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Tag: Amazônia Legal

  • Prescrição de embargo ambiental: o IRDR 94 do TRF1 que mexe com a terra

    Prescrição de embargo ambiental: o IRDR 94 do TRF1 que mexe com a terra

    Uma decisão técnica do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) pode mudar a vida de milhares de produtores com áreas embargadas. Está em julgamento o IRDR 94 (Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas nº 1008130-20.2025.4.01.0000), admitido pela Terceira Seção do tribunal em 28 de maio de 2025, que vai fixar uma tese única sobre a prescrição do embargo ambiental — ou seja, se o termo de embargo aplicado por órgãos como o IBAMA tem prazo para perder efeito ou se permanece valendo por tempo indeterminado. Enquanto a tese não é definida, os processos sobre o tema estão suspensos em toda a 1ª Região, que abrange a Amazônia Legal e boa parte do Brasil rural.

    Embargo ambiental: sanção que prescreve ou medida que não cai?

    O nó jurídico é a natureza do embargo. De um lado, há o entendimento de que o embargo é uma sanção administrativa e, como tal, estaria sujeito à prescrição quinquenal (cinco anos) prevista na Lei 9.873/99 e na linha da Súmula 467 do STJ — passado o prazo, a Administração perderia o direito de manter a restrição. De outro, prevalece a tese de que o embargo é uma medida cautelar, preventiva e reparatória, que existe para impedir a continuidade do dano e por isso permaneceria válida enquanto a irregularidade ambiental não fosse corrigida, mesmo que a multa correspondente já tenha prescrito. A definição vale, inclusive, para quem comprou a propriedade depois — o terceiro adquirente que herda um embargo antigo.

    A tensão com o STF

    O debate ganhou camada extra no fim de 2025. Em decisão monocrática publicada em 11 de dezembro de 2025, um ministro do Supremo Tribunal Federal acolheu a tese do IBAMA e reconheceu a imprescritibilidade dos embargos ambientais, tratando-os como providência reparatória autônoma em relação ao processo administrativo. Isso aproxima o desfecho de um cenário em que o embargo não cai pelo simples decurso do tempo — o que aumenta a importância de regularizar, e não apenas esperar prescrever.

    Por que isso pesa no bolso do produtor

    Embargo não é um detalhe burocrático: ele trava a vida econômica da área. Uma propriedade ou polígono embargado normalmente fica fora do acesso a crédito rural e financiamento, enfrenta entraves no licenciamento e na emissão de documentos, perde valor e tem a venda complicada por qualquer due diligence séria. Na Amazônia Legal, milhares de imóveis seguem embargados por autos de infração antigos. Se a tese final for pela imprescritibilidade, apostar que o tempo resolve deixa de ser estratégia — a saída passa a ser, necessariamente, a regularização.

    O que fazer agora

    Independentemente do resultado, o produtor ganha em agir de forma preventiva. Vale mapear a situação real da propriedade (embargos ativos, autos de infração, prazos e estágio dos processos), reunir a documentação ambiental e fundiária, manter o CAR atualizado e avaliar adesão a instrumentos de regularização, como o PRA (Programa de Regularização Ambiental). Quem está comprando terra precisa redobrar a due diligence: um embargo herdado pode inviabilizar crédito e uso da área mesmo anos depois. Decisão de tribunal superior não se enfrenta com torcida — se enfrenta com a área em ordem.

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  • SUDAM e o FNO 2026: R$ 17,2 bi de crédito esperam o produtor amazônico

    SUDAM e o FNO 2026: R$ 17,2 bi de crédito esperam o produtor amazônico

    O que aconteceu

    O Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Condel/SUDAM) aprovou, em fevereiro de 2026, a nova programação financeira do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) para o ano: R$ 17,2 bilhões em crédito para a Amazônia Legal. Desse total, R$ 2,1 bilhões vão para o Pronaf, voltado à agricultura familiar, e R$ 120 milhões foram destinados a planos integrados de desenvolvimento sustentável em quatro áreas estratégicas da região. A execução começou a partir de março, operada pelo Banco da Amazônia.

    Por que a SUDAM importa para quem produz no Norte

    A SUDAM é o órgão federal que coordena o desenvolvimento da Amazônia Legal — que reúne Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Na prática, ela governa duas alavancas que mexem diretamente com o caixa do produtor: o FNO, que é o crédito rural mais barato disponível na região, com juros abaixo das linhas de mercado; e os incentivos fiscais, que incluem redução de até 75% do Imposto de Renda para empreendimentos prioritários, com prazo estendido até 31 de dezembro de 2028 pela Lei 14.753/23. Para a programação de 2026, o Banco da Amazônia ainda pode repassar até R$ 800 milhões a instituições credenciadas, ampliando a capilaridade do crédito no interior.

    O que muda para o produtor

    O recado é de oportunidade concreta: há um volume bilionário de recurso subsidiado disponível, com foco crescente em produção sustentável e nas regiões historicamente menos assistidas. Mas crédito barato não cai no colo. Acessar o FNO exige projeto técnico bem estruturado, enquadramento correto da atividade e, sobretudo, documentação ambiental em ordem. Desde janeiro de 2026, imóveis sem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular ou com embargos ativos ficam de fora das linhas oficiais de crédito — e isso vale para o FNO. Quem chega ao balcão do banco com a propriedade regularizada larga na frente; quem deixa a pendência para a última hora costuma perder a janela ou a melhor taxa.

    A leitura Senior

    A SUDAM coloca na mesa o dinheiro mais barato da Amazônia — mas a porta de entrada é a regularidade ambiental. CAR ativo, ausência de embargo e passivos de APP e Reserva Legal resolvidos deixaram de ser formalidade: são o que separa o produtor que acessa R$ 17,2 bilhões em crédito incentivado daquele que assiste o recurso ir para o vizinho. Antecipar a regularização é, hoje, decisão financeira — não apenas ambiental.

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