BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Tag: pecuária

  • Cerca de alto carbono: o padrão da Nova Zelândia chega ao Brasil

    Você, produtor, já somou quanto custa uma cerca que nunca está pronta? Entre o arame que arrebenta, o esticador que cede e o animal silvestre que atravessa a divisa para revirar a lavoura, o prejuízo se acumula safra após safra — e quase nunca entra na planilha. Enquanto o Brasil ainda convive com esse desgaste, Nova Zelândia e Austrália, referências mundiais em pecuária eficiente, resolveram parte do problema há décadas com um conceito simples de cercamento: a cerca de alto carbono.

    O prejuízo que entra pela porteira

    O avanço do javali deixou de ser anedota para virar conta de prejuízo. Espécie exótica invasora, o javali (e o cruzamento com porcos domésticos, o chamado javaporco) revira o solo e destrói plantações de milho, soja, cana, mandioca e amendoim. O tamanho do problema aparece nos números de controle: segundo o Ibama, foram 465 mil javalis abatidos só em 2022, depois de 333 mil entre abril de 2019 e agosto de 2021. A Embrapa, que estudou os prejuízos do animal em lavouras do sul do Mato Grosso do Sul, aponta perdas relevantes onde a população está fora de controle.

    O agravante é que a cerca tradicional não foi feita para esse tipo de impacto. O arame farpado convencional tem carga de ruptura na faixa de 250 a 400 kgf, segundo especificações de fabricantes como a Belgo. Contra um animal corpulento e em manada — e os javaporcos podem ser ainda mais pesados que o javali puro —, esse limite vira porteira aberta. Some-se a isso o custo recorrente de manutenção, mão de obra e reposição, e a cerca barata na compra se revela cara no uso.

    Dado importante
    Os javalis não causam só perda de lavoura: o Ibama e a Embrapa apontam que a espécie também dispersa doenças (como leptospirose e febre aftosa) e ervas daninhas. Ou seja, a invasão é um risco sanitário, não apenas econômico.

    O que é a cerca de alto carbono

    A diferença começa no aço. Em vez do arame comum, a tecnologia usa fio de alto teor de carbono — mais duro, mais elástico e projetado para uma carga de ruptura muito superior à do convencional. Arames de alta resistência como o Belgo ZZ-700 Bezinal, por exemplo, suportam o impacto de animais pesados com carga de ruptura de até 700 kgf, segundo o fabricante — praticamente o dobro de uma cerca farpada comum. Na prática, é uma cerca que absorve o impacto e volta à posição, em vez de ceder ou romper.

    Por que o arame de alto carbono resiste mais

    Não é questão de ser mais grosso — é de composição. O maior teor de carbono dá ao fio resistência à tração e capacidade de retornar à forma depois de um choque. Por isso ele suporta o empurrão de um animal pesado sem deformar permanentemente, comportamento que o arame de baixo carbono não tem.

    Uma cerca que acompanha o relevo e sobe mais rápido

    O sistema de alta resistência foi pensado para terreno acidentado: a malha acompanha ondulações sem perder tensão, o que reduz vãos por onde o animal passa. E, por trabalhar com bobinas tensionadas e menos postes intermediários, a instalação tende a ser bem mais rápida que a do método tradicional — um ganho de produtividade que os fabricantes apresentam como uma das principais vantagens.

    Vida útil longa e manutenção baixa

    Galvanização reforçada e tensão estável dão à cerca de alto carbono uma vida útil longa, com menos retensionamento, menos troca de arame e menos visitas de manutenção ao longo dos anos. É exatamente nesse ponto — o gasto que não aparece na nota fiscal — que ela se diferencia.

    O padrão que Nova Zelândia e Austrália adotaram primeiro

    Não é novidade no mundo. A Nova Zelândia é o berço da cerca elétrica e da tradição de arame de alta resistência, usados há décadas justamente porque o país construiu uma pecuária eficiente em terreno montanhoso. A lógica que guia o produtor desses países é a do investir uma vez e resolver de verdade, em vez de remendar todo ano. O Brasil está começando agora: a adoção ainda é incipiente e os equipamentos de instalação desse tipo são pouquíssimos no país — o que significa, para quem entra cedo, uma vantagem competitiva real.

    Para quem a cerca de alto carbono faz sentido

    A tecnologia rende mais para alguns perfis: propriedades com histórico de invasão de animais silvestres; áreas de cerrado e biomas limítrofes, onde a pressão de fauna é maior; pecuaristas de engorda extensiva, que precisam de divisas confiáveis em grandes perímetros; e produtores de grãos com lavoura em áreas de transição, mais expostas ao javali. Se a sua cerca atual já consome manutenção todo mês, provavelmente você está nesse grupo.

    Custo inicial x custo total: a conta de 5 a 10 anos

    O principal obstáculo é honesto: a cerca de alto carbono custa mais cara na instalação que o arame convencional. Mas o número que decide não é o investimento inicial, e sim o custo total de propriedade ao longo do tempo. Quando se somam manutenção, mão de obra e perdas evitadas, a tendência é que, num horizonte de 5 a 10 anos, a cerca de alto carbono saia mais barata que a tradicional. É a diferença entre o preço de hoje e o custo de conviver com o problema por uma década.

    Conclusão

    O Brasil está atrasado nessa tecnologia — mas atraso, aqui, é oportunidade. Quem estrutura a propriedade primeiro reduz perdas, corta manutenção e ganha em eficiência enquanto a maioria ainda remenda cerca velha. Mais do que comprar arame, trata-se de decidir entre gastar todo ano ou resolver de uma vez.

    Leia também: Exportação de carne bovina bate recorde · Caminho Verde Brasil: R$ 30 bi para recuperar pasto

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  • Exportação de carne bovina salta 70% em maio e bate recorde

    O que aconteceu

    A exportação de carne bovina brasileira começou maio de 2026 em ritmo recorde. Nas três primeiras semanas do mês, o país embarcou 203,48 mil toneladas de carne in natura, com média diária de 13,56 mil toneladas — volume 30,7% superior ao mesmo período de maio de 2025. Considerando o início do mês, o ritmo de venda chegou a ser quase 70% maior que um ano antes, e a receita do período já superou a marca de US$ 1,3 bilhão. É o maior desempenho já registrado para um mês de maio.

    Preço e demanda jogam a favor

    O que torna esse recorde especialmente saudável é que o volume veio acompanhado de preço. O valor médio da tonelada embarcada atingiu US$ 6.492,4, alta de 24,8% sobre maio de 2025. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o preço médio da carne bovina exportada ficou em US$ 5,83 por quilo — 17,2% acima de 2025 e superior à máxima anterior, de 2022. Em outras palavras: o Brasil está vendendo mais e mais caro ao mesmo tempo, um cenário que sustenta a firmeza do boi gordo no mercado interno.

    Contexto e impacto para o produtor

    A China segue como destino central, absorvendo cerca de 56% das vendas externas de carne bovina, enquanto os Estados Unidos ampliaram as compras do produto brasileiro em 2026. Essa diversificação de destinos — o agro brasileiro abriu acesso a 600 mercados internacionais — reduz a dependência de um único comprador e dá sustentação estrutural ao preço. Para o pecuarista, isso se traduz em demanda firme por reposição e em margens mais previsíveis para quem mantém eficiência na engorda e no abate.

    A oportunidade — e a exigência que vem junto

    O recorde, contudo, vem com uma contrapartida cada vez mais clara: os mercados que pagam os melhores preços são também os mais exigentes em rastreabilidade e conformidade ambiental. O comprador europeu e as cadeias premium olham cada vez mais para dentro da porteira — origem do animal, regularidade do Cadastro Ambiental Rural (CAR), ausência de desmatamento ilegal. Propriedades com documentação ambiental em ordem têm acesso facilitado a esses mercados; as irregulares ficam à margem do prêmio.

    O momento é de capturar a alta sem perder de vista a porteira para frente. Quem estruturar agora rastreabilidade e regularização ambiental não apenas garante acesso aos mercados de maior valor, como se posiciona para projetos de pecuária de baixo carbono — transformando conformidade em receita adicional sobre uma atividade que já realiza.

    Leia também: Cotações de maio: boi, milho e soja · Mercado de carbono: o que muda para o produtor

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    Fontes consultadas: FarmNews, NX1, CompreRural, Mapa/Gov.br
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