BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Categoria: Pecuária

Informações sobre o setor pecuário nacional

  • Antimicrobianos: 14 entidades da pecuária reagem a exigência da UE

    O uso de antimicrobianos na pecuária virou o novo campo de disputa entre o Brasil e a União Europeia. Em nota oficial divulgada na sexta-feira (10), 14 entidades representativas da pecuária brasileira — entre elas ACRIMAT, FAMATO, ACRISSUL, Sociedade Rural Brasileira (SRB), ASSOCON, ABCZ e a Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável — se posicionaram contra a incorporação de exigências europeias à regulamentação nacional, o que imporia restrições a todo o rebanho do país, e não apenas à cadeia que exporta para a UE.

    O que a UE exige e por que a pecuária reagiu

    O bloco europeu pressiona para que a carne importada siga as mesmas regras internas da UE, que restringem o uso de antimicrobianos como melhoradores de desempenho e preventivos. A reação das entidades não é contra o controle — a nota defende explicitamente o uso responsável, com base técnica e científica —, mas contra o alcance da medida: transformar uma condição comercial de um único mercado em obrigação para toda a pecuária brasileira, inclusive para quem vende só no mercado interno ou para destinos com regras distintas.

    As entidades lembram que os antimicrobianos autorizados pelo Codex Alimentarius, referência reconhecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC), são ferramentas legítimas da produção moderna: contribuem para saúde e bem-estar animal, melhoram a conversão alimentar e o desempenho dos rebanhos. Restringi-los sem respaldo científico, argumentam, reduz a competitividade e pode até piorar a eficiência ambiental da atividade — mais tempo de ciclo significa mais emissão por quilo produzido.

    O precedente que preocupa mais que a regra

    O ponto mais sensível da nota está no precedente. Se uma exigência comercial europeia vira lei nacional hoje, amanhã condicionantes externas de natureza ambiental ou produtiva podem passar a moldar a política pública brasileira por fora do processo regulatório interno. Para as entidades, isso compromete a soberania regulatória, a segurança jurídica e atinge em cheio o pequeno produtor, que não exporta mas pagaria o custo da adequação.

    O que o pecuarista deve fazer agora

    Na prática, a tendência mundial é clara: mercados de alto valor vão exigir cada vez mais rastreabilidade e protocolos sanitários e ambientais diferenciados. A recomendação é tratar isso como decisão de negócio — quem mira exportação para a UE deve começar a organizar a documentação do manejo sanitário e a rastreabilidade do rebanho desde já; quem atende o mercado interno deve acompanhar a regulamentação para não ser pego por uma regra geral. Em ambos os casos, ter a propriedade ambientalmente regularizada é pré-requisito para acessar os mercados que pagam mais.

    A Senior Agroambiental acompanha as exigências regulatórias e ambientais que impactam a pecuária e apoia o produtor na regularização e no posicionamento da propriedade para os mercados mais exigentes.

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  • Exportação de frango tem melhor semestre da história; preço interno cede

    A exportação de frango do Brasil fechou junho com 482,8 mil toneladas embarcadas, alta de 40,6% sobre as 343,4 mil toneladas de junho de 2025, segundo a ABPA. A receita do mês alcançou US$ 985,5 milhões — 54,7% acima do mesmo período do ano passado. Com o resultado, o país encerrou o melhor primeiro semestre da história do setor, tanto em volume quanto em receita, que se aproximou de US$ 5,7 bilhões.

    Por que a comparação é tão alta

    Parte do salto percentual tem explicação técnica: junho de 2025 foi um mês de base deprimida, quando embargos comerciais impostos após o foco de influenza aviária registrado em maio daquele ano ainda travavam embarques para mercados relevantes. Ou seja, o crescimento de 40,6% combina demanda internacional firme com a normalização sanitária — e é essa leitura completa que o avicultor deve fazer, sem euforia com o número isolado.

    Exportação de frango forte, mercado interno fraco

    Enquanto o mercado externo puxa, o doméstico patina. Os preços da carne de frango recuaram em junho, refletindo vendas enfraquecidas principalmente na segunda quinzena, e o movimento seguiu no início de julho: no dia 3, frango congelado e resfriado eram negociados a R$ 7,20/kg no atacado do Estado de São Paulo, queda de 0,83% frente ao fechamento de junho. É o retrato clássico do inverno: consumo interno mais fraco enquanto a escala exportadora sustenta a produção.

    O que o avicultor deve fazer agora

    Três leituras práticas. Primeiro, o custo de ração joga a favor: o milho foi cotado em média a R$ 63,70/saca em junho (Cepea), queda de 6,6% em um ano — quem compra insumo no mercado spot tem janela para travar custo. Segundo, a rentabilidade do semestre tende a favorecer granjas integradas a plantas exportadoras; o produtor independente, mais exposto ao atacado interno, precisa de cautela ao ampliar alojamento no curto prazo. Terceiro, biosseguridade segue sendo o maior ativo do setor: foi a recuperação do status sanitário que reabriu os mercados — protocolos rigorosos na granja são o que protege essa receita recorde.

    Para quem produz frango e também busca diversificar receita na propriedade, a agenda ambiental abre caminhos concretos — do aproveitamento de dejetos para biometano à regularização que valoriza o imóvel rural.

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  • Exportação de carne bovina bate recorde em junho; cota da China acende alerta

    A exportação de carne bovina do Brasil registrou em junho o melhor resultado mensal da série histórica: 317,3 mil toneladas embarcadas de carne in natura, alta de 16,6% sobre as 272,2 mil toneladas de junho de 2025. A receita do mês chegou a US$ 1,975 bilhão, crescimento de 38,1% em um ano, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) compilados pelo setor.

    Exportação de carne bovina: os números do semestre

    No acumulado de janeiro a junho, o país embarcou 1,705 milhão de toneladas, volume 15,5% maior que no mesmo período do ano passado, com faturamento de US$ 9,85 bilhões — alta de 36,2% sobre os US$ 7,24 bilhões do primeiro semestre de 2025. É o melhor semestre da história da carne bovina brasileira, tanto em volume quanto em receita.

    China puxa o resultado, mas a cota está no fim

    A China segue como o grande motor: comprou 794,7 mil toneladas no semestre, movimentando US$ 4,87 bilhões. Só em junho foram 161,9 mil toneladas (+19%) e US$ 1,08 bilhão em receita (+39,5%). O detalhe que exige atenção é que esse ritmo acelerado aproxima o esgotamento da cota tarifária chinesa — e os volumes que entrarem fora da cota pagam tarifa adicional, o que tende a reduzir a margem do exportador e, na ponta, o apetite dos frigoríficos por boiadas no segundo semestre.

    O que isso significa para o pecuarista

    A demanda externa forte foi o que sustentou a arroba num junho de oferta elevada — o boi gordo encerrou o mês na casa de R$ 348/@ no indicador CEPEA/B3, pressionado, mas sem desabar. Se o fluxo para a China perder força com a cota esgotada, o suporte de preço enfraquece justamente na entressafra do pasto, quando o custo de manutenção sobe.

    A leitura prática: primeiro, quem tem boiada pronta deve acompanhar semanalmente o ritmo de embarques e o uso da cota chinesa — vender no embalo da demanda ainda aquecida pode ser melhor do que apostar em alta no fim do ano. Segundo, as escalas de abate dos frigoríficos seguem curtas, o que dá algum poder de negociação ao produtor no curtíssimo prazo. Terceiro, para quem tem volume, os contratos futuros de boi na B3 continuam sendo a ferramenta mais barata para travar margem antes de um segundo semestre com mais incerteza de demanda.

    O recorde é excelente notícia para a receita do setor — mas recorde de embarque não é garantia de preço firme adiante. O pecuarista que trata a venda como decisão de gestão, e não de torcida, chega ao fim do ano com margem defendida.

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  • Preço do suíno vivo cai 40% em 2026: o que a produção recorde muda na conta

    O preço do suíno vivo acumula queda de mais de 40% em 2026 frente ao valor que encerrou 2025, segundo o indicador CEPEA, cotado entre R$ 5,20 e R$ 5,30 por quilo em São Paulo. É o movimento mais duro do ano entre as proteínas: no mesmo período, o frango congelado no atacado paulista recuou 10,5% e o boi gordo seguiu sustentado pela oferta restrita de bovinos.

    Preço do suíno cai no campo, mas não na gôndola

    Um dado incomoda o suinocultor: enquanto o animal vivo desvalorizou cerca de 40% no campo, a carne no varejo caiu apenas cerca de 4%. A diferença ficou na intermediação — frigoríficos e varejo recompuseram margem em cima da oferta abundante. Para o produtor independente, isso significa vender barato um animal cujo custo de produção não caiu na mesma proporção.

    Produção recorde é a raiz da pressão

    A causa central da queda não é falta de demanda, e sim excesso de oferta: a produção brasileira de carne suína deve bater novo recorde histórico em 2026, superando em mais de 4% o volume de 2025 e alcançando cerca de 5,88 milhões de toneladas. As exportações seguem fortes — os embarques de carne suína cresceram mais de 26% na comparação anual no início do ano, e os de aves, mais de 32% — mas o mercado externo não tem absorvido todo o crescimento da produção, e o excedente pressiona o mercado interno.

    O que o suinocultor deve fazer agora

    Primeiro, olhar o custo de ração: milho na casa de R$ 65 por saca e farelo de soja com oferta ampla são o alívio deste ciclo — quem trava o custo do insumo agora protege a margem mesmo com o suíno barato. Segundo, revisar a escala de abate e evitar segurar animais além do peso ótimo: em mercado ofertado, quilo extra vira prejuízo. Terceiro, acompanhar o ciclo — quedas dessa magnitude historicamente antecedem ajuste de alojamento e recuperação de preço; quem tem fôlego financeiro para atravessar o vale tende a capturar a virada.

    Para granjas integradas, o momento é de renegociar contratos com atenção aos indexadores. Para independentes, diversificação de canal (venda direta, cortes especiais, mercado institucional) reduz a dependência do preço spot. E, em qualquer cenário, eficiência ambiental — manejo de dejetos, biogás, licenciamento em dia — deixou de ser custo e virou ativo: reduz risco regulatório e pode gerar receita extra num mercado de carbono em estruturação.

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  • Tilápia: Brasil importa mais do que exporta e setor teme nova regra ambiental

    Tilápia: Brasil importa mais do que exporta e setor teme nova regra ambiental

    Um marco negativo para a piscicultura

    A tilápia, carro-chefe da piscicultura brasileira, acaba de registrar um marco que acendeu o alerta no setor: pela primeira vez, o Brasil importou mais tilápia do que exportou. No primeiro trimestre de 2026, as exportações do peixe somaram cerca de US$ 10,2 milhões — queda de aproximadamente 40% na comparação anual —, enquanto cresce a entrada do produto vietnamita no mercado nacional.

    Por que isso importa

    A tilápia responde por cerca de 70% da produção aquícola nacional e por 94% das exportações brasileiras de pescado de cultivo. O Brasil é o 4º maior produtor mundial da espécie, e os Estados Unidos absorvem entre 78% e 87% dos embarques — concentração que deixa o setor vulnerável a qualquer turbulência comercial com um único cliente. O paradoxo é que o mercado interno vive um bom momento: o consumo de peixes de cultivo cresceu no primeiro semestre de 2026, com a tilápia mantendo-se como o pescado mais consumido pelos brasileiros.

    O risco regulatório no radar

    Além da concorrência externa, o produtor acompanha uma discussão com potencial de mudar as regras do jogo: tramita entre CONABIO, Ibama e Ministério do Meio Ambiente uma proposta para enquadrar a tilápia como espécie exótica invasora. Se confirmada, a classificação pode trazer restrições ao crescimento da atividade e dificuldades adicionais de produção, comercialização e exportação — num setor que já opera com margens pressionadas.

    O que o piscicultor deve fazer agora

    Três movimentos práticos: primeiro, colocar a casa em ordem no licenciamento ambiental da atividade — outorga de uso da água, licença de operação e cadastro da aquicultura em dia são a melhor defesa diante de qualquer endurecimento regulatório. Segundo, aproveitar o mercado interno aquecido para reduzir a dependência da exportação concentrada nos EUA. Terceiro, acompanhar de perto a discussão na CONABIO por meio das associações do setor: a experiência mostra que quem participa cedo do debate regulatório sofre menos com a regra final.

    Regularização deixou de ser burocracia

    O recado da semana vale para toda a produção animal: sanidade, rastreabilidade e conformidade ambiental viraram condição de acesso a mercado — na tilápia, na carne bovina e no frango. Quem trata a regularização como investimento, e não como custo, chega na frente quando a regra muda.

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  • Preço do leite reage a R$ 2,66/litro, mas custo ainda trava a margem

    Preço do leite reage a R$ 2,66/litro, mas custo ainda trava a margem

    O preço do leite ao produtor virou o jogo em 2026. Depois de nove meses consecutivos de queda ao longo de 2025, o indicador do Cepea reagiu já no início do ano e acelerou na sequência: em março, com oferta limitada nas fazendas, a alta chegou a 10,5% em um único mês, e em abril a média nacional atingiu R$ 2,66 por litro. A recuperação é real — mas ainda não é sinônimo de margem no bolso de quem produz.

    Por que o preço do leite subiu

    O motor da alta é a oferta curta. A captação de leite cru vinha enfraquecida pela descapitalização do produtor em 2025 — em janeiro, mesmo com a primeira reação, o preço real ainda estava 26,9% abaixo do de um ano antes, descontada a inflação. Menos leite no mercado spot forçou as indústrias a disputar matéria-prima, e a entrada do inverno, período tradicional de entressafra nas principais bacias leiteiras, mantém a oferta restrita e sustenta as cotações no curto prazo.

    O teto da alta: derivados fracos e custo alto

    O sinal amarelo vem da outra ponta da cadeia. Segundo o boletim do Cepea, os preços dos derivados subiram até a segunda quinzena de junho, mas depois devolveram os ganhos e voltaram aos níveis do início de maio, pressionados pelo consumo enfraquecido e pelos canais de distribuição. A margem da indústria nos produtos commoditizados — UHT, muçarela e leite em pó — segue apertada, o que limita a capacidade de repassar novas altas ao produtor. Do lado do custo, o milho valorizado ao longo do primeiro semestre encareceu o concentrado, comprimindo a margem de quem depende de dieta comprada.

    O que o produtor de leite deve fazer agora

    A leitura prática é dupla. Primeiro, aproveitar a janela de compra de insumos: a colheita da safrinha está pressionando o preço do milho para baixo, e travar a compra do grão para os próximos meses — no físico ou via contratos — pode reduzir o custo alimentar justamente enquanto o leite paga melhor. Segundo, usar a entressafra a favor: com oferta curta, o produtor com volume e qualidade tem mais poder de negociação com o laticínio do que terá na primavera, quando a captação tende a se recuperar e o mercado prevê retomada lenta, porém consistente, da produção.

    Margem em pecuária leiteira se constrói nos dois lados da conta: preço negociado e custo controlado. Quem trata a atividade com gestão — dieta planejada, escala de compra de insumos e contrato bem discutido — transforma um ciclo de preços favorável em resultado que permanece quando o ciclo virar.

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  • Boi gordo encerra junho a R$ 348/@: hora de travar preço na B3?

    O boi gordo encerrou junho de 2026 pressionado. O indicador do Cepea/Esalq recuou 3,2% entre o fim de maio e a parcial do dia 26, fechando o mês com média de R$ 348,6 por arroba. É, ao mesmo tempo, o maior valor nominal já registrado para um mês de junho — no ano, frente ao último preço de 2025, a arroba ainda acumula alta de 6,1% — e um sinal de que o curto prazo segue incerto para quem está com animais prontos no cocho ou no pasto.

    Boi gordo: por que o recorde nominal não anima o pecuarista

    Recorde no papel não é recorde no bolso. Dois fatores explicam a cautela. O primeiro é a exportação: o Brasil já atingiu o limite da cota de carne bovina sem tarifa adicional para a China, seu principal comprador, o que tira fôlego da demanda externa no curto prazo. O segundo é o custo de reposição. O preço da arroba do bezerro caiu pelo segundo mês seguido e atingiu o menor patamar de 2026 desde fevereiro, mas, a R$ 475,3/@ na parcial de junho, ainda está 16,2% acima de junho de 2025 — também recorde nominal para o período. Ou seja: o boi pronto perde força enquanto a reposição continua cara, e a margem do pecuarista fica espremida no meio.

    O que a B3 está dizendo sobre o segundo semestre

    O mercado futuro ajuda a enxergar a tendência. A B3 mantém cautela e precifica relativa estabilidade da arroba até setembro, com expectativa de recuperação apenas gradual nos contratos de outubro a dezembro. Mas a volatilidade é alta: o contrato de dezembro, que abriu a semana de 22 de junho cotado perto de R$ 360/@, encerrou poucos dias depois pouco acima de R$ 350/@. Esse vai e volta mostra que apostar só no “fim de ano melhor” sem estratégia é deixar o resultado da fazenda à mercê da especulação.

    O que o produtor deve fazer agora

    Estamos num ciclo pecuário de alta no longo prazo, mas o curto prazo está pressionado — e é exatamente nesse cenário que a gestão de risco separa quem protege a margem de quem só torce. Vale avaliar travar parte da produção via contratos futuros ou opções na B3 quando os preços de outubro a dezembro abrirem janelas acima do custo, escalonar vendas em vez de concentrar tudo num único momento, e revisar o custo de reposição antes de recompor o rebanho a qualquer preço. Mais do que adivinhar o topo, o objetivo é garantir que cada arroba vendida cubra o custo e ainda deixe resultado.

    Decisão de venda e de reposição é decisão financeira — e, num ano de juro alto e margem apertada, o planejamento de fluxo de caixa vale tanto quanto o preço da arroba.

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  • Bezerro perde ágio para o boi e abre janela de reposição

    Bezerro perde ágio para o boi e abre janela de reposição

    O que mostram os números

    Na primeira metade de junho, o bezerro (CEPEA, Mato Grosso do Sul) foi cotado a R$ 3.398,80 por cabeça, queda de 0,6% frente ao fim de maio. Em arroba, o indicador ficou em R$ 480,40, recuo de pouco mais de 1% no mês. No mesmo período, o boi gordo se recuperou e caminha para o maior patamar nominal da história, na casa dos R$ 353 a arroba. O resultado: o ágio do bezerro frente ao boi gordo caiu ao menor nível mensal desde fevereiro.

    O que isso significa para o pecuarista

    O bezerro continua caro em termos históricos — a arroba de R$ 480,40 está 17,4% acima da média de junho de 2025 e supera o antigo recorde para o mês, de 2021. No acumulado do ano, a reposição sobe 10,8%. Ou seja: não é um preço “barato”, mas o movimento de junho muda a relação de troca a favor de quem engorda. Com o boi subindo mais rápido que o bezerro, cada arroba de boi gordo passa a comprar um pouco mais de reposição do que comprava na virada do ano.

    Para o criador, que vende bezerro, o recado é aproveitar patamares ainda elevados e travar boas vendas antes que a tendência de acomodação se aprofunde. Para o recriador e o engordador, a janela merece cálculo fino: comprar reposição agora, com o ágio menor, pode fazer sentido se o preço futuro do boi sustentar a margem na hora do abate.

    Decisão é de gestão, não de palpite

    A conta que importa não é só o preço do bezerro hoje, mas a relação entre o custo de reposição, o custo de engorda (pasto, suplementação, milho) e o preço esperado do boi no fim do ciclo. Em um ano de margens apertadas, quem planeja a compra com base em projeção de fluxo de caixa — e não na euforia do mercado — tende a capturar a janela sem se expor demais. Monitorar a evolução do ágio nas próximas semanas é parte essencial dessa decisão. Vale também acompanhar a oferta de pasto e o custo do milho nos próximos meses: em um inverno seco, a engorda fica mais cara e pode anular o ganho obtido na compra do bezerro mais barato. Travar parte da produção em mercado futuro é uma forma de proteger essa margem.

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  • Frango: exportação dispara 32% e preço sobe — a vez da avicultura

    Frango: exportação dispara 32% e preço sobe — a vez da avicultura

    O que aconteceu

    A avicultura brasileira vive um de seus melhores momentos. Em maio de 2026, os embarques de carne de frango chegaram a 442 mil toneladas, alta de 32% na comparação anual. O preço acompanhou: nos primeiros dias úteis de junho, a tonelada exportada saiu a uma média de US$ 1.992,1, valorização de cerca de 11% frente a junho de 2025. Santa Catarina, principal polo exportador, já superou a marca de US$ 2 bilhões em exportações de carnes no acumulado de 2026 — recorde histórico para o estado.

    Por que o frango está em alta

    A explicação combina demanda externa aquecida e oferta concorrente limitada. Surtos de gripe aviária em outros grandes produtores reduziram a disponibilidade global, e o Brasil — que recuperou rapidamente seu status sanitário e mantém custo competitivo — ocupou o espaço aberto. Pesquisadores do Cepea projetam que a avicultura nacional siga em trajetória de crescimento em 2026, com alta de 2,4% nos embarques e produção estimada em 14,73 milhões de toneladas. No mercado interno, o excesso de oferta chegou a pressionar os preços no início do ano, mas a força das exportações vem sustentando a rentabilidade do setor.

    O detalhe que muda a conta: milho barato

    Para quem produz, há um segundo fator decisivo a favor da margem: o milho — que responde pela maior fatia do custo da ração — está no menor patamar em meses, com o Indicador ESALQ/B3 rondando R$ 65 a saca diante do avanço da colheita da segunda safra. Frango valorizado na ponta de venda e grão barato na ponta de custo desenham uma relação de troca rara para o avicultor. É o tipo de janela em que vale revisar dietas, planejar lotes e travar custo de reposição de insumo enquanto o cenário favorece.

    O que o produtor deve fazer agora

    Aproveitar o momento exige método. Para o produtor integrado, é hora de alinhar com a agroindústria a programação de lotes e capturar o ganho de eficiência que o milho barato oferece. Para o independente, vale travar preço de grão e negociar contratos de fornecimento com previsibilidade. Em todos os casos, biosseguridade não é despesa, é seguro: o próprio Cepea mantém o risco sanitário no radar, e um único foco mal contido pode fechar mercados inteiros da noite para o dia. Reforçar manejo, controle de acesso e protocolos sanitários protege exatamente a receita que está crescendo.

    Conformidade abre — ou fecha — mercados premium

    O acesso aos compradores que pagam mais depende cada vez menos só de preço e cada vez mais de comprovar regularidade. Granjas com licenciamento ambiental em dia, destinação correta de resíduos e documentação organizada entram em listas de fornecedores qualificados; as demais ficam de fora. Em um setor que cresce puxado pela exportação, transformar conformidade ambiental em ativo comercial é o que separa quem surfa o ciclo de quem apenas assiste.

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  • Carne suína: Brasil bate recorde em maio e firma 3º lugar mundial

    Carne suína: Brasil bate recorde em maio e firma 3º lugar mundial

    O que aconteceu

    A exportação brasileira de carne suína alcançou 129,4 mil toneladas em maio de 2026, o maior volume já registrado para o mês, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado supera em 9% o embarcado em maio de 2025 (118,8 mil toneladas), e a receita chegou a US$ 302,1 milhões, alta de 3,8% na mesma comparação. No acumulado de janeiro a maio, os embarques somaram 661,7 mil toneladas — crescimento de 13,1% sobre igual período do ano passado — e a receita avançou 11,9%, de US$ 1,382 bilhão para US$ 1,546 bilhão. Com 1,51 milhão de toneladas exportadas em 2025, o Brasil confirmou oficialmente o posto de terceiro maior exportador mundial, superando o Canadá.

    Por que isso importa para o produtor

    O recorde não é apenas estatística: ele sustenta a demanda interna por suínos e ajuda a firmar os preços pagos ao produtor num momento de custo favorável. O principal insumo da suinocultura é o milho, e o grão vem operando perto das mínimas do ano — o Indicador ESALQ/B3 rondou os R$ 65 por saca em junho, o menor patamar em meses. Ração mais barata combinada com exportação aquecida melhora a relação de troca de quem está no confinamento de suínos, abrindo uma janela de rentabilidade que nem sempre aparece junta.

    O risco que mora na concentração

    O ponto de atenção é a dependência de poucos destinos. As Filipinas seguem na liderança das compras, com 27,2 mil toneladas em maio, mas o volume recuou 3,8% frente ao ano anterior — lembrete de que mercado concentrado é mercado vulnerável. Decisões sanitárias ou comerciais de um único comprador podem virar o jogo da noite para o dia. Diversificar destinos e reforçar a sanidade do plantel são as melhores defesas; o status sanitário do Brasil é o ativo que abre (ou fecha) portas no mercado internacional.

    O que o produtor pode fazer agora

    Aproveitar a janela favorável de custo e demanda exige método, não improviso. Vale travar o custo da ração enquanto o milho está barato, revisar índices zootécnicos para extrair mais de cada quilo de ração e organizar a documentação sanitária e ambiental da granja. É justamente nesse último ponto que muitos produtores deixam valor na mesa: a regularização ambiental, o manejo correto de dejetos e a rastreabilidade deixaram de ser burocracia para virar condição de acesso aos mercados que pagam mais. Quem trata o licenciamento como ativo comercial chega mais preparado ao próximo ciclo.

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