BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Tag: etanol de milho

  • Etanol de milho atrai R$ 23 bilhões e cria nova demanda para o grão

    O etanol de milho virou o principal vetor de investimento industrial do agro brasileiro. Levantamentos divulgados nos últimos dias mostram 21 projetos de novas usinas, em construção ou planejamento, que somam cerca de R$ 23 bilhões — o suficiente para ampliar a capacidade de produção de etanol de milho em quase 50%, dos atuais 8,2 bilhões de litros para 12,1 bilhões de litros até 2027.

    Produção recorde e o papel do etanol de milho

    Segundo projeções da StoneX, o Brasil deve produzir 36,5 bilhões de litros de etanol no ciclo 2026/27 (abril a março), recorde histórico e crescimento de 7,9% sobre o período anterior. O detalhe importante está na composição: o etanol de cana deve crescer 4,4%, enquanto o de milho tende a avançar 17%. O Rabobank estima cerca de 3 bilhões de litros de capacidade adicional entrando em operação até o fim de 2026.

    A geografia do investimento também está mudando. As plantas se concentram em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, mas os novos projetos avançam para o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e para regiões canavieiras — a Jalles, por exemplo, estuda usina de milho integrada à unidade de cana para produzir também na entressafra, usando a mesma estrutura industrial o ano inteiro.

    O que isso significa para quem planta milho

    Cada usina nova é demanda firme e local pelo grão. Em regiões onde o milho safrinha historicamente sofre com frete caro e preço deprimido na colheita — situação que o produtor está vivendo neste julho —, a usina na vizinhança cria um comprador permanente, reduz a dependência do porto e tende a estreitar a diferença entre o preço local e a referência CEPEA/B3. Além do etanol, as plantas geram DDG, farelo proteico que barateia a ração e fortalece a integração com pecuária de corte, leite e confinamento.

    Para o produtor, a leitura prática é dupla. Primeiro: antes de travar vendas longas de milho a preço deprimido, vale mapear os projetos anunciados na sua região — demanda nova chegando altera a conta do carrego. Segundo: a expansão dessas usinas movimenta o mercado de terras e de arrendamento no entorno, valorizando áreas bem posicionadas logisticamente. Quem pensa em comprar ou vender terra nessas regiões deve considerar esse vetor na precificação.

    O ciclo de investimento também dialoga com a agenda de descarbonização: etanol e DDG geram créditos no RenovaBio, e a demanda por biocombustível tende a crescer com o mandato de mistura e o combustível sustentável de aviação no horizonte. É mais um caso em que a pauta ambiental vira receita concreta na porteira.

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  • Remoção de carbono a US$ 150/t: BECCS da FS abre nova fronteira no agro

    A remoção de carbono acaba de ganhar preço de referência no Brasil: a FS, produtora de etanol de milho, fechou as primeiras vendas de créditos gerados por seu projeto BECCS (bioenergia com captura e armazenamento de carbono) em Lucas do Rio Verde (MT) — em um dos contratos, a tonelada saiu a US$ 150. A empresa também firmou acordo de venda futura de 10 mil créditos com a Freepoint Commodities Europe. São as primeiras transações de remoção de carbono do país.

    O que é o BECCS e por que ele importa

    No BECCS, o CO₂ biogênico liberado na fermentação do etanol é capturado e injetado em formação geológica profunda, saindo da atmosfera em definitivo. O projeto da FS já tem aprovação da ANP para o piloto e licença prévia da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso, com meta de iniciar a injeção ainda em julho de 2026. A capacidade demonstrada é de 423 mil toneladas de CO₂ por ano — cerca de 12 milhões de toneladas ao longo de 30 anos.

    Por que a remoção de carbono paga tão mais caro

    A comparação com o mercado tradicional explica o interesse: enquanto portfólios de créditos voluntários de conservação (REDD+ e similares) negociam tipicamente entre R$ 35 e R$ 80 por tonelada no Brasil, a remoção permanente com medição robusta alcançou US$ 150 — mais de dez vezes mais. Depois dos escândalos de créditos fantasma e dupla contagem que abalaram o mercado voluntário, o comprador corporativo passou a pagar prêmio por integridade: permanência comprovada, MRV (mensuração, reporte e verificação) forte e lastro físico verificável.

    O que o produtor rural tem a ver com isso

    O sinal de preço vale para todo o agro. Projetos de carbono ligados à produção — recuperação de pastagem degradada, plantio direto, carbono no solo, restauração florestal — valem mais quanto mais perto estiverem do padrão “remoção verificável”. Com a regulamentação do mercado regulado brasileiro (SBCE) prevista para ser concluída até dezembro de 2026, quem tiver documentação fundiária e ambiental em ordem, linha de base bem medida e monitoramento sério vai acessar os contratos que pagam de verdade; quem improvisar vai disputar a faixa de R$ 35.

    A leitura prática: antes de assinar qualquer contrato de carbono, o produtor deve exigir clareza sobre metodologia, permanência e quem paga a verificação — e tratar o projeto como ativo de longo prazo da fazenda, não como renda avulsa. O exemplo da FS mostra que o mercado premia quem estrutura bem.

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  • Etanol de milho cresce 30% e abre nova demanda para o milho

    Etanol de milho cresce 30% e abre nova demanda para o milho

    A produção brasileira de etanol bateu recorde na safra 2025/26, chegando a cerca de 37,5 bilhões de litros, e o motor desse avanço não foi a cana: foi o milho. O etanol de milho cresceu 29,8% no período e já representa 27% de todo o etanol produzido no país, compensando a queda de quase 7% do etanol feito diretamente da cana. Para a safra 2026/27, a Conab projeta produção total de 40,69 bilhões de litros (alta de 8,5%) — novo recorde histórico — e a Datagro estima que o etanol de milho sozinho pode alcançar 13,2 bilhões de litros.

    Por que isso importa para quem planta milho

    O dado chega num momento delicado para o produtor de grãos. O milho renovou as mínimas de 2026 no fim de maio e segue pressionado pela colheita da safrinha, com cotações próximas ao piso. É justamente aí que o etanol entra como válvula de escape: o consumo de milho destinado à produção de biocombustível deve saltar de 24,3 milhões de toneladas em 2025 para cerca de 31,4 milhões de toneladas em 2026/27. São mais de 7 milhões de toneladas de demanda nova, doméstica e firme, que reduzem a dependência do produtor em relação à exportação e ao câmbio.

    O Centro-Oeste se mantém como principal polo do etanol de milho, mas o Nordeste vem ganhando espaço com a chegada de novas usinas. Esse avanço geográfico muda a equação logística: produtor que antes só tinha a porteira da exportação ou o consumo animal local passa a ter um comprador industrial por perto — o que tende a melhorar o preço pago na região e a reduzir o custo de frete embutido na conta.

    A oportunidade vai além do grão

    O etanol de milho não gera só combustível. Os coprodutos — o DDG (grão seco de destilaria) e o óleo de milho — viram ração de alto valor para confinamento e avicultura, abrindo uma fonte extra de renda para a pecuária integrada à lavoura. Para o produtor, vale avaliar contratos de entrega com usinas da região, a viabilidade de usar DDG no confinamento e o posicionamento da propriedade em relação aos novos polos industriais. Quem está perto da expansão das usinas tende a capturar prêmio de preço nos próximos anos.

    Há ainda a camada ambiental: como biocombustível, o etanol de milho está dentro do RenovaBio e da geração de CBIOs, conectando a decisão produtiva à pauta de descarbonização — um tema que pesa cada vez mais no valor da terra e no acesso a crédito. Avaliar a localização da propriedade frente a esses polos, a regularização ambiental e o potencial de geração de ativos de carbono é parte da estratégia de quem quer transformar a expansão do etanol em valorização real do patrimônio rural.

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  • Índia lança E85 e abre nova fronteira para o etanol brasileiro

    Índia lança E85 e abre nova fronteira para o etanol brasileiro

    A Índia lançou oficialmente, no dia 5 de junho, o E85 — combustível com 85% de etanol e 15% de gasolina. O anúncio foi feito pelo ministro do Petróleo, Hardeep Singh Puri, em um posto da Indian Oil Corp., em Nova Déli. O plano é agressivo: começar com cerca de 50 postos, chegar a 500 unidades ainda em 2026 e atingir aproximadamente 5 mil pontos de venda até 2027. O novo combustível custará cerca de 20 rúpias por litro a menos que a gasolina E20 — economia próxima de 20% para o consumidor.

    Por que isso importa para o produtor brasileiro

    A Índia é o terceiro maior consumidor e importador de petróleo do mundo e já elevou a mistura de etanol na gasolina de 2% para 20% em pouco mais de uma década. Hoje, o país tem capacidade instalada para produzir cerca de 19 bilhões de litros de etanol por ano, dos quais 11,5 bilhões já vão para o programa de mistura obrigatória. A conta é simples: se o E85 ganhar adesão, a demanda interna indiana pode superar a oferta — e o país precisará recorrer ao mercado internacional.

    Nesse cenário, o Brasil desponta como o candidato natural. O país produziu mais de 37 bilhões de litros de etanol em 2025 e tem estrutura consolidada tanto na cana quanto no etanol de milho, que cresce em ritmo acelerado no Centro-Oeste. Uma corrente de importação indiana firme criaria piso de demanda adicional para o biocombustível brasileiro justamente num momento em que o hidratado opera pressionado no mercado interno.

    O efeito dominó no açúcar

    Há um segundo canal de impacto, menos óbvio e igualmente relevante: o açúcar. Grande parte do etanol indiano vem da cana. Se mais cana indiana migrar para o etanol, sobra menos açúcar para exportação — e o Brasil, líder mundial na produção e exportação do adoçante, tende a ocupar esse espaço. Historicamente, esse movimento sustenta os preços internacionais, hoje pressionados pela oferta global elevada.

    O que o produtor deve fazer

    Para o produtor de cana e de milho, o recado é de planejamento, não de euforia. A expansão do E85 indiano será gradual — 50 a 100 postos em 2026 ainda é piloto — e a Índia tentará primeiro suprir a demanda com produção própria. Mas a direção é clara: a demanda global por etanol está crescendo de forma estrutural, com Índia e Brasil ampliando programas de mistura ao mesmo tempo. Quem está avaliando investimento em usinas de etanol de milho, expansão de canavial ou contratos de fornecimento de longo prazo deve incluir esse vetor na conta. E vale lembrar: biocombustível é também ativo ambiental — descarbonização e mercados de carbono caminham juntos com essa agenda.

    Projetos bem estruturados do ponto de vista ambiental e fundiário saem na frente quando a demanda aperta. Regularização, licenciamento e inteligência de mercado deixaram de ser burocracia: são condição de acesso aos melhores mercados.

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