O Brasil encerrou o ciclo comercial 2025/26 do algodão (julho de 2025 a junho de 2026) na liderança mundial das exportações, à frente dos Estados Unidos. A exportação de algodão fechou a temporada em nível recorde, com cerca de 3,3 milhões de toneladas embarcadas, segundo dados compilados pelo setor. Só em junho foram 217 mil toneladas — recorde para o mês — e o ciclo registrou recordes mensais em 7 dos 12 meses da temporada.
Uma liderança construída na exportação de algodão
O resultado coroa uma década de transformação da cotonicultura brasileira, concentrada principalmente em Mato Grosso e no oeste da Bahia. A safra 2025/26 deve entregar cerca de 3,9 milhões de toneladas de pluma, segundo a Abrapa — a segunda maior da história. O destino da fibra confirma a dependência da Ásia: em junho, Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã responderam juntos por 71,1% dos embarques brasileiros.
O que isso muda para o produtor
Para quem já produz grãos no Cerrado, o recado é direto: o algodão se consolidou como cultura de segunda safra com liquidez internacional real, e não apenas como aposta de nicho. A demanda asiática firme e a posição de maior exportador mundial dão ao produtor brasileiro um canal de escoamento que reduz a dependência do mercado interno — mas a cultura segue exigente em capital, tecnologia e escala, e não perdoa erro de manejo.
Há dois pontos de atenção no radar. Primeiro, a Conab divulga em 17 de julho a primeira Intenção de Plantio 2026/27, incluindo algodão — o dado vai indicar se a área seguirá crescendo e pressionando margens futuras. Segundo, os mercados compradores mais exigentes (e os que pagam melhor) cobram cada vez mais rastreabilidade e certificação socioambiental, como os programas SouABR e Better Cotton, que já cobrem a maior parte da pluma nacional.
Conformidade ambiental é bilhete de entrada
É aqui que a agenda ambiental deixa de ser custo e vira acesso a mercado: CAR regular, reserva legal em dia e passivo ambiental equacionado são pré-requisitos práticos para certificar a produção e vender para as tradings que abastecem a Ásia e a Europa. O produtor que resolve sua regularização hoje entra no ciclo 2026/27 com a porta aberta para os prêmios de mercado — quem deixa para depois fica com o desconto.
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