BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Tag: boi gordo

  • Antimicrobianos: 14 entidades da pecuária reagem a exigência da UE

    O uso de antimicrobianos na pecuária virou o novo campo de disputa entre o Brasil e a União Europeia. Em nota oficial divulgada na sexta-feira (10), 14 entidades representativas da pecuária brasileira — entre elas ACRIMAT, FAMATO, ACRISSUL, Sociedade Rural Brasileira (SRB), ASSOCON, ABCZ e a Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável — se posicionaram contra a incorporação de exigências europeias à regulamentação nacional, o que imporia restrições a todo o rebanho do país, e não apenas à cadeia que exporta para a UE.

    O que a UE exige e por que a pecuária reagiu

    O bloco europeu pressiona para que a carne importada siga as mesmas regras internas da UE, que restringem o uso de antimicrobianos como melhoradores de desempenho e preventivos. A reação das entidades não é contra o controle — a nota defende explicitamente o uso responsável, com base técnica e científica —, mas contra o alcance da medida: transformar uma condição comercial de um único mercado em obrigação para toda a pecuária brasileira, inclusive para quem vende só no mercado interno ou para destinos com regras distintas.

    As entidades lembram que os antimicrobianos autorizados pelo Codex Alimentarius, referência reconhecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC), são ferramentas legítimas da produção moderna: contribuem para saúde e bem-estar animal, melhoram a conversão alimentar e o desempenho dos rebanhos. Restringi-los sem respaldo científico, argumentam, reduz a competitividade e pode até piorar a eficiência ambiental da atividade — mais tempo de ciclo significa mais emissão por quilo produzido.

    O precedente que preocupa mais que a regra

    O ponto mais sensível da nota está no precedente. Se uma exigência comercial europeia vira lei nacional hoje, amanhã condicionantes externas de natureza ambiental ou produtiva podem passar a moldar a política pública brasileira por fora do processo regulatório interno. Para as entidades, isso compromete a soberania regulatória, a segurança jurídica e atinge em cheio o pequeno produtor, que não exporta mas pagaria o custo da adequação.

    O que o pecuarista deve fazer agora

    Na prática, a tendência mundial é clara: mercados de alto valor vão exigir cada vez mais rastreabilidade e protocolos sanitários e ambientais diferenciados. A recomendação é tratar isso como decisão de negócio — quem mira exportação para a UE deve começar a organizar a documentação do manejo sanitário e a rastreabilidade do rebanho desde já; quem atende o mercado interno deve acompanhar a regulamentação para não ser pego por uma regra geral. Em ambos os casos, ter a propriedade ambientalmente regularizada é pré-requisito para acessar os mercados que pagam mais.

    A Senior Agroambiental acompanha as exigências regulatórias e ambientais que impactam a pecuária e apoia o produtor na regularização e no posicionamento da propriedade para os mercados mais exigentes.

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  • Exportação de carne bovina bate recorde em junho; cota da China acende alerta

    A exportação de carne bovina do Brasil registrou em junho o melhor resultado mensal da série histórica: 317,3 mil toneladas embarcadas de carne in natura, alta de 16,6% sobre as 272,2 mil toneladas de junho de 2025. A receita do mês chegou a US$ 1,975 bilhão, crescimento de 38,1% em um ano, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) compilados pelo setor.

    Exportação de carne bovina: os números do semestre

    No acumulado de janeiro a junho, o país embarcou 1,705 milhão de toneladas, volume 15,5% maior que no mesmo período do ano passado, com faturamento de US$ 9,85 bilhões — alta de 36,2% sobre os US$ 7,24 bilhões do primeiro semestre de 2025. É o melhor semestre da história da carne bovina brasileira, tanto em volume quanto em receita.

    China puxa o resultado, mas a cota está no fim

    A China segue como o grande motor: comprou 794,7 mil toneladas no semestre, movimentando US$ 4,87 bilhões. Só em junho foram 161,9 mil toneladas (+19%) e US$ 1,08 bilhão em receita (+39,5%). O detalhe que exige atenção é que esse ritmo acelerado aproxima o esgotamento da cota tarifária chinesa — e os volumes que entrarem fora da cota pagam tarifa adicional, o que tende a reduzir a margem do exportador e, na ponta, o apetite dos frigoríficos por boiadas no segundo semestre.

    O que isso significa para o pecuarista

    A demanda externa forte foi o que sustentou a arroba num junho de oferta elevada — o boi gordo encerrou o mês na casa de R$ 348/@ no indicador CEPEA/B3, pressionado, mas sem desabar. Se o fluxo para a China perder força com a cota esgotada, o suporte de preço enfraquece justamente na entressafra do pasto, quando o custo de manutenção sobe.

    A leitura prática: primeiro, quem tem boiada pronta deve acompanhar semanalmente o ritmo de embarques e o uso da cota chinesa — vender no embalo da demanda ainda aquecida pode ser melhor do que apostar em alta no fim do ano. Segundo, as escalas de abate dos frigoríficos seguem curtas, o que dá algum poder de negociação ao produtor no curtíssimo prazo. Terceiro, para quem tem volume, os contratos futuros de boi na B3 continuam sendo a ferramenta mais barata para travar margem antes de um segundo semestre com mais incerteza de demanda.

    O recorde é excelente notícia para a receita do setor — mas recorde de embarque não é garantia de preço firme adiante. O pecuarista que trata a venda como decisão de gestão, e não de torcida, chega ao fim do ano com margem defendida.

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  • Resumo da semana no agro: café dispara, soja avança e tarifa dos EUA no radar

    Resumo da semana no agro: café dispara, soja avança e tarifa dos EUA no radar

    Toda segunda-feira, a Senior reúne o que moveu o agro na semana anterior — com a leitura do que cada fato significa para a decisão de quem está no campo.

    Grãos

    A soja subiu 3,33% no interior do Paraná, com a saca de 60 kg passando de R$ 128,41 para R$ 132,69 (Cepea), sustentada pelo ritmo forte de embarques: nos três primeiros dias úteis de julho o Brasil exportou 1,507 milhão de toneladas, com preço médio 7,5% maior que o de julho de 2025 e receita de US$ 661,2 milhões (Secex). O milho seguiu pressionado, a R$ 64,37/sc (Cepea), com a colheita da safrinha em Mato Grosso atingindo 60% da área. Na sexta (10), o relatório WASDE do USDA cortou as safras de milho e soja dos EUA e reduziu os estoques globais de trigo para 272,84 milhões de toneladas — suporte para os preços internacionais.

    Pecuária

    O boi gordo devolveu parte dos ganhos de junho: o indicador Cepea/B3 fechou a sexta a R$ 326,65/@, queda de 0,97% na semana e de 2,90% na parcial de julho. No campo político-sanitário, 14 entidades da pecuária divulgaram nota conjunta contra a adoção das exigências da União Europeia sobre antimicrobianos, enquanto o governo negocia para evitar a suspensão das importações de carne bovina e de frango pela UE a partir de 3 de setembro.

    Exportações & mercado

    A balança comercial da primeira semana de julho somou US$ 5,89 bilhões em exportações (+40,6% sobre julho/2025), com superávit de US$ 2,27 bilhões. O destaque de preços foi o café: o arábica disparou 7,74% na semana, a R$ 1.762,83/sc (Cepea), e o robusta subiu 3,64%, a R$ 1.109,55/sc.

    Política & crédito

    O governo publicou o Decreto 13.018, que regulamenta o pagamento por serviços ambientais (PSA) — nova fonte potencial de renda para quem preserva. E segue a contagem regressiva para 15 de julho, prazo da tarifa americana de 25% sobre produtos brasileiros. O dólar abriu a semana a R$ 5,11.

    Clima

    O Centro de Previsão Climática dos EUA elevou para 81% a chance de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro — potencialmente entre os maiores desde 1950, com chuva acima da média no Centro-Sul e seca no Norte/Nordeste na safra 2026/27.

    O que fica para o produtor

    1) Soja: a janela segue aberta. Prêmio de exportação e dólar acima de R$ 5,10 favorecem travar parte da produção — quem esperou até aqui foi premiado, mas o WASDE mostrou Brasil recordista, e oferta grande limita o teto.

    2) Boi: julho já cai 2,9%. Com escalas confortáveis e China mais lenta, proteger preço na B3 para o segundo semestre voltou a ser decisão de gestão, não de opinião.

    3) Tarifa dos EUA decide a semana. Exportador de carne, café e suco deve definir cenários antes de 15/07 — e quem preserva deve olhar o PSA: preservação começa a virar receita.

    Agenda da semana

    Segunda (13): Boletim Focus, balança parcial do MDIC e condições de lavouras dos EUA (USDA). Terça (15): prazo da tarifa americana de 25%. Na semana: estimativa de safra de grãos 2025/26 da Conab e estimativa da safra de trigo 2026.

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  • Boi gordo encerra junho a R$ 348/@: hora de travar preço na B3?

    O boi gordo encerrou junho de 2026 pressionado. O indicador do Cepea/Esalq recuou 3,2% entre o fim de maio e a parcial do dia 26, fechando o mês com média de R$ 348,6 por arroba. É, ao mesmo tempo, o maior valor nominal já registrado para um mês de junho — no ano, frente ao último preço de 2025, a arroba ainda acumula alta de 6,1% — e um sinal de que o curto prazo segue incerto para quem está com animais prontos no cocho ou no pasto.

    Boi gordo: por que o recorde nominal não anima o pecuarista

    Recorde no papel não é recorde no bolso. Dois fatores explicam a cautela. O primeiro é a exportação: o Brasil já atingiu o limite da cota de carne bovina sem tarifa adicional para a China, seu principal comprador, o que tira fôlego da demanda externa no curto prazo. O segundo é o custo de reposição. O preço da arroba do bezerro caiu pelo segundo mês seguido e atingiu o menor patamar de 2026 desde fevereiro, mas, a R$ 475,3/@ na parcial de junho, ainda está 16,2% acima de junho de 2025 — também recorde nominal para o período. Ou seja: o boi pronto perde força enquanto a reposição continua cara, e a margem do pecuarista fica espremida no meio.

    O que a B3 está dizendo sobre o segundo semestre

    O mercado futuro ajuda a enxergar a tendência. A B3 mantém cautela e precifica relativa estabilidade da arroba até setembro, com expectativa de recuperação apenas gradual nos contratos de outubro a dezembro. Mas a volatilidade é alta: o contrato de dezembro, que abriu a semana de 22 de junho cotado perto de R$ 360/@, encerrou poucos dias depois pouco acima de R$ 350/@. Esse vai e volta mostra que apostar só no “fim de ano melhor” sem estratégia é deixar o resultado da fazenda à mercê da especulação.

    O que o produtor deve fazer agora

    Estamos num ciclo pecuário de alta no longo prazo, mas o curto prazo está pressionado — e é exatamente nesse cenário que a gestão de risco separa quem protege a margem de quem só torce. Vale avaliar travar parte da produção via contratos futuros ou opções na B3 quando os preços de outubro a dezembro abrirem janelas acima do custo, escalonar vendas em vez de concentrar tudo num único momento, e revisar o custo de reposição antes de recompor o rebanho a qualquer preço. Mais do que adivinhar o topo, o objetivo é garantir que cada arroba vendida cubra o custo e ainda deixe resultado.

    Decisão de venda e de reposição é decisão financeira — e, num ano de juro alto e margem apertada, o planejamento de fluxo de caixa vale tanto quanto o preço da arroba.

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  • Bezerro perde ágio para o boi e abre janela de reposição

    Bezerro perde ágio para o boi e abre janela de reposição

    O que mostram os números

    Na primeira metade de junho, o bezerro (CEPEA, Mato Grosso do Sul) foi cotado a R$ 3.398,80 por cabeça, queda de 0,6% frente ao fim de maio. Em arroba, o indicador ficou em R$ 480,40, recuo de pouco mais de 1% no mês. No mesmo período, o boi gordo se recuperou e caminha para o maior patamar nominal da história, na casa dos R$ 353 a arroba. O resultado: o ágio do bezerro frente ao boi gordo caiu ao menor nível mensal desde fevereiro.

    O que isso significa para o pecuarista

    O bezerro continua caro em termos históricos — a arroba de R$ 480,40 está 17,4% acima da média de junho de 2025 e supera o antigo recorde para o mês, de 2021. No acumulado do ano, a reposição sobe 10,8%. Ou seja: não é um preço “barato”, mas o movimento de junho muda a relação de troca a favor de quem engorda. Com o boi subindo mais rápido que o bezerro, cada arroba de boi gordo passa a comprar um pouco mais de reposição do que comprava na virada do ano.

    Para o criador, que vende bezerro, o recado é aproveitar patamares ainda elevados e travar boas vendas antes que a tendência de acomodação se aprofunde. Para o recriador e o engordador, a janela merece cálculo fino: comprar reposição agora, com o ágio menor, pode fazer sentido se o preço futuro do boi sustentar a margem na hora do abate.

    Decisão é de gestão, não de palpite

    A conta que importa não é só o preço do bezerro hoje, mas a relação entre o custo de reposição, o custo de engorda (pasto, suplementação, milho) e o preço esperado do boi no fim do ciclo. Em um ano de margens apertadas, quem planeja a compra com base em projeção de fluxo de caixa — e não na euforia do mercado — tende a capturar a janela sem se expor demais. Monitorar a evolução do ágio nas próximas semanas é parte essencial dessa decisão. Vale também acompanhar a oferta de pasto e o custo do milho nos próximos meses: em um inverno seco, a engorda fica mais cara e pode anular o ganho obtido na compra do bezerro mais barato. Travar parte da produção em mercado futuro é uma forma de proteger essa margem.

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  • Resumo da semana no agro: boi recorde, juro menor e export forte

    Resumo da semana no agro: boi recorde, juro menor e export forte

    Toda segunda-feira, a Senior reúne o que moveu o agro na semana anterior — com a leitura do que cada fato significa para a decisão de quem está no campo.

    Grãos

    Semana de pressão para os grãos. O milho renovou a mínima de 2026 em meados de junho e segue como destaque negativo, com perda de cerca de 3,0% sobre o fechamento de maio — a colheita da safrinha entrando com força é o principal peso. A soja foi na contramão: o indicador Cepea em Paranaguá operou em alta na parcial de junho frente a igual período de 2025, sustentada pelo dólar e pela demanda externa firme.

    Pecuária

    O boi gordo foi a estrela da semana. O indicador Cepea rodou a cerca de R$ 353 a arroba na parcial de junho, 12,8% acima da média nominal de junho de 2025, caminhando para o maior patamar nominal da história. Oferta curta de animais prontos e exportação aquecida explicam a força — boa notícia para quem está com gado no cocho, sinal de atenção para quem precisa repor.

    Exportações & mercado

    O agro brasileiro embarcou forte. Até a segunda semana de junho, a agropecuária acumulava alta de 27,1% nas exportações, somando US$ 3,95 bilhões. A carne bovina puxou a fila: média diária de embarque de 15,64 mil toneladas (29,8% acima de junho de 2025) e preço de US$ 6,58 por quilo, o maior para o período desde 2022. Soja (+28,4%), carnes de aves (+78,9%) e algodão (+74,1%) também voaram.

    Política & crédito

    Na reunião de 16 e 17 de junho, o Copom cortou a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano — o terceiro corte seguido, por unanimidade, mas com comunicado cauteloso e a porta aberta para o ritmo depender dos próximos dados. Juro um pouco menor ajuda na ponta do custo financeiro, mas ainda está longe de baratear o crédito rural. No mercado, o café arábica reagiu após o tombo do começo do mês e subiu 4,38% até o dia 16, a R$ 1.474,18 a saca, com as chuvas atrasando a colheita.

    Clima

    Uma onda de frio em meados de junho ligou o alerta de geada em lavouras de café, milho e pastagens no Sul e Sudeste, exigindo monitoramento de quem está em região de risco. No pano de fundo ambiental, a boa notícia: o desmatamento na Amazônia caiu 61,4% em maio na comparação anual (alertas DETER), a maior redução percentual da série — um sinal relevante para a imagem do agro brasileiro no mercado externo.

    O que fica para o produtor

    Três leituras práticas: (1) pecuária em momento de caixa cheio — quem tem boi pronto vende bem, mas a reposição cara pede disciplina na margem, não euforia; (2) grão exige gestão de venda — com milho na mínima e soja firme, vale escalonar a comercialização e usar o dólar a favor em vez de vender tudo de uma vez; (3) juro menor não é crédito barato — a Selic a 14,25% melhora pouco a conta de quem vai financiar a safra; planeje o custo financeiro como se o dinheiro ainda fosse caro, porque é.

    Agenda da semana

    No radar dos próximos dias: a aproximação da consulta pública do mercado regulado de carbono (prevista para julho), novos números de exportação do fechamento de junho, o andamento da colheita da safrinha de milho e as cotações diárias de boi, soja e café no Cepea. De olho também no câmbio, que rodou perto de R$ 5,17 e mexe direto com a paridade de exportação.

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  • Resumo da semana no agro: frio ameaça lavouras e Plano Safra se aproxima

    Resumo da semana no agro: frio ameaça lavouras e Plano Safra se aproxima

    Toda segunda-feira, a Senior reúne o que moveu o agro na semana anterior — com a leitura do que cada fato significa para a decisão de quem está no campo.

    Grãos

    O milho seguiu sob pressão baixista: o Indicador ESALQ/B3 voltou à casa dos R$ 65/saca e a referência em Campinas fechou perto de R$ 64,51, o menor patamar desde outubro. O peso vem do avanço da colheita da segunda safra e da retração dos compradores. Na soja, a demanda externa sustentou os preços internos, com embarques recordes no acumulado de janeiro a maio — mas a Agroconsult já sinaliza margens mais apertadas para 2026/27.

    Pecuária

    O boi gordo manteve força: a média parcial de junho ficou em torno de R$ 352,8/@ (Cepea, até o dia 9), mais de 12% acima de junho de 2025 e em rota de recorde para o período. Oferta restrita de animais e bom momento das exportações sustentam a arroba.

    Exportações & mercado

    O agro confirmou força no comércio exterior: o primeiro trimestre de 2026 somou US$ 38,1 bilhões em exportações, recorde para o período, com superávit superior a US$ 33 bilhões. No campo da produção, a Conab reforçou a expectativa de safra recorde de grãos, próxima de 358 milhões de toneladas.

    Política & crédito

    As atenções se voltam ao Plano Safra 2026/27, que deve ser anunciado até o fim de junho. O Ministério da Agricultura pleiteia taxas de juros de um dígito para o custeio — pleito em discussão com Fazenda, Tesouro e Casa Civil. Para referência, o Plano 2025/26 reuniu R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 78,2 bilhões para a familiar.

    Clima

    Uma massa de ar polar avançou sobre o Centro-Sul, com risco de geada para café, milho, feijão e pastagens, sobretudo no Paraná. A previsão aponta uma segunda frente fria, mais intensa, na última semana de junho, com temperaturas abaixo de 10°C em amplas áreas.

    O que fica para o produtor

    Primeiro: com milho em baixa e boi em alta, quem tem confinamento ou recria ganha relação de troca favorável — momento de revisar dietas e travar custo de reposição de grão. Segundo: antes do Plano Safra, vale organizar documentação e fluxo de caixa para acessar crédito nas melhores condições assim que as taxas saírem. Terceiro: a geada não é só risco do café — pasto queimado no auge da seca pressiona o custo do pecuarista; reservar forragem agora é mais barato que socorrer o rebanho depois.

    Agenda da semana

    Acompanhe o anúncio do Plano Safra 2026/27, os boletins de geada do Inmet diante da frente fria prevista para o fim do mês e os relatórios de oferta e demanda da Conab e do USDA, que ajudam a calibrar as projeções de grãos.

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    📌 Leia também: Plano Safra 2026/27: o que esperar do crédito rural | Exportação de carne bovina salta 70% | Cotações agrícolas de maio 2026

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  • Boi gordo a R$ 353/@: oferta curta sustenta a arroba, mas cota da China preocupa

    Boi gordo a R$ 353/@: oferta curta sustenta a arroba, mas cota da China preocupa

    O Indicador CEPEA/Esalq do boi gordo fechou a terça-feira (10) cotado a R$ 353,55 por arroba, acumulando alta de 1,10% em junho no mercado paulista. A média parcial do mês, de R$ 352,80/@, está mais de 12% acima da média nominal de junho de 2025 (R$ 312,90) e caminha para superar com folga o recorde anterior para o período, registrado em 2022.

    Escalas curtas dão o tom

    O motor da alta é a oferta restrita de animais terminados. Segundo a Scot Consultoria, as escalas de abate em São Paulo, que chegaram a 14-15 dias em maio, encurtaram para 7 a 10 dias. A Agrifatto aponta que as indústrias estão comprando apenas o necessário para manter escalas próximas de sete dias. Em Mato Grosso do Sul, praças como Cassilândia registraram alta de até R$ 5/@, com negócios entre R$ 340 e R$ 350. O boi padrão-China é negociado a R$ 355/@, e lotes diferenciados em São Paulo chegaram a R$ 365.

    Exportação recorde — com prazo de validade

    Junho começou com embarques de carne in natura em média diária de 15,64 mil toneladas, 29,8% acima de junho de 2025. O problema está no calendário: a cota chinesa de importação sem tarifa adicional pode se esgotar entre junho e julho, segundo a Safras & Mercado. Nesse cenário, frigoríficos tendem a reduzir abates e cortar as bonificações do padrão-China. O mercado futuro já precifica esse risco: o contrato de agosto na B3 fechou a R$ 338/@. Some-se a isso o veto da União Europeia à carne brasileira a partir de 3 de setembro, que pressiona o segundo semestre.

    O que o pecuarista deve fazer

    O momento favorece quem tem boi pronto: o físico está firme e a escassez de gado deve seguir — a Scot projeta abates de cerca de 39 milhões de cabeças em 2026, ante 42 milhões em 2025. Mas o spread entre o físico (R$ 353) e o futuro de agosto (R$ 338) indica que travar parte da produção nos preços atuais é decisão racional, não pessimismo. Atenção também à reposição: o poder de compra do pecuarista que precisa repor está nos menores níveis históricos, o que exige conta fina antes de vender para recomprar.

    Com menos gado disponível nos próximos anos, o ganho virá de produtividade por hectare — e intensificar com responsabilidade ambiental é o que separa quem apenas sobrevive ao ciclo de quem captura valor extra em mercados exigentes, como rastreabilidade e protocolos de baixo carbono.

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  • China reconhece todo o Brasil livre de aftosa: o que muda

    China reconhece todo o Brasil livre de aftosa: o que muda

    O que aconteceu

    A alfândega chinesa retirou as restrições sanitárias relacionadas à febre aftosa que ainda recaíam sobre o norte do Brasil e passou a reconhecer todo o território nacional como livre da doença. A medida tem data de 29 de maio e foi tornada pública no início de junho de 2026. Ela reverte decisões chinesas de 2002, 2005 e 2009, que tratavam apenas Santa Catarina e um grupo de estados como zonas livres. O reconhecimento veio depois de mais de duas décadas de negociação entre os dois países.

    Contexto e impacto para o produtor

    O passo chinês se apoia na certificação da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que há cerca de um ano declarou o Brasil livre de aftosa sem vacinação, após o rebanho nacional passar 12 meses sem imunização. Na prática, o status sanitário do país inteiro foi nivelado por cima — e isso importa muito para quem cria gado fora do eixo Sul.

    A China é o principal destino da carne bovina brasileira: no ano passado, mais da metade das exportações do produto foi para o mercado chinês. Com o território todo reconhecido, abre-se espaço para ampliar embarques de itens que antes esbarravam em barreiras sanitárias, como miúdos e carne com osso — cortes de maior valor agregado e que aproveitam melhor a carcaça.

    O que o produtor deve observar

    O reconhecimento é uma boa notícia estrutural, mas convém ler o cenário sem euforia. A cota chinesa de importação e eventuais sobretaxas continuam limitando o ganho de margem no curto prazo, e parte do efeito sobre o preço do boi gordo depende do ritmo de habilitação de novas plantas frigoríficas. Não à toa, em visita a Pequim no fim de maio, o ministro André de Paula pediu a realocação de cotas ociosas de outros países para o Brasil — e a China recusou. O impacto tende a ser gradual, sentido mais na demanda firme ao longo dos próximos meses do que em um salto imediato de cotação.

    Para o pecuarista, o recado prático é de janela: mercado externo mais aberto valoriza o animal terminado dentro de padrão sanitário e de rastreabilidade. Quem mantém o rebanho com documentação, manejo e regularização ambiental em ordem está mais bem posicionado para capturar o prêmio de exportação quando ele aparecer.

    A leitura Senior

    Status sanitário é ativo econômico. A abertura chinesa recompensa quem tem propriedade regular e rebanho rastreável — e penaliza quem deixou pendências ambientais ou documentais acumularem. Antes de contar com o prêmio do mercado externo, vale garantir que a porteira está em conformidade.

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  • Exportação puxa o boi a R$ 350, mas o futuro acende um alerta

    Exportação puxa o boi a R$ 350, mas o futuro acende um alerta

    A força que vem de fora

    Para entender o preço do boi no campo em junho, é preciso começar pelos portos. As exportações de carne bovina vivem um dos melhores momentos da série histórica: o Brasil embarcou 953 mil toneladas no primeiro quadrimestre de 2026, um avanço que chega a 30% na comparação anual. E não é só volume — é preço. Até a terceira semana de maio, o faturamento diário das vendas externas alcançou US$ 88,07 milhões, alta de 63,1% frente aos US$ 54,00 milhões de maio de 2025, puxada pelos importadores chineses, que passaram a pagar mais caro pela proteína brasileira. O movimento se encaixa num quadro exportador robusto: o agro fechou abril com US$ 16,6 bilhões (+12%, o segundo melhor mês da história) e o primeiro trimestre com US$ 38,1 bilhões e superávit de US$ 33 bilhões, tendo a China como quase 30% de toda a pauta.

    O reflexo na arroba

    Essa demanda externa aquecida é o que sustenta o preço dentro da porteira. Quando o frigorífico vende mais e mais caro lá fora, ele compra o boi com mais disposição aqui dentro — e foi justamente isso que ajudou a arroba a se recuperar na segunda metade de maio, voltando a se aproximar dos R$ 350,00, com a referência CEPEA/Esalq encerrando o mês em torno de R$ 349,70. Em plena entressafra, com menos animais prontos para o abate, o pecuarista ganha poder de negociação. A exportação, na prática, funciona como um piso para o mercado físico.

    O alerta que o mercado já deu

    Aqui está o ponto que exige sangue-frio. Enquanto o boi físico subia, a B3 fechou maio precificando queda nos contratos futuros, projetando junho e julho abaixo do valor atual da arroba. Em outras palavras: o mercado aposta que essa recuperação pode ser temporária. Para quem vende boi, isso muda a estratégia — segurar animal esperando uma alta que a própria curva futura não enxerga é uma aposta arriscada.

    E os grãos? Seguem no vermelho

    Nem todo mundo no campo surfa esse momento. Enquanto a pecuária reage, soja e milho continuam como os destaques negativos do ano. O milho recuou cerca de 3,0% no acumulado de maio e a soja conseguiu apenas 1,0% de alta em Paranaguá (PR) — e, mesmo com leve valorização em dólar, o grão segue abaixo do valor nominal de 2024 e 2025. Ou seja: o produtor de grãos vende hoje mais barato do que vendia há dois anos, pressionado por uma safra cheia e por uma demanda global que não acompanha o volume colhido.

    O que fica para o produtor

    Para o pecuarista, o recado é de disciplina: avaliar travas de preço no mercado futuro para garantir a margem perto de R$ 350, em vez de apostar todas as fichas em uma alta que o mercado não projeta. Vale lembrar que o prêmio dos mercados premium, como a China, vai cada vez mais para quem comprova procedência e regularidade ambiental — propriedades com CAR em dia, passivos resolvidos e práticas de baixo carbono capturam melhor esse ganho. Para o produtor de grãos, o ano de preços deprimidos reforça a importância de olhar além da cotação do dia: reduzir custo por saca, diversificar receita e considerar ativos de longo prazo, como projetos ambientais e valorização fundiária. Em margens apertadas, gestão de risco e regularização deixam de ser opcionais — são o que separa o resultado de hoje de um resultado duradouro.

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