A primeira estimativa da safra 2026/27 de laranja no cinturão citrícola — São Paulo mais o Triângulo e o Sudoeste mineiros — aponta 255,2 milhões de caixas, segundo a PES/Fundecitrus. É um recuo de 12,9% frente às 292,94 milhões de caixas da temporada 2025/26 e fica 14,7% abaixo da média das dez últimas safras. Dois fatores explicam a queda: a bienalidade negativa, ciclo natural em que o pomar produz menos depois de um ano cheio, e o avanço do greening.
Greening: a doença que mudou a equação
O greening (HLB) já atinge mais da metade do cinturão. A incidência média de plantas com sintomas chegou a 47,6%, e a severidade da doença, a 22,7%. Não há cura: uma vez infectada, a planta perde produtividade e qualidade de fruto até ser erradicada. O controle exige manejo intensivo e contínuo — combate ao psilídeo transmissor, retirada rápida das plantas doentes, mudas sadias e replantio imediato. Tudo isso pesa no bolso.
Custo alto e margem no fio
O custo total ponderado de um pomar irrigado e adensado no norte paulista chegou a R$ 58.493 por hectare na safra 2026/27, alta de 8,3% sobre a temporada anterior. Para fechar a conta no cenário mais exigente, o citricultor precisa colher cerca de 1.000 caixas por hectare com preço próximo de R$ 53,50 a caixa. O problema é que o mercado físico rodou bem abaixo disso — R$ 31,20 a caixa em março — com estoques elevados de suco segurando a recuperação dos preços.
O que o produtor deve observar
Com oferta menor na próxima safra, há espaço para os preços reagirem ao longo do ciclo, mas a rentabilidade vai depender menos do preço e mais do controle de custo e do manejo do greening. Pomar bem cuidado, com incidência baixa de HLB e produtividade alta por hectare, é o que separa quem lucra de quem só cobre despesa. Quem pensa em entrar ou expandir na citricultura precisa colocar o custo do manejo da doença na planilha desde o primeiro dia — e avaliar a saúde fitossanitária do pomar antes de qualquer negócio de terra.
A citricultura segue sendo um negócio de margem estreita e gestão exigente. O dado da safra menor é apenas o pano de fundo; a decisão que importa é como cada produtor vai defender sua produtividade diante de uma doença que não recua.
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