BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

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  • Inadimplência no agro bate pico: o alerta dos recordes

    Inadimplência no agro bate pico: o alerta dos recordes

    O que aconteceu

    Os recordes do agro brasileiro em 2026 não são só de produção. De acordo com dados do Serasa Experian e do Banco Central, a inadimplência no campo atingiu um pico histórico. No terceiro trimestre de 2025, 8,3% da população rural estava com contas em atraso — alta de 0,9 ponto percentual em um ano. Entre produtores pessoa física, o índice de atrasos acima de 90 dias saltou para 7,3% em janeiro de 2026, ante 2,7% no mesmo período do ano anterior. O endividamento negativado da população rural acumulou R$ 54 bilhões no quarto trimestre de 2025. E os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 1.990 em 2025, alta de 56,4% sobre 2024 — sendo 853 deles feitos por pessoas físicas ligadas ao setor, um salto de 51%.

    Por que isso aconteceu

    O quadro é o reverso previsível de um ciclo difícil. Depois de anos de preços altos que estimularam investimento e expansão, o produtor entrou em 2024 e 2025 com a combinação mais dura possível: cotações de grãos em queda, custos de produção ainda elevados e juros no maior patamar em quase duas décadas — a Selic só começou a recuar este mês, para 14,25%. Dívidas contratadas para crescer nos anos bons, muitas em dólar ou atreladas ao CDI, passaram a pesar justamente quando a receita encolheu. Especialistas avaliam que o problema deve persistir ao longo de 2026, mas não caracteriza uma crise estrutural do agro — e sim um ajuste de quem se alavancou demais no topo do ciclo.

    O que muda para o produtor

    O efeito prático chega rápido: com a conta da inadimplência subindo, os bancos ficam mais seletivos, e o crédito tende a ficar mais caro e mais difícil para quem não tem o caixa organizado. Em outras palavras, o custo financeiro deixou de ser um detalhe e virou a variável central da safra 2026/27. Nesse ambiente, a diferença entre fechar o ano no azul ou no vermelho está menos no preço de venda — sobre o qual o produtor tem pouco controle — e mais na disciplina de gestão.

    O que fazer antes que vire problema

    A regra de ouro é não esperar o atraso. Renegociar dívida com o caixa ainda respirando é muito mais barato do que renegociar depois de inadimplir, quando o produtor perde poder de barganha. Vale mapear o fluxo de caixa mês a mês, separar dívida de custeio de dívida de investimento e usar ferramentas legais a favor: o Senado aprovou recentemente a renegociação de dívidas rurais, e linhas de alongamento podem aliviar o curto prazo. A recuperação judicial deve ser o último recurso, e nunca improvisada — quando mal planejada, fecha portas de crédito por anos.

    Patrimônio organizado é defesa

    Há um ponto que poucos enxergam no momento do aperto: a regularização da propriedade é também proteção financeira. Terra com documentação em ordem, CAR ativo e situação ambiental regularizada vale mais, serve de garantia de melhor qualidade e abre acesso a crédito mais barato. Em um cenário de bancos cautelosos, ter o ativo organizado é o que separa quem renegocia em boas condições de quem fica sem alternativa. Planejamento patrimonial e ambiental, nesse contexto, não é custo — é o seguro que sustenta o negócio no fundo do ciclo.

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  • Senado aprova renegociação de dívidas rurais com juros de até 7,5% ao ano

    Senado aprova renegociação de dívidas rurais com juros de até 7,5% ao ano

    O Senado aprovou nesta quarta-feira (10) o PL 5.122/2023, que cria uma linha especial de refinanciamento de dívidas para produtores rurais, com carência, juros reduzidos e prazo alongado. O relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), ampliou o texto original para permitir o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outras fontes. Como houve mudanças, o projeto volta à Câmara dos Deputados antes de seguir à sanção presidencial.

    O que o texto prevê

    Os números aprovados são relevantes para quem carrega dívida de custeio ou investimento: financiamento de até R$ 10 milhões por beneficiário e até R$ 50 milhões por associação, cooperativa de produção ou condomínio, com prazo de pagamento de até 10 anos, acrescidos de 3 anos de carência. Os juros variam por perfil: 3,5% ao ano para o Pronaf e pequenos produtores, 5,5% para o Pronamp e médios, e 7,5% para os demais — bem abaixo do custo do crédito livre atual.

    Podem entrar dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural contratadas até 31 de dezembro de 2025, renegociadas ou não, com recálculo dos débitos sem multa, mora e encargos de inadimplência. O projeto ainda autoriza prorrogação de 180 dias dos vencimentos das operações abrangidas, com suspensão de execuções judiciais e de inscrição em cadastros negativos nesse período. Além do Fundo Social, FNO, FNE, FCO e Funcafé poderão operar a linha em suas regiões.

    Quem tem direito

    O benefício alcança produtores, associações, cooperativas e condomínios que comprovem critérios objetivos ligados a calamidades e perdas produtivas — o relatório incluiu também impactos econômicos de conflitos geopolíticos. Na área da Sudene, o período de análise de calamidades foi ampliado para 2012 a 2025. Como resumiu a senadora Tereza Cristina no plenário: a safra foi plantada com dólar a R$ 6 e está sendo colhida com dólar a R$ 5, com commodities em baixa e juros em alta.

    O que o produtor deve fazer agora

    A leitura da Senior: ainda não é lei. O texto volta à Câmara e o governo resiste ao uso do Fundo Social, prevendo impacto bilionário nas contas — o desenho final pode mudar. Mas o critério de acesso já está claro: comprovação documental de calamidade ou perda produtiva. Quem quer estar na fila quando a linha abrir deve organizar desde já laudos de perdas, decretos de emergência do município, registros de produtividade e a regularidade ambiental do imóvel (CAR e afins), que os bancos exigem na contratação. Documentação pronta é a diferença entre acessar juros de 3,5% a 7,5% ou continuar pagando o crédito mais caro do mercado.

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