BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Tag: Mato Grosso

  • Exportação de algodão bate recorde e Brasil fecha ciclo como líder mundial

    O Brasil encerrou o ciclo comercial 2025/26 do algodão (julho de 2025 a junho de 2026) na liderança mundial das exportações, à frente dos Estados Unidos. A exportação de algodão fechou a temporada em nível recorde, com cerca de 3,3 milhões de toneladas embarcadas, segundo dados compilados pelo setor. Só em junho foram 217 mil toneladas — recorde para o mês — e o ciclo registrou recordes mensais em 7 dos 12 meses da temporada.

    Uma liderança construída na exportação de algodão

    O resultado coroa uma década de transformação da cotonicultura brasileira, concentrada principalmente em Mato Grosso e no oeste da Bahia. A safra 2025/26 deve entregar cerca de 3,9 milhões de toneladas de pluma, segundo a Abrapa — a segunda maior da história. O destino da fibra confirma a dependência da Ásia: em junho, Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã responderam juntos por 71,1% dos embarques brasileiros.

    O que isso muda para o produtor

    Para quem já produz grãos no Cerrado, o recado é direto: o algodão se consolidou como cultura de segunda safra com liquidez internacional real, e não apenas como aposta de nicho. A demanda asiática firme e a posição de maior exportador mundial dão ao produtor brasileiro um canal de escoamento que reduz a dependência do mercado interno — mas a cultura segue exigente em capital, tecnologia e escala, e não perdoa erro de manejo.

    Há dois pontos de atenção no radar. Primeiro, a Conab divulga em 17 de julho a primeira Intenção de Plantio 2026/27, incluindo algodão — o dado vai indicar se a área seguirá crescendo e pressionando margens futuras. Segundo, os mercados compradores mais exigentes (e os que pagam melhor) cobram cada vez mais rastreabilidade e certificação socioambiental, como os programas SouABR e Better Cotton, que já cobrem a maior parte da pluma nacional.

    Conformidade ambiental é bilhete de entrada

    É aqui que a agenda ambiental deixa de ser custo e vira acesso a mercado: CAR regular, reserva legal em dia e passivo ambiental equacionado são pré-requisitos práticos para certificar a produção e vender para as tradings que abastecem a Ásia e a Europa. O produtor que resolve sua regularização hoje entra no ciclo 2026/27 com a porta aberta para os prêmios de mercado — quem deixa para depois fica com o desconto.

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  • Remoção de carbono a US$ 150/t: BECCS da FS abre nova fronteira no agro

    A remoção de carbono acaba de ganhar preço de referência no Brasil: a FS, produtora de etanol de milho, fechou as primeiras vendas de créditos gerados por seu projeto BECCS (bioenergia com captura e armazenamento de carbono) em Lucas do Rio Verde (MT) — em um dos contratos, a tonelada saiu a US$ 150. A empresa também firmou acordo de venda futura de 10 mil créditos com a Freepoint Commodities Europe. São as primeiras transações de remoção de carbono do país.

    O que é o BECCS e por que ele importa

    No BECCS, o CO₂ biogênico liberado na fermentação do etanol é capturado e injetado em formação geológica profunda, saindo da atmosfera em definitivo. O projeto da FS já tem aprovação da ANP para o piloto e licença prévia da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso, com meta de iniciar a injeção ainda em julho de 2026. A capacidade demonstrada é de 423 mil toneladas de CO₂ por ano — cerca de 12 milhões de toneladas ao longo de 30 anos.

    Por que a remoção de carbono paga tão mais caro

    A comparação com o mercado tradicional explica o interesse: enquanto portfólios de créditos voluntários de conservação (REDD+ e similares) negociam tipicamente entre R$ 35 e R$ 80 por tonelada no Brasil, a remoção permanente com medição robusta alcançou US$ 150 — mais de dez vezes mais. Depois dos escândalos de créditos fantasma e dupla contagem que abalaram o mercado voluntário, o comprador corporativo passou a pagar prêmio por integridade: permanência comprovada, MRV (mensuração, reporte e verificação) forte e lastro físico verificável.

    O que o produtor rural tem a ver com isso

    O sinal de preço vale para todo o agro. Projetos de carbono ligados à produção — recuperação de pastagem degradada, plantio direto, carbono no solo, restauração florestal — valem mais quanto mais perto estiverem do padrão “remoção verificável”. Com a regulamentação do mercado regulado brasileiro (SBCE) prevista para ser concluída até dezembro de 2026, quem tiver documentação fundiária e ambiental em ordem, linha de base bem medida e monitoramento sério vai acessar os contratos que pagam de verdade; quem improvisar vai disputar a faixa de R$ 35.

    A leitura prática: antes de assinar qualquer contrato de carbono, o produtor deve exigir clareza sobre metodologia, permanência e quem paga a verificação — e tratar o projeto como ativo de longo prazo da fazenda, não como renda avulsa. O exemplo da FS mostra que o mercado premia quem estrutura bem.

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  • Recuperação judicial no agro dispara em 2026 — e o CNJ apertou as regras

    Recuperação judicial no agro dispara em 2026 — e o CNJ apertou as regras

    A recuperação judicial no agro não deu trégua em 2026. Depois do recorde de quase 2 mil pedidos em 2025 (alta de 56,4% em um ano), o setor agropecuário encerrou o primeiro trimestre deste ano com 539 empresas em recuperação judicial, crescimento de 9,3% sobre o último trimestre de 2025, segundo a Serasa Experian. Mais revelador que o número absoluto é a proporção: o índice de recuperação judicial do agro chegou a 14,42, contra média nacional de 2,18 — ou seja, o campo é, de longe, o setor mais pressionado da economia brasileira hoje.

    Recuperação judicial no agro: onde a crise está concentrada

    O aperto tem CEP e cultura definidos. O cultivo de soja lidera com 243 empresas em recuperação, seguido por bovinos de corte (89) e cana-de-açúcar (49). Regionalmente, o Centro-Oeste avançou 5,5% no trimestre, puxado por Mato Grosso, que subiu 13,2% em três meses e 36% em um ano. A crise também subiu na cadeia: grandes distribuidoras de insumos, como AgroGalaxy e Lavoro, já passaram por reestruturação de dívidas bilionárias — sinal de que o problema não está só na porteira, mas em todo o ecossistema que financia a safra. A raiz é conhecida: anos de alavancagem no topo do ciclo, depois cotações de grãos em queda, custo de insumo elevado e o juro mais alto em quase duas décadas.

    A regra mudou: Provimento 216/2026 do CNJ

    Aqui está a novidade que mais altera o jogo. Em março de 2026, o Conselho Nacional de Justiça publicou o Provimento 216/2026, unificando e endurecendo as regras para a recuperação judicial do produtor rural. As principais exigências: comprovação formal de pelo menos dois anos de atividade rural; apresentação de Livro Caixa Digital do Produtor Rural, declaração de Imposto de Renda e, para pessoa jurídica, a ECF, além de balanços assinados por contador no momento do pedido. O juiz passa a poder determinar perícia prévia no local — com geoprocessamento — para verificar se o devedor de fato produz ou apenas arrenda a terra a terceiros. O provimento ainda delimita quais créditos entram na RJ (apenas dívidas ligadas à atividade rural registrada) e protege contratos de entrega a preço fixo (barter) e a CPR física. Na prática, a RJ ficou mais técnica, mais documentada e mais difícil de usar como saída de última hora. Vale registrar que parte dos juristas questiona se o CNJ tinha competência para criar essas exigências, o que ainda pode ser discutido nos tribunais.

    O que o produtor deve fazer

    A leitura é direta: recuperação judicial deixou de ser um botão de emergência acionável a qualquer momento. Quem pode precisar dela um dia tem de organizar a contabilidade agora — Livro Caixa em dia, balanços, comprovação de atividade —, porque sem isso o pedido nem é admitido. E, antes de chegar à RJ, há caminhos menos traumáticos: renegociação direta com bancos e fornecedores, alongamento de dívidas, adesão a programas de renegociação e ao crédito do Plano Safra, e a recuperação extrajudicial, que ganhou espaço com as novas regras. O que separa quem se reestrutura de quem quebra, neste ciclo, é menos o tamanho da dívida e mais a qualidade da gestão financeira e da documentação. Custo financeiro virou o centro da decisão da safra 2026/27.

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