BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Tag: Embrapa

  • Baixo carbono já cobre 65 milhões de hectares: o produtor está dentro?

    Baixo carbono já cobre 65 milhões de hectares: o produtor está dentro?

    As tecnologias de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) já estão presentes em 3,61 milhões de estabelecimentos rurais brasileiros — o equivalente a 71% dos 5,07 milhões de estabelecimentos mapeados pelo Censo Agropecuário do IBGE. Segundo a Plataforma ABC+, ferramenta oficial de monitoramento do plano, são cerca de 65 milhões de hectares sob sistemas produtivos sustentáveis em todo o país. A meta do ABC+ é chegar a 72,68 milhões de hectares até 2030.

    O que está por trás dos números

    O Plano ABC não é novidade — e é justamente isso que o torna confiável. Na primeira fase (2010-2020), o programa atingiu 54 milhões de hectares, superando em 52% a meta oficial de 35,5 milhões. No mesmo período, a linha de crédito do Programa ABC liberou R$ 32,27 bilhões em 38,3 mil contratos para financiar recuperação de pastagens degradadas, plantio direto, sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, florestas plantadas, bioinsumos e irrigação. O plantio direto, sozinho, já é adotado em cerca de 70% das áreas agrícolas do país, segundo a Embrapa.

    E o impacto não é só contábil. Dados da Embrapa Soja indicam que sistemas bem manejados de plantio direto chegam a sequestrar quase 3 toneladas de CO₂ equivalente por hectare ao ano. Entre 1990 e 2025, o ganho de produtividade evitou a incorporação de cerca de 50 milhões de hectares de novas áreas à produção — terra que não precisou ser aberta.

    O que isso significa na prática para o produtor

    Primeiro: crédito. As práticas ABC têm linha de financiamento própria, com condições melhores que o custeio convencional — e a tendência, confirmada a cada Plano Safra, é de o crédito rural exigir cada vez mais comprovação ambiental, a começar pelo CAR regularizado.

    Segundo: carbono. Com o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) em regulamentação ao longo de 2026, quem já adota recuperação de pastagem, plantio direto ou integração tem o ativo; o que falta, na maioria das fazendas, é a documentação — linha de base, monitoramento e verificação. Sem isso, a prática sustentável existe no campo, mas não vira receita.

    Terceiro: valorização da terra. Propriedade com pasto recuperado, CAR limpo e histórico produtivo documentado vale mais e vende melhor. O dado de 71% mostra que adotar tecnologia sustentável deixou de ser diferencial — virou o padrão. O diferencial agora é transformar essas práticas em ativo financeiro: crédito mais barato, crédito de carbono e liquidez patrimonial.

    O produtor que já faz o manejo certo está na metade do caminho. A outra metade — comprovar, certificar e monetizar — é onde a maioria trava. É exatamente aí que vale buscar apoio técnico especializado.

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  • Metano na pecuária: o PL 4.422 e o que muda para o produtor

    Metano na pecuária: o PL 4.422 e o que muda para o produtor

    O que aconteceu

    Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, volta ao centro do debate um projeto que mexe diretamente com a pecuária: o PL 4.422/2025, em tramitação no Senado Federal. O texto dispõe sobre a prevenção e a redução das emissões de metano de origem antrópica e estabelece obrigações de resultado para os setores de agropecuária, resíduos, energia, processos industriais e mudança do uso da terra. Na prática, ele altera a Lei 12.187/2009 (Política Nacional sobre Mudança do Clima) para incluir Planos Setoriais de controle do metano entre os instrumentos oficiais. Segundo a ficha de tramitação do Senado, a matéria passa pelas comissões de Integração Nacional, de Agricultura (CRA) e de Meio Ambiente (CMA), com decisão terminativa nesta última; o prazo de emendas correu entre 7 e 13 de abril de 2026.

    Metano na pecuária e o PL 4.422 — emissão da agropecuária 298,6 Mt CO2e
    A agropecuária é a maior fonte de metano do país: 298,6 Mt CO₂e.

    Por que isso importa para quem cria gado

    O metano é o ponto sensível da conta. De acordo com dados de inventário citados pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente, o Brasil é o quinto maior emissor global de metano, e a agropecuária responde pela maior fatia — cerca de 298,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, à frente de resíduos (66,6 milhões) e do uso da terra (27,8 milhões). A maior parte vem da fermentação entérica do rebanho bovino, ou seja, da própria digestão do animal. É por isso que qualquer marco legal sobre metano recai, antes de tudo, sobre a pecuária de corte e de leite.

    Vale registrar que o tema é controverso. Entidades do setor argumentam que o rebanho brasileiro já reduziu a intensidade de emissão por quilo de carne nas últimas décadas e cobram que metas não se transformem em custo regulatório sem contrapartida. Do outro lado, ambientalistas defendem que compromissos internacionais assumidos pelo Brasil precisam virar obrigação concreta. O projeto ainda pode mudar nas comissões — mas a direção da agenda é clara.

    O que o produtor pode fazer agora

    A boa notícia é que reduzir metano deixou de ser só discurso: já existe tecnologia disponível. A Embrapa desenvolveu metodologia para medir a emissão de metano em reprodutores bovinos, abrindo caminho para selecionar geneticamente animais menos emissores. Aditivos alimentares que cortam a emissão entérica avançam rápido — uma startup argentina anunciou em maio de 2026 um composto que reduz o metano bovino em até 90% em testes. Somam-se a isso práticas já consolidadas: integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF), recuperação de pastagens degradadas e melhoria do manejo, que aumentam a produtividade por hectare e diluem a emissão por arroba.

    A leitura Senior

    O recado é estratégico: a pecuária de baixo carbono está saindo do campo da imagem para o campo do balanço. Quem mede, reduz e comprova emissão tende a acessar mercados mais exigentes, linhas de crédito verde e, em muitos casos, a transformar a redução em crédito de carbono — receita nova sobre a mesma área. Esperar a obrigação chegar é o pior cenário: significa cumprir com pressa, sem ganho. Antecipar-se, com inventário de emissões e plano de manejo, transforma uma exigência futura em vantagem competitiva hoje. No Dia do Meio Ambiente, a melhor homenagem que o produtor pode fazer ao próprio negócio é tratar carbono e metano como o que de fato são: ativos de gestão.

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  • Pasto degradado vira cacau e carbono: a virada da bioeconomia no Pará

    Pasto degradado vira cacau e carbono: a virada da bioeconomia no Pará

    O que está acontecendo

    No Pará, áreas de pasto degradado estão deixando de ser passivo improdutivo para virar floresta produtiva. A Embrapa já desenvolve mais de 40 projetos de bioeconomia na Amazônia — boa parte no estado — recuperando solos esgotados com sistemas agroflorestais (SAFs) que combinam cacau, mandioca, banana, guaraná e castanha. Perto da Floresta Nacional de Carajás, o plantio de banana cria a sombra ideal para o cacau crescer ao lado de espécies florestais. O movimento ganhou reforço institucional: em abril de 2026, o governo federal lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que coloca a biodiversidade no centro da estratégia econômica do país.

    Como o modelo funciona — e por que dá dinheiro

    A lógica é transformar terra degradada em três receitas ao mesmo tempo: produção de alto valor, ativo ambiental e crédito de carbono. A Belterra Agroflorestas, que atua no Pará e em outros estados, opera cerca de 2.500 hectares de SAF, substitui o gado por cacau de alto valor e projeta capturar aproximadamente 500 mil toneladas de carbono até 2030. Para acelerar a expansão, o BNDES aprovou R$ 100 milhões pelo Fundo Clima — parte de um investimento total de R$ 135 milhões para revitalizar 2.750 hectares até 2027, com sequestro estimado de 850 mil toneladas de carbono. Em outras palavras: já há capital de peso enxergando o pasto degradado amazônico como oportunidade, não como problema.

    Por que isso interessa ao produtor paraense

    O Pará é o maior produtor de cacau do Brasil — cerca de 52% da produção nacional — e convive com milhões de hectares de pastagem em algum grau de degradação. Recuperar essa área com SAF não é filantropia ambiental: é diversificar renda, reduzir a dependência de uma única commodity, valorizar a terra e abrir a porta para o mercado de carbono, que remunera por tonelada sequestrada. Em um estado que sediou a COP30 e segue no centro das atenções ambientais do mundo, propriedade regular e com floresta produtiva tende a valer mais e a vender melhor.

    O que o produtor deve avaliar

    Antes de converter pasto em sistema agroflorestal, vale confirmar a regularidade ambiental (CAR ativo, sem embargo), mapear a área degradada e seu potencial de recuperação, dimensionar o cacau e as espécies do consórcio e, principalmente, entender como acessar o financiamento — Fundo Clima e linhas de baixo carbono — e como habilitar a área para projetos de carbono. É um investimento de médio prazo, já que o cacau leva alguns anos para produzir, mas combina fluxo de caixa futuro com valorização patrimonial imediata.

    A leitura Senior

    Pasto degradado é capital parado. A bioeconomia paraense mostra que recuperar essa terra pode pagar duas vezes: na renda do cacau e na tonelada de carbono. Mas o que destrava o acesso a financiamento e a projetos de carbono é a regularidade ambiental da propriedade. Quem organiza CAR, passivos e documentação primeiro chega à mesa do investidor — quem deixa para depois assiste o vizinho capturar o prêmio.

    Precisa de consultoria agroambiental?
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