é ruim, mas o quadro é pior justamente onde a produção mais cresce. Em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, considerando primeira e segunda safras, a capacidade de armazenagem fica próxima de 50% do que é colhido. A produção de grãos avançou em ritmo muito mais rápido do que a construção de silos e armazéns — e a colheita recorde do milho safrinha de 2026, somada à supersafra de soja, transformou o gargalo estrutural em problema imediato de logística e de preço.

    O que isso custa para o produtor

    Sem armazém, o produtor é empurrado para o pior cenário comercial: vender na pressão da colheita, quando a oferta é máxima e o preço tende a ser o menor do ciclo. O gargalo também alimenta filas nos armazéns de terceiros, eleva o custo do frete — que já subiu com o escoamento da safrinha — e aumenta as perdas pós-colheita por falta de estrutura adequada de secagem e conservação. Na prática, cada tonelada sem silo é margem que sai do bolso de quem produziu.

    O que o produtor pode fazer agora

    Três frentes merecem atenção. Primeiro, planejamento comercial: quem não tem armazém próprio precisa antecipar contratos de armazenagem e escalonar a venda para não concentrar tudo no pico da oferta. Segundo, investimento: as linhas do Plano Safra voltadas à construção e ampliação de armazéns (como o PCA) seguem sendo o principal caminho de financiamento — e a armazenagem própria costuma se pagar pela melhora do preço médio de venda e pela redução de frete no pico. Terceiro, informação: a ABIMAQ lançou um guia prático e gratuito de armazenagem eficiente, voltado a produtores e gestores do setor.

    O recado da supersafra de 2026 é claro: produzir mais deixou de ser o único desafio — guardar e vender bem virou parte central da rentabilidade. Quem tratar a armazenagem como investimento estratégico, e não como despesa, tende a capturar mais valor nas próximas safras.

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  • Exportação de carne bovina bate recorde em junho; cota da China acende alerta

    A exportação de carne bovina do Brasil registrou em junho o melhor resultado mensal da série histórica: 317,3 mil toneladas embarcadas de carne in natura, alta de 16,6% sobre as 272,2 mil toneladas de junho de 2025. A receita do mês chegou a US$ 1,975 bilhão, crescimento de 38,1% em um ano, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) compilados pelo setor.

    Exportação de carne bovina: os números do semestre

    No acumulado de janeiro a junho, o país embarcou 1,705 milhão de toneladas, volume 15,5% maior que no mesmo período do ano passado, com faturamento de US$ 9,85 bilhões — alta de 36,2% sobre os US$ 7,24 bilhões do primeiro semestre de 2025. É o melhor semestre da história da carne bovina brasileira, tanto em volume quanto em receita.

    China puxa o resultado, mas a cota está no fim

    A China segue como o grande motor: comprou 794,7 mil toneladas no semestre, movimentando US$ 4,87 bilhões. Só em junho foram 161,9 mil toneladas (+19%) e US$ 1,08 bilhão em receita (+39,5%). O detalhe que exige atenção é que esse ritmo acelerado aproxima o esgotamento da cota tarifária chinesa — e os volumes que entrarem fora da cota pagam tarifa adicional, o que tende a reduzir a margem do exportador e, na ponta, o apetite dos frigoríficos por boiadas no segundo semestre.

    O que isso significa para o pecuarista

    A demanda externa forte foi o que sustentou a arroba num junho de oferta elevada — o boi gordo encerrou o mês na casa de R$ 348/@ no indicador CEPEA/B3, pressionado, mas sem desabar. Se o fluxo para a China perder força com a cota esgotada, o suporte de preço enfraquece justamente na entressafra do pasto, quando o custo de manutenção sobe.

    A leitura prática: primeiro, quem tem boiada pronta deve acompanhar semanalmente o ritmo de embarques e o uso da cota chinesa — vender no embalo da demanda ainda aquecida pode ser melhor do que apostar em alta no fim do ano. Segundo, as escalas de abate dos frigoríficos seguem curtas, o que dá algum poder de negociação ao produtor no curtíssimo prazo. Terceiro, para quem tem volume, os contratos futuros de boi na B3 continuam sendo a ferramenta mais barata para travar margem antes de um segundo semestre com mais incerteza de demanda.

    O recorde é excelente notícia para a receita do setor — mas recorde de embarque não é garantia de preço firme adiante. O pecuarista que trata a venda como decisão de gestão, e não de torcida, chega ao fim do ano com margem defendida.

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  • Remoção de carbono a US$ 150/t: BECCS da FS abre nova fronteira no agro

    A remoção de carbono acaba de ganhar preço de referência no Brasil: a FS, produtora de etanol de milho, fechou as primeiras vendas de créditos gerados por seu projeto BECCS (bioenergia com captura e armazenamento de carbono) em Lucas do Rio Verde (MT) — em um dos contratos, a tonelada saiu a US$ 150. A empresa também firmou acordo de venda futura de 10 mil créditos com a Freepoint Commodities Europe. São as primeiras transações de remoção de carbono do país.

    O que é o BECCS e por que ele importa

    No BECCS, o CO₂ biogênico liberado na fermentação do etanol é capturado e injetado em formação geológica profunda, saindo da atmosfera em definitivo. O projeto da FS já tem aprovação da ANP para o piloto e licença prévia da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso, com meta de iniciar a injeção ainda em julho de 2026. A capacidade demonstrada é de 423 mil toneladas de CO₂ por ano — cerca de 12 milhões de toneladas ao longo de 30 anos.

    Por que a remoção de carbono paga tão mais caro

    A comparação com o mercado tradicional explica o interesse: enquanto portfólios de créditos voluntários de conservação (REDD+ e similares) negociam tipicamente entre R$ 35 e R$ 80 por tonelada no Brasil, a remoção permanente com medição robusta alcançou US$ 150 — mais de dez vezes mais. Depois dos escândalos de créditos fantasma e dupla contagem que abalaram o mercado voluntário, o comprador corporativo passou a pagar prêmio por integridade: permanência comprovada, MRV (mensuração, reporte e verificação) forte e lastro físico verificável.

    O que o produtor rural tem a ver com isso

    O sinal de preço vale para todo o agro. Projetos de carbono ligados à produção — recuperação de pastagem degradada, plantio direto, carbono no solo, restauração florestal — valem mais quanto mais perto estiverem do padrão “remoção verificável”. Com a regulamentação do mercado regulado brasileiro (SBCE) prevista para ser concluída até dezembro de 2026, quem tiver documentação fundiária e ambiental em ordem, linha de base bem medida e monitoramento sério vai acessar os contratos que pagam de verdade; quem improvisar vai disputar a faixa de R$ 35.

    A leitura prática: antes de assinar qualquer contrato de carbono, o produtor deve exigir clareza sobre metodologia, permanência e quem paga a verificação — e tratar o projeto como ativo de longo prazo da fazenda, não como renda avulsa. O exemplo da FS mostra que o mercado premia quem estrutura bem.

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