O que aconteceu
O setor sucroenergético entrou em 2026 com o preço do açúcar em forte queda. Em maio, o açúcar cristal acumulou recuo de 30,75% frente ao mesmo mês de 2025, com média de R$ 95,22 por saca de 50 kg. No mercado externo, as exportações de açúcar VHP somaram 1,8 milhão de toneladas, queda de 10% no ano, e as cotações internacionais caíram mais de 20% na comparação anual. Diante disso, as usinas do Centro-Sul recalibraram a produção: a fatia destinada ao etanol subiu para 61,84% do mix da safra, contra 54,77% no ciclo anterior.
Por que o açúcar perdeu força
A pressão vem da oferta global cheia, com produtores relevantes colhendo bem e o mercado atento aos efeitos do El Niño sobre a próxima temporada. Quando o açúcar não remunera, a usina faz o que a economia manda: desloca a moagem para o produto que paga melhor — neste momento, o etanol. Essa flexibilidade é a grande força do parque sucroenergético brasileiro, capaz de girar a chave entre açúcar e álcool conforme o preço relativo. Para o canavial, porém, a virada tem consequências diretas no bolso.
O que muda para quem fornece cana
O fornecedor de cana é remunerado por modelos atrelados aos preços do açúcar e do etanol (caso do Consecana). Com o açúcar em baixa, o valor da tonelada de cana tende a sentir o impacto, mesmo com a usina priorizando o álcool. O recado prático é de gestão: conhecer o custo real de produção por hectare, acompanhar de perto a fórmula de remuneração e evitar decisões baseadas só no humor do mercado de curto prazo. Em ciclo de preço apertado, eficiência agrícola — produtividade do canavial, qualidade da matéria-prima e controle de custos de colheita e transporte — é o que protege a margem.
A oportunidade no outro lado da moeda
Etanol valorizado dentro do mix abre espaço para quem está posicionado na cadeia do combustível, e o cenário de longo prazo segue favorável: a demanda por bioenergia cresce, e o etanol ganha relevância na agenda de descarbonização. Vale ao produtor avaliar contratos, prazos de pagamento e janelas de comercialização com a usina parceira, em vez de apenas reagir ao preço spot. Planejamento de safra com o custo na ponta do lápis, e não no improviso, é o que diferencia quem atravessa a baixa de quem fica refém dela.
Bioenergia e o ativo ambiental
O canavial bem manejado é também um ativo ambiental. Práticas de baixo carbono, aproveitamento de subprodutos e regularização da propriedade agregam valor a uma cadeia cada vez mais cobrada por sustentabilidade — e podem abrir portas em mercados e financiamentos que premiam quem comprova boas práticas. Em um setor que vive de ciclos de preço, construir esse diferencial é estratégia, não custo.
A Senior Agroambiental atua há mais de 10 anos em crédito de carbono, compensação ambiental e investimentos em terras. Solicite um orçamento gratuito →

