BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

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  • Café em safra recorde derruba o arábica: o que o produtor faz agora

    Café em safra recorde derruba o arábica: o que o produtor faz agora

    O que aconteceu

    O preço do café arábica entrou em junho de 2026 em forte pressão de baixa. Segundo o CEPEA/ESALQ, o Indicador do arábica tipo 6 fechou a média de maio em R$ 1.653,92 por saca de 60 kg — queda de 8,7% sobre abril (R$ 1.811,87) e o menor patamar médio desde outubro de 2024. No dia 1º de junho, o indicador recuou mais 2,85%, para R$ 1.555,67. O motivo é direto: o avanço da colheita 2026/27 e a expectativa de uma produção recorde derrubaram as cotações, depois de o arábica ter batido máximas históricas no início de 2025.

    Café arábica em queda — saca a R$ 1.653,92 em maio, menor desde 2024
    Arábica CEPEA fechou maio a R$ 1.653,92/saca, menor patamar desde 2024.

    Uma safra grande, mas com números em disputa

    As projeções confirmam o ciclo de alta da oferta, ainda que divirjam no tamanho. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta safra brasileira recorde de 71,9 milhões de sacas em 2026/27 — alta de 14% — com salto de cerca de 30% nas exportações, puxado pelo arábica em ano de bienalidade positiva. Já a Conab, em estimativa mais conservadora, prevê 66,7 milhões de sacas, crescimento de 17% e também recorde. Os dois números apontam para o mesmo lado: muito café entrando no mercado, o que tende a manter o preço sob pressão no curto prazo.

    Há um detalhe que trava parte do alívio para o produtor. Mesmo com volume alto, as exportações vêm emperrando pela diferença entre o preço pedido por cooperativas e produtores e o valor oferecido por compradores internacionais. Quem precisa de caixa acaba vendendo na baixa; quem tem fôlego segura o produto à espera de melhora — uma decisão que, sem planejamento, vira aposta.

    O que o cafeicultor deve fazer

    Em ano de preço comprimido, o resultado se decide menos na lavoura e mais na gestão. Três frentes pesam: conhecer o custo de produção por saca para não vender abaixo do break-even no desespero; usar instrumentos de proteção de preço (mercado futuro na B3, contratos a termo, opções) para travar margem em vez de torcer; e escalonar a venda ao longo do ano, evitando concentrar tudo no pico da colheita, quando a oferta é maior e o preço, menor. Para quem produz café de qualidade, investir em certificação e rastreabilidade ambiental abre acesso a nichos e a prêmios que independem do humor da bolsa.

    A leitura Senior

    Safra recorde é boa notícia para o país e dor de cabeça para o caixa de quem não se preparou. O cafeicultor que trata preço como variável a ser gerenciada — e não como sorte — atravessa o ciclo de baixa sem queimar patrimônio. Aqui entra também a dimensão ambiental: lavouras com manejo de solo, água e sombreamento bem feitos são mais resilientes ao clima e mais valorizadas no mercado de cafés sustentáveis e de baixo carbono. Em 2026, eficiência de custo e diferenciação ambiental são os dois pilares que separam o produtor que sobrevive ao preço baixo daquele que prospera apesar dele.

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