BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Tag: safra 2026/27

  • Crédito rural sustentável terá juro mínimo de 7,52% na safra 2026/27

    O crédito rural sustentável ficou mais barato a partir desta quarta-feira (15). O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em reunião extraordinária, as novas regras dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO) para a safra 2026/27 — e reservou as menores taxas de juros para quem investir em sustentabilidade. As condições valem de 15 de julho de 2026 a 30 de junho de 2027.

    Quanto custa o crédito rural sustentável em cada fundo

    Projetos de agricultura de baixo carbono, preservação ambiental, inovação tecnológica, geração de energia renovável para consumo próprio e ampliação da capacidade de armazenagem terão juros prefixados, já com bônus de adimplência, de 7,52% ao ano no FNE, 7,64% ao ano no FNO e 8,14% ao ano no FCO. Nas modalidades pós-fixadas, os encargos podem ficar ainda menores. São os encargos mais baixos entre todas as modalidades de crédito rural financiadas pelos fundos constitucionais.

    Para comparação: nas demais operações de investimento, as taxas prefixadas com bônus de adimplência variam de 7,65% a 12,45% ao ano no FNE e no FCO, e de 7,80% a 10,20% ao ano no FNO. Ou seja, o produtor que enquadra o projeto como sustentável pode pagar vários pontos percentuais a menos que o vizinho que financia investimento convencional.

    Nova faixa de enquadramento por faturamento

    A resolução também mudou a classificação dos produtores. A faixa única de receita bruta anual de até R$ 16 milhões foi dividida em duas: até R$ 4,8 milhões, e entre R$ 4,8 milhões e R$ 16 milhões. Na prática, produtores menores dentro do antigo grupão tendem a acessar condições mais adequadas ao seu porte — vale reconferir em qual faixa sua operação cai antes de negociar com o banco operador (Basa, BNB ou BB, conforme a região).

    O que o produtor deve fazer agora

    Quem tem investimento planejado no Norte, Nordeste ou Centro-Oeste — silo, energia solar, recuperação de pastagem, sistemas de baixo carbono — deve rodar as contas já com as novas taxas: a diferença de juros ao longo de um financiamento de 8 a 10 anos é relevante no fluxo de caixa. E o enquadramento como projeto sustentável não é automático: exige projeto técnico bem estruturado e, muitas vezes, regularização ambiental da propriedade em dia. É exatamente aí que a assessoria especializada paga o próprio custo — um projeto mal enquadrado deixa o desconto na mesa.

    O movimento do CMN confirma uma tendência que já apareceu no Plano Safra e nas linhas do BNDES: o dinheiro mais barato do crédito rural brasileiro está migrando para quem comprova prática sustentável. Produtor com CAR regularizado, passivo ambiental equacionado e projeto de baixo carbono documentado entra na fila da frente.

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  • Laranja: safra cai 12,9% e greening aperta a conta do citricultor

    Laranja: safra cai 12,9% e greening aperta a conta do citricultor

    A primeira estimativa da safra 2026/27 de laranja no cinturão citrícola — São Paulo mais o Triângulo e o Sudoeste mineiros — aponta 255,2 milhões de caixas, segundo a PES/Fundecitrus. É um recuo de 12,9% frente às 292,94 milhões de caixas da temporada 2025/26 e fica 14,7% abaixo da média das dez últimas safras. Dois fatores explicam a queda: a bienalidade negativa, ciclo natural em que o pomar produz menos depois de um ano cheio, e o avanço do greening.

    Greening: a doença que mudou a equação

    O greening (HLB) já atinge mais da metade do cinturão. A incidência média de plantas com sintomas chegou a 47,6%, e a severidade da doença, a 22,7%. Não há cura: uma vez infectada, a planta perde produtividade e qualidade de fruto até ser erradicada. O controle exige manejo intensivo e contínuo — combate ao psilídeo transmissor, retirada rápida das plantas doentes, mudas sadias e replantio imediato. Tudo isso pesa no bolso.

    Custo alto e margem no fio

    O custo total ponderado de um pomar irrigado e adensado no norte paulista chegou a R$ 58.493 por hectare na safra 2026/27, alta de 8,3% sobre a temporada anterior. Para fechar a conta no cenário mais exigente, o citricultor precisa colher cerca de 1.000 caixas por hectare com preço próximo de R$ 53,50 a caixa. O problema é que o mercado físico rodou bem abaixo disso — R$ 31,20 a caixa em março — com estoques elevados de suco segurando a recuperação dos preços.

    O que o produtor deve observar

    Com oferta menor na próxima safra, há espaço para os preços reagirem ao longo do ciclo, mas a rentabilidade vai depender menos do preço e mais do controle de custo e do manejo do greening. Pomar bem cuidado, com incidência baixa de HLB e produtividade alta por hectare, é o que separa quem lucra de quem só cobre despesa. Quem pensa em entrar ou expandir na citricultura precisa colocar o custo do manejo da doença na planilha desde o primeiro dia — e avaliar a saúde fitossanitária do pomar antes de qualquer negócio de terra.

    A citricultura segue sendo um negócio de margem estreita e gestão exigente. O dado da safra menor é apenas o pano de fundo; a decisão que importa é como cada produtor vai defender sua produtividade diante de uma doença que não recua.

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  • Etanol de milho cresce 30% e abre nova demanda para o milho

    Etanol de milho cresce 30% e abre nova demanda para o milho

    A produção brasileira de etanol bateu recorde na safra 2025/26, chegando a cerca de 37,5 bilhões de litros, e o motor desse avanço não foi a cana: foi o milho. O etanol de milho cresceu 29,8% no período e já representa 27% de todo o etanol produzido no país, compensando a queda de quase 7% do etanol feito diretamente da cana. Para a safra 2026/27, a Conab projeta produção total de 40,69 bilhões de litros (alta de 8,5%) — novo recorde histórico — e a Datagro estima que o etanol de milho sozinho pode alcançar 13,2 bilhões de litros.

    Por que isso importa para quem planta milho

    O dado chega num momento delicado para o produtor de grãos. O milho renovou as mínimas de 2026 no fim de maio e segue pressionado pela colheita da safrinha, com cotações próximas ao piso. É justamente aí que o etanol entra como válvula de escape: o consumo de milho destinado à produção de biocombustível deve saltar de 24,3 milhões de toneladas em 2025 para cerca de 31,4 milhões de toneladas em 2026/27. São mais de 7 milhões de toneladas de demanda nova, doméstica e firme, que reduzem a dependência do produtor em relação à exportação e ao câmbio.

    O Centro-Oeste se mantém como principal polo do etanol de milho, mas o Nordeste vem ganhando espaço com a chegada de novas usinas. Esse avanço geográfico muda a equação logística: produtor que antes só tinha a porteira da exportação ou o consumo animal local passa a ter um comprador industrial por perto — o que tende a melhorar o preço pago na região e a reduzir o custo de frete embutido na conta.

    A oportunidade vai além do grão

    O etanol de milho não gera só combustível. Os coprodutos — o DDG (grão seco de destilaria) e o óleo de milho — viram ração de alto valor para confinamento e avicultura, abrindo uma fonte extra de renda para a pecuária integrada à lavoura. Para o produtor, vale avaliar contratos de entrega com usinas da região, a viabilidade de usar DDG no confinamento e o posicionamento da propriedade em relação aos novos polos industriais. Quem está perto da expansão das usinas tende a capturar prêmio de preço nos próximos anos.

    Há ainda a camada ambiental: como biocombustível, o etanol de milho está dentro do RenovaBio e da geração de CBIOs, conectando a decisão produtiva à pauta de descarbonização — um tema que pesa cada vez mais no valor da terra e no acesso a crédito. Avaliar a localização da propriedade frente a esses polos, a regularização ambiental e o potencial de geração de ativos de carbono é parte da estratégia de quem quer transformar a expansão do etanol em valorização real do patrimônio rural.

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  • Inadimplência no agro bate pico: o alerta dos recordes

    Inadimplência no agro bate pico: o alerta dos recordes

    O que aconteceu

    Os recordes do agro brasileiro em 2026 não são só de produção. De acordo com dados do Serasa Experian e do Banco Central, a inadimplência no campo atingiu um pico histórico. No terceiro trimestre de 2025, 8,3% da população rural estava com contas em atraso — alta de 0,9 ponto percentual em um ano. Entre produtores pessoa física, o índice de atrasos acima de 90 dias saltou para 7,3% em janeiro de 2026, ante 2,7% no mesmo período do ano anterior. O endividamento negativado da população rural acumulou R$ 54 bilhões no quarto trimestre de 2025. E os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 1.990 em 2025, alta de 56,4% sobre 2024 — sendo 853 deles feitos por pessoas físicas ligadas ao setor, um salto de 51%.

    Por que isso aconteceu

    O quadro é o reverso previsível de um ciclo difícil. Depois de anos de preços altos que estimularam investimento e expansão, o produtor entrou em 2024 e 2025 com a combinação mais dura possível: cotações de grãos em queda, custos de produção ainda elevados e juros no maior patamar em quase duas décadas — a Selic só começou a recuar este mês, para 14,25%. Dívidas contratadas para crescer nos anos bons, muitas em dólar ou atreladas ao CDI, passaram a pesar justamente quando a receita encolheu. Especialistas avaliam que o problema deve persistir ao longo de 2026, mas não caracteriza uma crise estrutural do agro — e sim um ajuste de quem se alavancou demais no topo do ciclo.

    O que muda para o produtor

    O efeito prático chega rápido: com a conta da inadimplência subindo, os bancos ficam mais seletivos, e o crédito tende a ficar mais caro e mais difícil para quem não tem o caixa organizado. Em outras palavras, o custo financeiro deixou de ser um detalhe e virou a variável central da safra 2026/27. Nesse ambiente, a diferença entre fechar o ano no azul ou no vermelho está menos no preço de venda — sobre o qual o produtor tem pouco controle — e mais na disciplina de gestão.

    O que fazer antes que vire problema

    A regra de ouro é não esperar o atraso. Renegociar dívida com o caixa ainda respirando é muito mais barato do que renegociar depois de inadimplir, quando o produtor perde poder de barganha. Vale mapear o fluxo de caixa mês a mês, separar dívida de custeio de dívida de investimento e usar ferramentas legais a favor: o Senado aprovou recentemente a renegociação de dívidas rurais, e linhas de alongamento podem aliviar o curto prazo. A recuperação judicial deve ser o último recurso, e nunca improvisada — quando mal planejada, fecha portas de crédito por anos.

    Patrimônio organizado é defesa

    Há um ponto que poucos enxergam no momento do aperto: a regularização da propriedade é também proteção financeira. Terra com documentação em ordem, CAR ativo e situação ambiental regularizada vale mais, serve de garantia de melhor qualidade e abre acesso a crédito mais barato. Em um cenário de bancos cautelosos, ter o ativo organizado é o que separa quem renegocia em boas condições de quem fica sem alternativa. Planejamento patrimonial e ambiental, nesse contexto, não é custo — é o seguro que sustenta o negócio no fundo do ciclo.

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  • Fertilizante em alta: o custo da safra 2026/27 já começou a subir

    Fertilizante em alta: o custo da safra 2026/27 já começou a subir

    O insumo voltou a pesar no bolso

    O principal item de custo da lavoura está caro de novo. O preço médio de importação da ureia pelo Brasil ficou em US$ 382,6 por tonelada (FOB) em março de 2026 — o maior patamar mensal desde maio de 2023 —, depois de US$ 395,3/t em janeiro, 16,3% acima de um ano antes. E o volume importado não recuou: em março o país trouxe 3,41 milhões de toneladas de fertilizantes, 30,3% mais que em março de 2025. No mercado futuro, os contratos mais próximos de ureia seguem cotados acima de US$ 400/t, sinalizando pressão de alta no curto prazo.

    Por que está subindo

    A combinação é conhecida e perigosa: o Brasil depende fortemente de fertilizante importado, a demanda interna entrou o ano aquecida e um componente geopolítico — conflitos e restrições no comércio global — voltou a apertar a oferta e a aumentar a volatilidade dos preços. O resultado aparece direto na planilha do produtor: o custo de produção da safra 2026/27 já sobe, em alguns insumos, na faixa de 5% a 12%. Para uma cultura como a soja, que vem de margens apertadas, cada ponto a mais no adubo come a rentabilidade.

    O que o produtor pode fazer agora

    Quem ainda não comprou o fertilizante da próxima safra precisa decidir entre antecipar a compra — travando preço diante do risco de alta — e esperar, apostando em janelas melhores. Não há resposta única, mas há método: conhecer o custo real por hectare, parcelar a compra para diluir o risco de timing, cotar com mais de um fornecedor e considerar travas via barter (troca de grão por insumo). Avaliar a análise de solo para não superdimensionar a adubação também evita gastar com o que a lavoura não vai converter em produtividade.

    Eficiência vira estratégia

    Em ano de insumo caro, eficiência deixa de ser detalhe e vira estratégia de sobrevivência da margem. Práticas que reduzem a dependência de fertilizante mineral — uso de bioinsumos, manejo de solo, rotação de culturas e sistemas integrados — ganham apelo não só ambiental, mas econômico. Planejar a safra com o custo na ponta do lápis, e não no improviso, é o que separa quem atravessa o ciclo de quem fica refém do preço do adubo.

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    📌 Leia também: Plano Safra 2026/27: o que esperar do crédito rural | Exportação de carne bovina salta 70% | Cotações agrícolas de maio 2026

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  • Soja 2026/27: área pode parar de crescer e margem fica mais apertada

    Soja 2026/27: área pode parar de crescer e margem fica mais apertada

    O fim do crescimento automático da área

    A soja brasileira vem de uma safra 2025/26 recorde, estimada pela Agroconsult em 184,7 milhões de toneladas, com área de 49,1 milhões de hectares e produtividade média de 62,7 sacas por hectare. Para 2026/27, porém, a consultoria projeta um cenário diferente do que o setor se acostumou: a área plantada deve ficar estável, e pode até recuar, em vez de manter a expansão contínua dos últimos anos. A confirmação do cenário-base depende de fatores externos, como a duração do conflito no Golfo Pérsico, que pressiona custos de fertilizantes e combustíveis.

    Por que o produtor sente o aperto

    O recado central é sobre margem, não sobre volume. Mesmo com produção recorde, o resultado financeiro da lavoura está mais estreito: custos de fertilizantes, defensivos, combustíveis e fretes em alta comprimem a rentabilidade, ao mesmo tempo em que o produtor convive com juros elevados e crédito mais difícil. A combinação de oferta global abundante — puxada pela própria expansão brasileira — e custos pressionados explica por que produzir mais nem sempre significa lucrar mais. Foi a forte demanda internacional que sustentou os preços internos no acumulado de janeiro a maio de 2026, período em que os embarques de soja bateram recorde histórico.

    O que muda na decisão de quem planta

    Num ambiente de margem apertada, a conta de cada hectare passa a exigir mais critério. Antes de simplesmente repetir a área do ano anterior, vale revisar o custo de produção real da propriedade, travar preços e câmbio em janelas favoráveis e avaliar com frieza o uso de tecnologia — cortes mal calculados em adubação ou manejo podem custar produtividade e anular qualquer economia. A gestão de crédito também ganha peso: estruturar o financiamento da safra com antecedência, dentro da capacidade de pagamento, evita decisões apressadas no momento do plantio.

    Terra e ativos como parte da estratégia

    Quando a margem operacional encolhe, a valorização e a boa gestão dos ativos da propriedade ganham importância na construção do resultado de longo prazo. Avaliar a aptidão das áreas, manter a regularização ambiental em dia e enxergar a terra como investimento — e não apenas como base produtiva — ajuda o produtor a atravessar ciclos de preço apertado sem comprometer o patrimônio.

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    📌 Leia também: Plano Safra 2026/27: o que esperar do crédito rural | Exportação de carne bovina salta 70% | Cotações agrícolas de maio 2026

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  • Café em safra recorde derruba o arábica: o que o produtor faz agora

    Café em safra recorde derruba o arábica: o que o produtor faz agora

    O que aconteceu

    O preço do café arábica entrou em junho de 2026 em forte pressão de baixa. Segundo o CEPEA/ESALQ, o Indicador do arábica tipo 6 fechou a média de maio em R$ 1.653,92 por saca de 60 kg — queda de 8,7% sobre abril (R$ 1.811,87) e o menor patamar médio desde outubro de 2024. No dia 1º de junho, o indicador recuou mais 2,85%, para R$ 1.555,67. O motivo é direto: o avanço da colheita 2026/27 e a expectativa de uma produção recorde derrubaram as cotações, depois de o arábica ter batido máximas históricas no início de 2025.

    Café arábica em queda — saca a R$ 1.653,92 em maio, menor desde 2024
    Arábica CEPEA fechou maio a R$ 1.653,92/saca, menor patamar desde 2024.

    Uma safra grande, mas com números em disputa

    As projeções confirmam o ciclo de alta da oferta, ainda que divirjam no tamanho. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta safra brasileira recorde de 71,9 milhões de sacas em 2026/27 — alta de 14% — com salto de cerca de 30% nas exportações, puxado pelo arábica em ano de bienalidade positiva. Já a Conab, em estimativa mais conservadora, prevê 66,7 milhões de sacas, crescimento de 17% e também recorde. Os dois números apontam para o mesmo lado: muito café entrando no mercado, o que tende a manter o preço sob pressão no curto prazo.

    Há um detalhe que trava parte do alívio para o produtor. Mesmo com volume alto, as exportações vêm emperrando pela diferença entre o preço pedido por cooperativas e produtores e o valor oferecido por compradores internacionais. Quem precisa de caixa acaba vendendo na baixa; quem tem fôlego segura o produto à espera de melhora — uma decisão que, sem planejamento, vira aposta.

    O que o cafeicultor deve fazer

    Em ano de preço comprimido, o resultado se decide menos na lavoura e mais na gestão. Três frentes pesam: conhecer o custo de produção por saca para não vender abaixo do break-even no desespero; usar instrumentos de proteção de preço (mercado futuro na B3, contratos a termo, opções) para travar margem em vez de torcer; e escalonar a venda ao longo do ano, evitando concentrar tudo no pico da colheita, quando a oferta é maior e o preço, menor. Para quem produz café de qualidade, investir em certificação e rastreabilidade ambiental abre acesso a nichos e a prêmios que independem do humor da bolsa.

    A leitura Senior

    Safra recorde é boa notícia para o país e dor de cabeça para o caixa de quem não se preparou. O cafeicultor que trata preço como variável a ser gerenciada — e não como sorte — atravessa o ciclo de baixa sem queimar patrimônio. Aqui entra também a dimensão ambiental: lavouras com manejo de solo, água e sombreamento bem feitos são mais resilientes ao clima e mais valorizadas no mercado de cafés sustentáveis e de baixo carbono. Em 2026, eficiência de custo e diferenciação ambiental são os dois pilares que separam o produtor que sobrevive ao preço baixo daquele que prospera apesar dele.

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  • La Niña agora, El Niño à vista: como blindar a safra 2026/27

    La Niña agora, El Niño à vista: como blindar a safra 2026/27

    Dois fenômenos no mesmo ciclo de planejamento

    O agro brasileiro vive uma transição climática rara dentro de um único horizonte de planejamento. Boa parte de 2026 segue sob influência da La Niña — resfriamento anormal das águas do Pacífico equatorial —, que tende a concentrar chuvas no Centro-Oeste e a reduzir as precipitações no Sul. Ao mesmo tempo, os principais modelos de previsão (NOAA, do centro europeu ECMWF e do Inmet) já convergem para a consolidação de um El Niño entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. Em outras palavras: quem planeja a safra 2026/27 precisa olhar para dois regimes climáticos opostos ao mesmo tempo.

    O que isso significa na lavoura

    A La Niña costuma cobrar o seu preço de forma desigual. No Centro-Oeste, principal polo de grãos do país, o risco não é a falta de chuva, mas a má distribuição dela ao longo do ciclo, com veranicos em momentos críticos de enchimento de grão. No Sul, o excesso hídrico pode atrapalhar plantio e colheita, enquanto o Nordeste e partes do Norte tendem a enfrentar estiagens mais severas. A virada para El Niño, por sua vez, embaralha a janela de plantio da safra seguinte e acende um alerta específico para a segunda safra de milho, historicamente a mais sensível à irregularidade de chuvas no fim do ciclo.

    Os números por trás do otimismo

    Apesar do quadro instável, as projeções de produção seguem positivas no agregado. O IBGE estima crescimento de 1,1% na safra de soja, que deve chegar a 167,7 milhões de toneladas, enquanto a Conab projeta uma safra total de grãos de 358 milhões de toneladas. O recado dos números, porém, é que a média nacional esconde riscos regionais relevantes: a mesma temporada que entrega recorde para uns pode trazer perdas pontuais e severas para quem está na ponta errada do mapa climático.

    O que o produtor deve fazer

    O planejamento da próxima safra não pode tratar o clima como variável de sorte. Escalonar datas de plantio, diversificar cultivares com diferentes ciclos e níveis de tolerância, revisar o manejo de solo para retenção de água e reforçar o monitoramento agrometeorológico da propriedade são medidas que reduzem a exposição tanto à La Niña quanto ao El Niño que se aproxima. Igualmente importante é avaliar instrumentos de proteção de renda, como seguro rural e travas de preço, antes que a volatilidade climática se transforme em volatilidade de mercado.

    Em um ciclo marcado por dois fenômenos opostos, a informação antecipada vira ativo produtivo. Decidir com base no calendário climático — e não apesar dele — é o que coloca o produtor um passo à frente da próxima virada.

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