BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

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  • Reforma tributária no agro: a carga pode dobrar e o caixa é o risco

    Reforma tributária no agro: a carga pode dobrar e o caixa é o risco

    A reforma tributária deixou de ser tema de seminário e entrou na rotina do produtor rural. Em 2026 começou a fase de transição do novo sistema, com a introdução da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) em alíquotas simbólicas de teste — 0,9% de CBS e 0,1% de IBS — e implementação plena de forma gradual até 2033. Parece pouco agora, mas o desenho final muda a conta de quem produz.

    O que está em jogo

    A estimativa que mais preocupa o setor é a da carga total: cálculos de mercado apontam que a tributação sobre o agro pode passar de cerca de 4,5% para mais de 11% — ou seja, mais que dobrar. Some-se a isso o novo pacote de obrigações acessórias. A Nota Fiscal de Produtor Eletrônica (NFP-e) passou a ser obrigatória para todos os produtores, independentemente do faturamento, e a partir de julho de 2026 entra a exigência de inscrição no CNPJ para unificar as inscrições estaduais. Produtores com faturamento anual acima de R$ 3,6 milhões serão obrigados a aderir ao regime de IBS e CBS, com declarações mensais e controle contábil mais rigoroso; abaixo desse limite, a adesão é opcional.

    O nó está no fluxo de caixa

    O ponto mais sensível não é só a alíquota — é o tempo do dinheiro. A lei prevê que o produtor aproveite créditos dos tributos pagos na compra de insumos, mas esse crédito só é recuperado quando a produção é vendida. Num setor de forte sazonalidade, em que se compra insumo numa ponta do ano e se vende a safra na outra, isso significa adiantar imposto e esperar meses para reaver o crédito. Para quem já opera com margem apertada e dívida cara — o cenário de 2025/2026 —, esse descasamento entre pagar e recuperar pode ser o que mais dói no bolso.

    O que o produtor deve fazer agora

    A leitura da Senior é que esta é uma janela de preparação, não de espera. Primeiro, arrumar a contabilidade desde já: emitir NFP-e corretamente, organizar a escrituração e simular o impacto da nova carga sobre o resultado da propriedade antes que a transição avance. Segundo, mapear créditos — quanto de CBS e IBS embute cada insumo e quando esse valor volta ao caixa — para planejar capital de giro com antecedência, em vez de descobrir o buraco no fim da safra. Terceiro, decidir com dados se vale a adesão opcional para quem está abaixo de R$ 3,6 milhões, porque o regime certo depende do perfil de compras e vendas de cada negócio.

    Tributação mais pesada e mais formalização empurram o agro na mesma direção da agenda ambiental: profissionalização. Propriedade com a documentação fiscal e ambiental em ordem acessa crédito melhor, vende para compradores mais exigentes e atravessa a transição com previsibilidade. Quem trata a reforma como surpresa paga mais; quem trata como planejamento transforma a mudança em vantagem competitiva.

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