O Brasil entra na fase que define quanto vale o carbono
O mercado regulado de carbono no Brasil deixou de ser projeto de lei e virou realidade operacional. A Lei nº 15.042/2024, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), está em fase de regulamentação infralegal e o prazo que o Ministério da Fazenda definiu como meta é dezembro de 2026. Em março deste ano, o ministério instalou formalmente o comitê com representantes da sociedade civil e governos estaduais para acelerar a implementação. O Brasil está, agora, na etapa que determina quem ganha e quem perde nesse mercado.
O que o produtor precisa saber sobre os preços
As projeções técnicas indicam que o crédito de carbono no mercado regulado brasileiro deve estrear em torno de US$ 30 por tonelada de CO₂ equivalente e pode alcançar US$ 60 por tonelada nas fases seguintes, conforme a escassez de créditos aumentar. Para ter referência de escala: uma propriedade rural com 500 hectares de floresta nativa conservada pode gerar, dependendo do bioma e metodologia, entre 1.000 e 2.500 créditos por ano — o que representa potencial de receita adicional entre US$ 30 mil e US$ 150 mil anuais apenas pela conservação do que já existe.
O cronograma que o produtor não pode ignorar
O calendário oficial do SBCE tem marcos importantes para o setor rural. Em 2027, começa o relato obrigatório de emissões para grandes emissores. Entre 2028 e 2029, operadores que emitem acima de 10 mil toneladas de GEE por ano devem submeter planos de monitoramento ao governo. O mercado regulado entra em plena operação apenas em 2030. Mas aqui está o ponto que muitos ignoram: o mercado voluntário já está ativo e crescendo agora, enquanto o regulatório se consolida — e projetos estruturados hoje já geram receita e acumulam créditos validados por metodologias internacionais como Verra e Gold Standard.
Por que agir antes de 2030 faz diferença
A janela de vantagem competitiva para o produtor rural está aberta agora. Quem estrutura um projeto de carbono hoje — seja por reflorestamento, restauração de mata ciliar, manejo de pastagem ou agricultura de baixo carbono — entra no mercado voluntário já em 2025/2026, acumula histórico de monitoramento e credibilidade junto a compradores internacionais, e estará em posição privilegiada quando o mercado regulado entrar em operação. Produtores que esperarem 2030 para agir terão que competir em um mercado já formado, com exigências metodológicas mais rigorosas e menos espaço para primeiros projetos. Além da receita com a venda dos créditos, a regularização ambiental da propriedade é pré-requisito para participação em qualquer mercado de carbono — o que torna o diagnóstico ambiental da fazenda o primeiro passo concreto a dar.
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