O que aconteceu
O setor de proteína animal começou 2026 com fôlego. No primeiro trimestre, o IBGE registrou crescimento no abate das três principais cadeias na comparação com o mesmo período do ano anterior: bovinos +3,3%, suínos +5,5% e frangos +3,7%. A pecuária leiteira seguiu o mesmo ritmo, com a aquisição de matéria-prima por estabelecimentos sob inspeção chegando a 6,78 bilhões de litros, alta de 3,3% na base anual. Não é um movimento isolado de uma proteína — é a cadeia inteira girando mais rápido.
Por que isso importa para o produtor
Abate em alta significa indústria comprando, e indústria comprando significa demanda sustentando preço na ponta. O mercado externo ajuda a explicar o aquecimento: a ABPA projeta 2026 como um ano de recordes de produção, exportação e consumo para frango, suínos e ovos, depois de o setor ter atravessado o chamado “ano da gripe aviária” e uma onda de fusões e aquisições. Para quem cria, o recado é que a janela de comercialização está mais favorável do que no ciclo anterior.
Os riscos no radar
Demanda firme não elimina os riscos. A dependência do mercado chinês — que hoje puxa boa parte da carne bovina e suína — deixa o produtor exposto a salvaguardas e mudanças sanitárias do comprador. Na avicultura, qualquer novo foco de gripe aviária pode fechar mercados de um dia para o outro. E o custo de produção, puxado por grãos e energia, continua corroendo margem mesmo com volume em alta. Crescer no abate não é o mesmo que crescer no lucro.
O que o produtor deve fazer
O momento pede gestão fina, não euforia. Três frentes merecem atenção agora: reforçar a biosseguridade da propriedade para não perder acesso a mercados por questão sanitária; travar parte da comercialização em contratos que protejam a margem enquanto o preço está firme; e revisar o custo por arroba ou por quilo produzido, porque é nele que o ganho de demanda se transforma — ou não — em resultado. Produtor que entra nesse ciclo com a propriedade regularizada e os custos no controle aproveita a alta; quem entra no improviso vê o ganho evaporar no primeiro solavanco do mercado.
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