A exportação de carne bovina do Brasil registrou em junho o melhor resultado mensal da série histórica: 317,3 mil toneladas embarcadas de carne in natura, alta de 16,6% sobre as 272,2 mil toneladas de junho de 2025. A receita do mês chegou a US$ 1,975 bilhão, crescimento de 38,1% em um ano, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) compilados pelo setor.
Exportação de carne bovina: os números do semestre
No acumulado de janeiro a junho, o país embarcou 1,705 milhão de toneladas, volume 15,5% maior que no mesmo período do ano passado, com faturamento de US$ 9,85 bilhões — alta de 36,2% sobre os US$ 7,24 bilhões do primeiro semestre de 2025. É o melhor semestre da história da carne bovina brasileira, tanto em volume quanto em receita.
China puxa o resultado, mas a cota está no fim
A China segue como o grande motor: comprou 794,7 mil toneladas no semestre, movimentando US$ 4,87 bilhões. Só em junho foram 161,9 mil toneladas (+19%) e US$ 1,08 bilhão em receita (+39,5%). O detalhe que exige atenção é que esse ritmo acelerado aproxima o esgotamento da cota tarifária chinesa — e os volumes que entrarem fora da cota pagam tarifa adicional, o que tende a reduzir a margem do exportador e, na ponta, o apetite dos frigoríficos por boiadas no segundo semestre.
O que isso significa para o pecuarista
A demanda externa forte foi o que sustentou a arroba num junho de oferta elevada — o boi gordo encerrou o mês na casa de R$ 348/@ no indicador CEPEA/B3, pressionado, mas sem desabar. Se o fluxo para a China perder força com a cota esgotada, o suporte de preço enfraquece justamente na entressafra do pasto, quando o custo de manutenção sobe.
A leitura prática: primeiro, quem tem boiada pronta deve acompanhar semanalmente o ritmo de embarques e o uso da cota chinesa — vender no embalo da demanda ainda aquecida pode ser melhor do que apostar em alta no fim do ano. Segundo, as escalas de abate dos frigoríficos seguem curtas, o que dá algum poder de negociação ao produtor no curtíssimo prazo. Terceiro, para quem tem volume, os contratos futuros de boi na B3 continuam sendo a ferramenta mais barata para travar margem antes de um segundo semestre com mais incerteza de demanda.
O recorde é excelente notícia para a receita do setor — mas recorde de embarque não é garantia de preço firme adiante. O pecuarista que trata a venda como decisão de gestão, e não de torcida, chega ao fim do ano com margem defendida.
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