BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Tag: cotações

  • Relatório WASDE de julho: USDA corta estoque de milho e mantém soja

    O relatório WASDE de julho, divulgado pelo USDA na sexta-feira (10), trouxe um recado dividido para o mercado de grãos: os estoques finais de milho foram reduzidos, sinalizando oferta mais enxuta nos Estados Unidos, enquanto os estoques de soja da safra 2026/27 ficaram inalterados. Para o Brasil, o departamento americano manteve as projeções de safra recorde: 175 milhões de toneladas de soja e 131 milhões de toneladas de milho no ciclo 2026/27.

    O que o relatório WASDE mudou no milho

    O corte nos estoques americanos de milho foi o ajuste mais expressivo do relatório e deu sustentação aos preços: o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta de 3,16%. Oferta mais apertada nos EUA tende a dar suporte às cotações internacionais justamente no momento em que a colheita da safrinha brasileira avança e pressiona os preços internos — no Norte Central do Paraná, a saca era negociada na sexta em torno de R$ 68,00, enquanto no Norte mato-grossense o valor rondava R$ 40,00, segundo levantamentos regionais.

    Soja: sem gatilho de alta, exportação é o suporte

    Na soja, a manutenção dos estoques finais americanos tira do radar um gatilho imediato de alta. O sustento dos preços segue vindo do ritmo forte de embarques brasileiros e da demanda aquecida. A Conab, no 9º levantamento, estima a safra 2025/26 já colhida em 180,3 milhões de toneladas — e o próprio USDA projeta novo recorde para o ciclo seguinte. Em resumo: oferta global confortável, sem espaço para esperar grandes ralis.

    O que isso significa para a sua comercialização

    Para o produtor de milho, o suporte externo criado pelo corte de estoques nos EUA pode abrir janelas pontuais de venda mesmo com a safrinha recorde entrando no mercado. Vale acompanhar a paridade de exportação nos portos do Arco Norte e travar volumes quando o prêmio compensar — esperar o fundo do mercado com 140 milhões de toneladas colhidas no país costuma ser aposta cara.

    No caso da soja, o cenário de estoques estáveis reforça a estratégia de vendas escalonadas: aproveitar os repiques de câmbio e de prêmio em vez de concentrar a venda numa única janela. E, com margens mais apertadas por causa dos custos de insumos ainda pressionados, cada real por saca faz diferença — planejamento comercial e financeiro deixou de ser luxo, é sobrevivência.

    Quem pensa além da safra atual deve olhar também para o ativo terra e para as receitas ambientais da propriedade, que não dependem do humor de Chicago. Diversificar a renda da fazenda é a proteção mais barata contra relatório de oferta e demanda.

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  • Boi gordo encerra junho a R$ 348/@: hora de travar preço na B3?

    O boi gordo encerrou junho de 2026 pressionado. O indicador do Cepea/Esalq recuou 3,2% entre o fim de maio e a parcial do dia 26, fechando o mês com média de R$ 348,6 por arroba. É, ao mesmo tempo, o maior valor nominal já registrado para um mês de junho — no ano, frente ao último preço de 2025, a arroba ainda acumula alta de 6,1% — e um sinal de que o curto prazo segue incerto para quem está com animais prontos no cocho ou no pasto.

    Boi gordo: por que o recorde nominal não anima o pecuarista

    Recorde no papel não é recorde no bolso. Dois fatores explicam a cautela. O primeiro é a exportação: o Brasil já atingiu o limite da cota de carne bovina sem tarifa adicional para a China, seu principal comprador, o que tira fôlego da demanda externa no curto prazo. O segundo é o custo de reposição. O preço da arroba do bezerro caiu pelo segundo mês seguido e atingiu o menor patamar de 2026 desde fevereiro, mas, a R$ 475,3/@ na parcial de junho, ainda está 16,2% acima de junho de 2025 — também recorde nominal para o período. Ou seja: o boi pronto perde força enquanto a reposição continua cara, e a margem do pecuarista fica espremida no meio.

    O que a B3 está dizendo sobre o segundo semestre

    O mercado futuro ajuda a enxergar a tendência. A B3 mantém cautela e precifica relativa estabilidade da arroba até setembro, com expectativa de recuperação apenas gradual nos contratos de outubro a dezembro. Mas a volatilidade é alta: o contrato de dezembro, que abriu a semana de 22 de junho cotado perto de R$ 360/@, encerrou poucos dias depois pouco acima de R$ 350/@. Esse vai e volta mostra que apostar só no “fim de ano melhor” sem estratégia é deixar o resultado da fazenda à mercê da especulação.

    O que o produtor deve fazer agora

    Estamos num ciclo pecuário de alta no longo prazo, mas o curto prazo está pressionado — e é exatamente nesse cenário que a gestão de risco separa quem protege a margem de quem só torce. Vale avaliar travar parte da produção via contratos futuros ou opções na B3 quando os preços de outubro a dezembro abrirem janelas acima do custo, escalonar vendas em vez de concentrar tudo num único momento, e revisar o custo de reposição antes de recompor o rebanho a qualquer preço. Mais do que adivinhar o topo, o objetivo é garantir que cada arroba vendida cubra o custo e ainda deixe resultado.

    Decisão de venda e de reposição é decisão financeira — e, num ano de juro alto e margem apertada, o planejamento de fluxo de caixa vale tanto quanto o preço da arroba.

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  • Bezerro perde ágio para o boi e abre janela de reposição

    Bezerro perde ágio para o boi e abre janela de reposição

    O que mostram os números

    Na primeira metade de junho, o bezerro (CEPEA, Mato Grosso do Sul) foi cotado a R$ 3.398,80 por cabeça, queda de 0,6% frente ao fim de maio. Em arroba, o indicador ficou em R$ 480,40, recuo de pouco mais de 1% no mês. No mesmo período, o boi gordo se recuperou e caminha para o maior patamar nominal da história, na casa dos R$ 353 a arroba. O resultado: o ágio do bezerro frente ao boi gordo caiu ao menor nível mensal desde fevereiro.

    O que isso significa para o pecuarista

    O bezerro continua caro em termos históricos — a arroba de R$ 480,40 está 17,4% acima da média de junho de 2025 e supera o antigo recorde para o mês, de 2021. No acumulado do ano, a reposição sobe 10,8%. Ou seja: não é um preço “barato”, mas o movimento de junho muda a relação de troca a favor de quem engorda. Com o boi subindo mais rápido que o bezerro, cada arroba de boi gordo passa a comprar um pouco mais de reposição do que comprava na virada do ano.

    Para o criador, que vende bezerro, o recado é aproveitar patamares ainda elevados e travar boas vendas antes que a tendência de acomodação se aprofunde. Para o recriador e o engordador, a janela merece cálculo fino: comprar reposição agora, com o ágio menor, pode fazer sentido se o preço futuro do boi sustentar a margem na hora do abate.

    Decisão é de gestão, não de palpite

    A conta que importa não é só o preço do bezerro hoje, mas a relação entre o custo de reposição, o custo de engorda (pasto, suplementação, milho) e o preço esperado do boi no fim do ciclo. Em um ano de margens apertadas, quem planeja a compra com base em projeção de fluxo de caixa — e não na euforia do mercado — tende a capturar a janela sem se expor demais. Monitorar a evolução do ágio nas próximas semanas é parte essencial dessa decisão. Vale também acompanhar a oferta de pasto e o custo do milho nos próximos meses: em um inverno seco, a engorda fica mais cara e pode anular o ganho obtido na compra do bezerro mais barato. Travar parte da produção em mercado futuro é uma forma de proteger essa margem.

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  • Açúcar cai 30% e usina aposta no etanol: a conta do canavial

    Açúcar cai 30% e usina aposta no etanol: a conta do canavial

    O que aconteceu

    O setor sucroenergético entrou em 2026 com o preço do açúcar em forte queda. Em maio, o açúcar cristal acumulou recuo de 30,75% frente ao mesmo mês de 2025, com média de R$ 95,22 por saca de 50 kg. No mercado externo, as exportações de açúcar VHP somaram 1,8 milhão de toneladas, queda de 10% no ano, e as cotações internacionais caíram mais de 20% na comparação anual. Diante disso, as usinas do Centro-Sul recalibraram a produção: a fatia destinada ao etanol subiu para 61,84% do mix da safra, contra 54,77% no ciclo anterior.

    Por que o açúcar perdeu força

    A pressão vem da oferta global cheia, com produtores relevantes colhendo bem e o mercado atento aos efeitos do El Niño sobre a próxima temporada. Quando o açúcar não remunera, a usina faz o que a economia manda: desloca a moagem para o produto que paga melhor — neste momento, o etanol. Essa flexibilidade é a grande força do parque sucroenergético brasileiro, capaz de girar a chave entre açúcar e álcool conforme o preço relativo. Para o canavial, porém, a virada tem consequências diretas no bolso.

    O que muda para quem fornece cana

    O fornecedor de cana é remunerado por modelos atrelados aos preços do açúcar e do etanol (caso do Consecana). Com o açúcar em baixa, o valor da tonelada de cana tende a sentir o impacto, mesmo com a usina priorizando o álcool. O recado prático é de gestão: conhecer o custo real de produção por hectare, acompanhar de perto a fórmula de remuneração e evitar decisões baseadas só no humor do mercado de curto prazo. Em ciclo de preço apertado, eficiência agrícola — produtividade do canavial, qualidade da matéria-prima e controle de custos de colheita e transporte — é o que protege a margem.

    A oportunidade no outro lado da moeda

    Etanol valorizado dentro do mix abre espaço para quem está posicionado na cadeia do combustível, e o cenário de longo prazo segue favorável: a demanda por bioenergia cresce, e o etanol ganha relevância na agenda de descarbonização. Vale ao produtor avaliar contratos, prazos de pagamento e janelas de comercialização com a usina parceira, em vez de apenas reagir ao preço spot. Planejamento de safra com o custo na ponta do lápis, e não no improviso, é o que diferencia quem atravessa a baixa de quem fica refém dela.

    Bioenergia e o ativo ambiental

    O canavial bem manejado é também um ativo ambiental. Práticas de baixo carbono, aproveitamento de subprodutos e regularização da propriedade agregam valor a uma cadeia cada vez mais cobrada por sustentabilidade — e podem abrir portas em mercados e financiamentos que premiam quem comprova boas práticas. Em um setor que vive de ciclos de preço, construir esse diferencial é estratégia, não custo.

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  • Trigo: safra menor pode levar Brasil a importação recorde em 2026

    Trigo: safra menor pode levar Brasil a importação recorde em 2026

    O que está acontecendo

    O mercado de trigo entra no segundo semestre com um desequilíbrio claro: o consumo nacional gira entre 12 e 13 milhões de toneladas por ano, enquanto a produção doméstica deve ficar abaixo desse volume na safra 2026. O resultado é que o Brasil pode registrar uma das maiores necessidades de importação de trigo da sua história para fechar a conta interna. No mercado externo, o contrato de julho de 2026 em Chicago encerrou recentemente a US$ 6,08 por bushel, em queda — pressão que, somada ao câmbio valorizado, mantém o trigo importado competitivo e limita altas no mercado brasileiro.

    Por que os preços não disparam, mesmo com oferta curta

    À primeira vista, oferta restrita deveria empurrar os preços para cima. No Sul, de fato, produtores já elevaram as pedidas diante da perspectiva de safra menor, e a escassez do trigo velho sustenta as cotações. Mas há um teto: a paridade de importação. Com o dólar mais barato e Chicago em baixa, comprar trigo lá fora fica vantajoso para os moinhos, o que freia a valorização do produto nacional. É o clássico cabo de guerra entre a escassez interna e a competitividade do importado — e, por enquanto, o importado segura a ponta.

    O que isso significa para o produtor

    Para quem planta trigo no Sul e no Cerrado, o recado é de cautela na comercialização. A perspectiva de menor produção dá algum poder de barganha, mas a entrada da nova safra a partir do último trimestre pode pressionar os preços justamente quando o grão chega ao mercado. Travar parte da produção em janelas favoráveis, acompanhar o câmbio de perto e não concentrar toda a venda em um único momento são posturas que protegem a margem. O trigo segue sendo uma boa opção de inverno para diversificar a renda e melhorar o uso do solo entre as safras de verão — desde que a conta de custo por hectare feche.

    A leitura de fundo

    A dependência crônica de importação expõe uma oportunidade estrutural: há espaço real para o Brasil produzir mais trigo e reduzir a fatura externa, especialmente com o avanço da triticultura no Cerrado. Mas isso passa por planejamento de longo prazo, escolha correta de áreas e gestão de risco — clima, câmbio e custo de insumos pesam tanto quanto a produtividade. Enxergar o trigo dentro de uma estratégia de rotação e de uso eficiente da terra, e não como aposta isolada de um ano, é o que separa o produtor que aproveita o ciclo daquele que apenas reage a ele.

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  • Resumo da semana no agro: frio ameaça lavouras e Plano Safra se aproxima

    Resumo da semana no agro: frio ameaça lavouras e Plano Safra se aproxima

    Toda segunda-feira, a Senior reúne o que moveu o agro na semana anterior — com a leitura do que cada fato significa para a decisão de quem está no campo.

    Grãos

    O milho seguiu sob pressão baixista: o Indicador ESALQ/B3 voltou à casa dos R$ 65/saca e a referência em Campinas fechou perto de R$ 64,51, o menor patamar desde outubro. O peso vem do avanço da colheita da segunda safra e da retração dos compradores. Na soja, a demanda externa sustentou os preços internos, com embarques recordes no acumulado de janeiro a maio — mas a Agroconsult já sinaliza margens mais apertadas para 2026/27.

    Pecuária

    O boi gordo manteve força: a média parcial de junho ficou em torno de R$ 352,8/@ (Cepea, até o dia 9), mais de 12% acima de junho de 2025 e em rota de recorde para o período. Oferta restrita de animais e bom momento das exportações sustentam a arroba.

    Exportações & mercado

    O agro confirmou força no comércio exterior: o primeiro trimestre de 2026 somou US$ 38,1 bilhões em exportações, recorde para o período, com superávit superior a US$ 33 bilhões. No campo da produção, a Conab reforçou a expectativa de safra recorde de grãos, próxima de 358 milhões de toneladas.

    Política & crédito

    As atenções se voltam ao Plano Safra 2026/27, que deve ser anunciado até o fim de junho. O Ministério da Agricultura pleiteia taxas de juros de um dígito para o custeio — pleito em discussão com Fazenda, Tesouro e Casa Civil. Para referência, o Plano 2025/26 reuniu R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 78,2 bilhões para a familiar.

    Clima

    Uma massa de ar polar avançou sobre o Centro-Sul, com risco de geada para café, milho, feijão e pastagens, sobretudo no Paraná. A previsão aponta uma segunda frente fria, mais intensa, na última semana de junho, com temperaturas abaixo de 10°C em amplas áreas.

    O que fica para o produtor

    Primeiro: com milho em baixa e boi em alta, quem tem confinamento ou recria ganha relação de troca favorável — momento de revisar dietas e travar custo de reposição de grão. Segundo: antes do Plano Safra, vale organizar documentação e fluxo de caixa para acessar crédito nas melhores condições assim que as taxas saírem. Terceiro: a geada não é só risco do café — pasto queimado no auge da seca pressiona o custo do pecuarista; reservar forragem agora é mais barato que socorrer o rebanho depois.

    Agenda da semana

    Acompanhe o anúncio do Plano Safra 2026/27, os boletins de geada do Inmet diante da frente fria prevista para o fim do mês e os relatórios de oferta e demanda da Conab e do USDA, que ajudam a calibrar as projeções de grãos.

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    📌 Leia também: Plano Safra 2026/27: o que esperar do crédito rural | Exportação de carne bovina salta 70% | Cotações agrícolas de maio 2026

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  • Leite em alta: preço ao produtor é recorde da série do Cepea

    Leite em alta: preço ao produtor é recorde da série do Cepea

    O preço do leite pago ao produtor voltou a subir e, segundo o Cepea/Esalq, a captação de junho de 2026 alcançou o maior patamar da série histórica iniciada em 2005. É o quarto mês consecutivo de valorização: na Média Brasil, o litro chegou a R$ 2,6584 em abril, alta de 10,4% sobre março, e seguiu firme em maio e junho. Depois de nove meses de queda ao longo de 2025, o leite reagiu com força no primeiro semestre.

    O que está empurrando o preço

    O motor da alta é a oferta curta no campo. A entressafra reduziu o volume disponível e acirrou a concorrência entre os laticínios pela matéria-prima — o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) do Cepea recuou no acumulado do trimestre, confirmando o aperto. Com menos leite na esteira e indústrias disputando o que existe, o produtor com escala e regularidade ganhou poder de barganha que não tinha desde o fim de 2024.

    O quadro, porém, tem prazo de validade. Os próprios pesquisadores do Cepea já apontam sinais de desaceleração a partir do meio do ano: à medida que a relação de troca melhora e o custo de produção dá alívio, tende a haver reação na oferta — e mais leite no mercado, mais cedo ou mais tarde, devolve parte do prêmio atual. Vale lembrar que, mesmo no recorde nominal, parte do ganho apenas recompõe a perda de poder de compra acumulada nos meses de queda de 2025.

    O que o produtor deve fazer agora

    A leitura da Senior é direta: preço bom é hora de organizar a casa, não de relaxar. Três frentes valem prioridade. Primeiro, travar custo onde der — negociar insumos e ração aproveitando a margem atual, porque a janela de preço alto raramente coincide com a janela de custo baixo por muito tempo. Segundo, melhorar a eficiência da captação: qualidade do leite (CCS e CBT), volume regular e logística confiável são exatamente o que faz o laticínio pagar o topo da tabela quando a oferta voltar a crescer. Terceiro, não confundir ciclo com tendência — quem expandir rebanho apostando que o preço recorde veio para ficar pode se ver pressionado quando a oferta normalizar no segundo semestre.

    Há ainda um movimento estrutural que conversa com o leite: rastreabilidade e responsabilidade ambiental viram critério de acesso a contratos melhores, dentro e fora do país. Propriedade regularizada, manejo documentado e pastagem recuperada não são custo — são o que coloca o produtor na fila dos fornecedores preferenciais quando a indústria seleciona. Quem usa o caixa do momento bom para arrumar a base sai do ciclo mais forte do que entrou.

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  • Soja: ANEC corta embarque de junho e dólar segura o preço interno

    Soja: ANEC corta embarque de junho e dólar segura o preço interno

    O que aconteceu

    A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) reduziu a projeção de embarques de soja em grão do Brasil em junho de 2026 para 12,359 milhões de toneladas — volume cerca de 10% abaixo das 13,790 milhões de toneladas registradas no mesmo mês de 2025. O farelo de soja deve ficar em torno de 1,9 milhão de toneladas, praticamente estável frente a maio. Os números vêm do levantamento semanal da entidade e ajudam a explicar o comportamento dos preços nesta primeira semana de junho.

    Chicago cai, mas o dólar segura o físico

    Na Bolsa de Chicago, a soja vem perdendo força com o avanço do plantio norte-americano e a expectativa de oferta global ampla. No mercado interno, porém, o efeito da queda externa tem sido amortecido pelo câmbio. No indicador CEPEA/Esalq, a soja em Paranaguá (PR) encerrou maio cotada a R$ 124,53 por saca, com alta de 1,0% no mês — descolada da Bolsa justamente por causa do dólar firme e dos prazos de pagamento alongados, que mantêm os negócios ativos nos principais polos compradores.

    Por que o embarque está menor

    A queda na projeção de junho não significa demanda fraca. Ela reflete, sobretudo, que boa parte de uma safra recorde já foi escoada no primeiro semestre, somada à concorrência dos Estados Unidos na janela de exportação e a um ritmo de compras chinês mais espaçado. Em outras palavras: o Brasil exporta menos em junho porque vendeu muito — e cedo. Para quem ainda tem produto em estoque, o recado é que a liquidez externa não vai puxar o preço para cima no curto prazo; o suporte está no câmbio.

    O que o produtor deve observar

    Três pontos merecem atenção. Primeiro, o custo de carrego (armazenagem, juros e capital parado) segue elevado — segurar soja esperando valorização tem preço, e ele precisa entrar na conta. Segundo, com Chicago pressionada, as janelas de venda mais interessantes tendem a aparecer em momentos de dólar mais alto, não de Bolsa mais alta. Terceiro, vale acompanhar de perto a relação de troca soja/insumos antes da próxima safra, que define a real rentabilidade do que está sendo comercializado agora.

    A leitura Senior

    Decisão de venda de grão não se separa da gestão do patrimônio rural. Produtor que conhece o custo real da sua terra, está com a documentação ambiental em dia e tem acesso a crédito estruturado negocia de posição mais forte — não precisa vender no pior momento por falta de caixa. É aí que planejamento patrimonial e ambiental viram vantagem comercial concreta.

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    Fontes: Canal Rural, Investing/Reuters (ANEC), CEPEA/Esalq, Notícias Agrícolas.

  • Exportação puxa o boi a R$ 350, mas o futuro acende um alerta

    Exportação puxa o boi a R$ 350, mas o futuro acende um alerta

    A força que vem de fora

    Para entender o preço do boi no campo em junho, é preciso começar pelos portos. As exportações de carne bovina vivem um dos melhores momentos da série histórica: o Brasil embarcou 953 mil toneladas no primeiro quadrimestre de 2026, um avanço que chega a 30% na comparação anual. E não é só volume — é preço. Até a terceira semana de maio, o faturamento diário das vendas externas alcançou US$ 88,07 milhões, alta de 63,1% frente aos US$ 54,00 milhões de maio de 2025, puxada pelos importadores chineses, que passaram a pagar mais caro pela proteína brasileira. O movimento se encaixa num quadro exportador robusto: o agro fechou abril com US$ 16,6 bilhões (+12%, o segundo melhor mês da história) e o primeiro trimestre com US$ 38,1 bilhões e superávit de US$ 33 bilhões, tendo a China como quase 30% de toda a pauta.

    O reflexo na arroba

    Essa demanda externa aquecida é o que sustenta o preço dentro da porteira. Quando o frigorífico vende mais e mais caro lá fora, ele compra o boi com mais disposição aqui dentro — e foi justamente isso que ajudou a arroba a se recuperar na segunda metade de maio, voltando a se aproximar dos R$ 350,00, com a referência CEPEA/Esalq encerrando o mês em torno de R$ 349,70. Em plena entressafra, com menos animais prontos para o abate, o pecuarista ganha poder de negociação. A exportação, na prática, funciona como um piso para o mercado físico.

    O alerta que o mercado já deu

    Aqui está o ponto que exige sangue-frio. Enquanto o boi físico subia, a B3 fechou maio precificando queda nos contratos futuros, projetando junho e julho abaixo do valor atual da arroba. Em outras palavras: o mercado aposta que essa recuperação pode ser temporária. Para quem vende boi, isso muda a estratégia — segurar animal esperando uma alta que a própria curva futura não enxerga é uma aposta arriscada.

    E os grãos? Seguem no vermelho

    Nem todo mundo no campo surfa esse momento. Enquanto a pecuária reage, soja e milho continuam como os destaques negativos do ano. O milho recuou cerca de 3,0% no acumulado de maio e a soja conseguiu apenas 1,0% de alta em Paranaguá (PR) — e, mesmo com leve valorização em dólar, o grão segue abaixo do valor nominal de 2024 e 2025. Ou seja: o produtor de grãos vende hoje mais barato do que vendia há dois anos, pressionado por uma safra cheia e por uma demanda global que não acompanha o volume colhido.

    O que fica para o produtor

    Para o pecuarista, o recado é de disciplina: avaliar travas de preço no mercado futuro para garantir a margem perto de R$ 350, em vez de apostar todas as fichas em uma alta que o mercado não projeta. Vale lembrar que o prêmio dos mercados premium, como a China, vai cada vez mais para quem comprova procedência e regularidade ambiental — propriedades com CAR em dia, passivos resolvidos e práticas de baixo carbono capturam melhor esse ganho. Para o produtor de grãos, o ano de preços deprimidos reforça a importância de olhar além da cotação do dia: reduzir custo por saca, diversificar receita e considerar ativos de longo prazo, como projetos ambientais e valorização fundiária. Em margens apertadas, gestão de risco e regularização deixam de ser opcionais — são o que separa o resultado de hoje de um resultado duradouro.

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  • Resumo da semana: boi firme, milho em baixa e Plano Safra no radar

    Resumo da semana: boi firme, milho em baixa e Plano Safra no radar

    Toda segunda-feira, a Senior reúne o que moveu o agro na semana anterior — com a leitura do que cada fato significa para a decisão de quem está no campo.

    Grãos: milho em baixa, soja resistindo

    O milho fechou a semana pressionado: o Indicador ESALQ/B3 ficou em torno de R$ 65,47 a saca, acumulando recuo de cerca de 1,7% a 3,0% em 30 dias, mesmo com a geada registrada no Paraná. A B3, porém, sinaliza preços melhores com demanda firme para o segundo semestre. A soja teve comportamento oposto, com leve alta de cerca de 1,0% no mês, ainda que pressionada lá fora pela queda do petróleo e do farelo em Chicago.

    Pecuária: boi gordo sustentado pela exportação

    O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou a R$ 347,80 a arroba em 26 de maio, alta de 0,87% sobre o dia 19. Mesmo com a recuperação no fim do mês, o boi ainda acumulou queda no comparativo mensal (entre 1,9% e 2,7%, conforme a base). Para o Cepea, o que segura os preços é a combinação de exportações aquecidas e oferta restrita de animais para abate.

    Exportações & mercado

    O agro seguiu puxando a balança: até a terceira semana de maio, as exportações da agropecuária cresceram 18,5%, somando US$ 6,28 bilhões. Os destaques foram milho não moído (+314,1%), soja (+22,5%) e algodão em bruto (+60,7%). Na contramão, o etanol fechou maio com queda de 35,4% nas exportações no comparativo anual.

    Política & crédito

    A semana foi de expectativa em torno do Plano Safra 2026/2027. O Ministério da Agricultura ainda não cravou a data — o anúncio, antes previsto para o início de junho, deve ficar para o fim do mês. A prioridade declarada é viabilizar “juros de um dígito” para o produtor, e o setor estima necessidade de pelo menos R$ 623 bilhões, com reforço do seguro rural entre os pilares.

    Clima

    A geada no Paraná acendeu o alerta sobre a safrinha de milho, e os modelos seguem indicando a formação do El Niño para o inverno, com mais chuva no Sul e tempo seco no Norte e Nordeste — tema que detalhamos em matéria específica nesta semana.

    O que fica para o produtor

    Três leituras práticas da semana: primeiro, com o boi sustentado pela exportação e oferta curta, quem tem animais prontos vê uma janela de venda — mas atenção à volatilidade. Segundo, milho barato somado à geada eleva o risco: quem tem estrutura de armazenagem pode capturar o prêmio esperado para o segundo semestre. Terceiro, com o Plano Safra ainda no escuro, o planejamento de custeio não deve contar com juro de um dígito antes do anúncio oficial — vale travar cenários conservadores.

    Agenda da semana (1º a 5 de junho)

    No radar: o Boletim Focus do Banco Central, o resultado da balança comercial de maio e o feriado de Corpus Christi, com mercados fechados. Boa semana e bons negócios.

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