BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Tag: El Niño

  • Frete do milho safrinha sobe até 10% em julho e aperta a margem do produtor

    O frete do milho safrinha virou o novo vilão da margem do produtor neste mês de julho. Com a colheita avançando entre junho e setembro, os custos de transporte rodoviário devem subir cerca de 10% em julho, segundo levantamentos do setor de logística agrícola. Os valores de frete já vinham operando perto dos picos de fevereiro e março — quando a soja dominava as rotas — e agora é o milho que disputa caminhão, estrada e porto.

    Por que o frete do milho safrinha está subindo

    Três fatores se somam. Primeiro, a produção recorde de grãos de 2025/26 mantém a demanda por transporte aquecida desde o início do ano, sem folga na frota. Segundo, a infraestrutura do Arco Norte — principal rota de escoamento do Centro-Oeste — está comprometida: a BR-163 tem 156 quilômetros em condição degradada (23,3% da rodovia) e a Transamazônica (BR-230) soma 953 quilômetros em estado ruim ou péssimo. Estrada ruim significa viagem mais lenta, mais manutenção e frete mais caro.

    Terceiro, o clima: a previsão de El Niño para o segundo semestre tende a reduzir as chuvas no Norte do país, baixando o calado das hidrovias. Barcaças carregando menos por viagem devolvem volume para a estrada — exatamente na janela em que o milho mais precisa dela.

    O impacto no bolso de quem produz

    Frete é o custo que o produtor menos controla e o que mais corrói a margem em ano de preço pressionado. Com o milho disponível (ESALQ/BM&FBovespa) operando na casa dos R$ 65 por saca e a colheita pressionando as cotações, cada real a mais no transporte sai diretamente da remuneração de quem colheu. Para quem está longe do porto, no norte de Mato Grosso, o frete pode consumir mais de 30% do valor da saca em anos de logística apertada.

    O que o produtor pode fazer agora

    Algumas decisões ajudam a defender a margem: negociar frete com antecedência em vez de disputar caminhão no pico da colheita; avaliar contratos com armazenagem local para escalonar a venda e o embarque fora da janela de maior pressão; comparar rotas (Arco Norte versus portos do Sul e Sudeste) considerando o estado real das estradas; e usar o mercado futuro da B3 para travar preço enquanto o grão espera logística melhor. Quem tem armazém próprio ou condomínio de armazenagem tem, neste momento, uma vantagem competitiva concreta.

    Vale também colocar o custo logístico na conta da expansão: terra mais barata e distante do porto pode custar caro no frete — um fator que deve entrar em qualquer análise de investimento em terras e de viabilidade da próxima safra.

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  • Resumo da semana no agro: café dispara, soja avança e tarifa dos EUA no radar

    Resumo da semana no agro: café dispara, soja avança e tarifa dos EUA no radar

    Toda segunda-feira, a Senior reúne o que moveu o agro na semana anterior — com a leitura do que cada fato significa para a decisão de quem está no campo.

    Grãos

    A soja subiu 3,33% no interior do Paraná, com a saca de 60 kg passando de R$ 128,41 para R$ 132,69 (Cepea), sustentada pelo ritmo forte de embarques: nos três primeiros dias úteis de julho o Brasil exportou 1,507 milhão de toneladas, com preço médio 7,5% maior que o de julho de 2025 e receita de US$ 661,2 milhões (Secex). O milho seguiu pressionado, a R$ 64,37/sc (Cepea), com a colheita da safrinha em Mato Grosso atingindo 60% da área. Na sexta (10), o relatório WASDE do USDA cortou as safras de milho e soja dos EUA e reduziu os estoques globais de trigo para 272,84 milhões de toneladas — suporte para os preços internacionais.

    Pecuária

    O boi gordo devolveu parte dos ganhos de junho: o indicador Cepea/B3 fechou a sexta a R$ 326,65/@, queda de 0,97% na semana e de 2,90% na parcial de julho. No campo político-sanitário, 14 entidades da pecuária divulgaram nota conjunta contra a adoção das exigências da União Europeia sobre antimicrobianos, enquanto o governo negocia para evitar a suspensão das importações de carne bovina e de frango pela UE a partir de 3 de setembro.

    Exportações & mercado

    A balança comercial da primeira semana de julho somou US$ 5,89 bilhões em exportações (+40,6% sobre julho/2025), com superávit de US$ 2,27 bilhões. O destaque de preços foi o café: o arábica disparou 7,74% na semana, a R$ 1.762,83/sc (Cepea), e o robusta subiu 3,64%, a R$ 1.109,55/sc.

    Política & crédito

    O governo publicou o Decreto 13.018, que regulamenta o pagamento por serviços ambientais (PSA) — nova fonte potencial de renda para quem preserva. E segue a contagem regressiva para 15 de julho, prazo da tarifa americana de 25% sobre produtos brasileiros. O dólar abriu a semana a R$ 5,11.

    Clima

    O Centro de Previsão Climática dos EUA elevou para 81% a chance de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro — potencialmente entre os maiores desde 1950, com chuva acima da média no Centro-Sul e seca no Norte/Nordeste na safra 2026/27.

    O que fica para o produtor

    1) Soja: a janela segue aberta. Prêmio de exportação e dólar acima de R$ 5,10 favorecem travar parte da produção — quem esperou até aqui foi premiado, mas o WASDE mostrou Brasil recordista, e oferta grande limita o teto.

    2) Boi: julho já cai 2,9%. Com escalas confortáveis e China mais lenta, proteger preço na B3 para o segundo semestre voltou a ser decisão de gestão, não de opinião.

    3) Tarifa dos EUA decide a semana. Exportador de carne, café e suco deve definir cenários antes de 15/07 — e quem preserva deve olhar o PSA: preservação começa a virar receita.

    Agenda da semana

    Segunda (13): Boletim Focus, balança parcial do MDIC e condições de lavouras dos EUA (USDA). Terça (15): prazo da tarifa americana de 25%. Na semana: estimativa de safra de grãos 2025/26 da Conab e estimativa da safra de trigo 2026.

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  • El Niño volta no inverno de 2026: risco de geada no Sul e seca no Norte

    El Niño volta no inverno de 2026: risco de geada no Sul e seca no Norte

    El Niño deve se firmar no inverno de 2026

    Depois de meses sob influência de uma La Niña fraca, marcada por chuvas irregulares e veranicos, os modelos climáticos indicam uma virada. Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, há mais de 60% de chance de o El Niño se estabelecer já no trimestre maio–junho–julho, com probabilidade superior a 90% no segundo semestre. O Inmet também sinalizou possíveis impactos do fenômeno na projeção agroclimática para o período.

    O que muda no clima do campo

    O El Niño tende a tornar mais escassos os episódios de frio intenso e duradouro: as massas de ar frio passam a se intercalar com períodos mais aquecidos, aumentando a amplitude térmica. Mesmo assim, algumas frentes frias ainda devem chegar ao Sul, com risco de geada pontual em Santa Catarina e nos estados vizinhos. O padrão esperado é de mais chuva no Sul, tempo mais seco no Norte e temperaturas acima da média em boa parte do Centro-Sul ao longo do outono e do inverno.

    Impacto direto na safra e na pecuária

    Para quem está no campo, o cenário pede atenção em duas pontas. As culturas de inverno, como trigo e outros cereais, são sensíveis ao excesso de umidade no Sul, principalmente nas fases de floração e enchimento de grãos, quando a chuva em demasia favorece doenças e compromete a qualidade. Já no Norte e no Nordeste, a tendência de redução das chuvas eleva o risco de estiagem, prejudicando sistemas de sequeiro e a implantação da safra de verão. Na pecuária, a irregularidade hídrica afeta a rebrota das pastagens e o planejamento da suplementação no período seco.

    O que o produtor deve fazer agora

    Antecipar decisões é a melhor defesa contra a volatilidade climática. No Sul, vale revisar o calendário de plantio das culturas de inverno, reforçar a drenagem e o monitoramento fitossanitário diante da umidade. No Norte e Nordeste, o foco deve ser a gestão da água, o ajuste da lotação das pastagens e o planejamento de reservas de volumoso. Em todas as regiões, a contratação de seguro rural e o uso de previsões climáticas regionalizadas reduzem a exposição a perdas — sobretudo num ano em que crédito e recursos para o seguro estão mais restritos.

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  • La Niña agora, El Niño à vista: como blindar a safra 2026/27

    La Niña agora, El Niño à vista: como blindar a safra 2026/27

    Dois fenômenos no mesmo ciclo de planejamento

    O agro brasileiro vive uma transição climática rara dentro de um único horizonte de planejamento. Boa parte de 2026 segue sob influência da La Niña — resfriamento anormal das águas do Pacífico equatorial —, que tende a concentrar chuvas no Centro-Oeste e a reduzir as precipitações no Sul. Ao mesmo tempo, os principais modelos de previsão (NOAA, do centro europeu ECMWF e do Inmet) já convergem para a consolidação de um El Niño entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. Em outras palavras: quem planeja a safra 2026/27 precisa olhar para dois regimes climáticos opostos ao mesmo tempo.

    O que isso significa na lavoura

    A La Niña costuma cobrar o seu preço de forma desigual. No Centro-Oeste, principal polo de grãos do país, o risco não é a falta de chuva, mas a má distribuição dela ao longo do ciclo, com veranicos em momentos críticos de enchimento de grão. No Sul, o excesso hídrico pode atrapalhar plantio e colheita, enquanto o Nordeste e partes do Norte tendem a enfrentar estiagens mais severas. A virada para El Niño, por sua vez, embaralha a janela de plantio da safra seguinte e acende um alerta específico para a segunda safra de milho, historicamente a mais sensível à irregularidade de chuvas no fim do ciclo.

    Os números por trás do otimismo

    Apesar do quadro instável, as projeções de produção seguem positivas no agregado. O IBGE estima crescimento de 1,1% na safra de soja, que deve chegar a 167,7 milhões de toneladas, enquanto a Conab projeta uma safra total de grãos de 358 milhões de toneladas. O recado dos números, porém, é que a média nacional esconde riscos regionais relevantes: a mesma temporada que entrega recorde para uns pode trazer perdas pontuais e severas para quem está na ponta errada do mapa climático.

    O que o produtor deve fazer

    O planejamento da próxima safra não pode tratar o clima como variável de sorte. Escalonar datas de plantio, diversificar cultivares com diferentes ciclos e níveis de tolerância, revisar o manejo de solo para retenção de água e reforçar o monitoramento agrometeorológico da propriedade são medidas que reduzem a exposição tanto à La Niña quanto ao El Niño que se aproxima. Igualmente importante é avaliar instrumentos de proteção de renda, como seguro rural e travas de preço, antes que a volatilidade climática se transforme em volatilidade de mercado.

    Em um ciclo marcado por dois fenômenos opostos, a informação antecipada vira ativo produtivo. Decidir com base no calendário climático — e não apesar dele — é o que coloca o produtor um passo à frente da próxima virada.

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