Tag: safra 2026

  • Cotações de maio: boi a R$ 347, milho firme e soja sob pressão

    O que o mercado fez em maio

    A parcial de maio de 2026 fechou com sinais distintos entre as principais commodities acompanhadas pelo produtor brasileiro. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq avançou 0,87% no período de 19 a 26 de maio e chegou a R$ 347,8 por arroba, mantendo o tom de firmeza visto ao longo do ano. No milho, o Indicador ESALQ/B3 ficou em R$ 65,47 por saca na referência de 28 de maio, sustentado mesmo com a chegada da segunda safra. Já a soja segue o movimento contrário: a pressão da safra recorde limita qualquer recuperação consistente de preço no mercado interno.

    Por que o boi e o milho seguem firmes

    A firmeza do boi gordo tem base na demanda externa aquecida — a carne bovina liderou as exportações do agro em abril, com receita 29,4% maior e 252 mil toneladas embarcadas. Esse apetite internacional puxa o preço da arroba no mercado doméstico e dá fôlego à reposição. No milho, a sustentação acima de R$ 65 reflete a combinação de demanda firme do setor de proteína animal e de etanol de milho, mesmo diante de uma segunda safra que a Conab projetou em leve recuo de 4,2% no balanço de maio.

    A soja e o paradoxo da safra recorde

    O 8º levantamento da Conab confirmou uma safra de grãos de 357,97 milhões de toneladas em 2025/26, com a soja saltando para 180,1 milhões de toneladas. O recorde, porém, tem o efeito conhecido de pressionar o preço pago ao produtor: oferta abundante derruba o prêmio. É o paradoxo de colher muito e receber menos por saca — um cenário que exige gestão de comercialização ainda mais afiada para quem não travou preço antecipadamente.

    O que o produtor deve fazer agora

    Três movimentos são prudentes neste momento. Primeiro, para quem está com soja em estoque, avaliar escalonamento de vendas em vez de liquidar tudo na pressão da colheita. Segundo, no boi, aproveitar a janela de preço firme para planejar reposição e fluxo de caixa com calendário definido. Terceiro, acompanhar o câmbio: boa parte do desempenho de boi e grãos está atrelada à demanda externa e ao dólar, que segue como variável decisiva na rentabilidade.

    Mais do que reagir à cotação do dia, vale enxergar o quadro estrutural: o Brasil colhe safras recordes e exporta como nunca, mas a margem por unidade depende cada vez mais de eficiência, custo de produção e acesso a mercados que pagam prêmio — inclusive os que exigem conformidade ambiental.

    Leia também: Exportação de carne bovina bate recorde · Super El Niño em 2026: o que saber já

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