BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

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  • Farelo de soja: Brasil encurta vantagem da Argentina

    Farelo de soja: Brasil encurta vantagem da Argentina

    O que aconteceu

    O Brasil está prestes a quebrar a hegemonia argentina no mercado mundial de farelo de soja. Segundo a Abiove (indústria de óleos vegetais) e dados compilados pela Reuters, o país deve exportar mais de 12,3 milhões de toneladas de farelo no primeiro semestre de 2026, ante 13,3 milhões estimados para a Argentina. A diferença, que já foi de 86% a favor dos vizinhos em 2021 e ainda era de 23% no primeiro semestre de 2025, pode cair para cerca de 8% em junho. No conjunto da safra, a produção brasileira de farelo é projetada em 47,9 milhões de toneladas em 2026, contra 44,85 milhões em 2025, enquanto as exportações totais de soja em grão miram um novo recorde de 113,6 milhões de toneladas.

    O motor por trás do avanço: o biodiesel

    O salto não veio por acaso. O combustível verde é o grande propulsor: a expansão do biodiesel aumentou a demanda interna por óleo de soja e estimulou a indústria a esmagar mais grão. Cada tonelada de soja processada para extrair óleo gera, como subproduto, farelo — e é esse excedente que ganha o mercado externo. Enquanto o Brasil amplia sua capacidade de processamento, o esmagamento argentino permanece praticamente estagnado. O resultado é uma virada estrutural: o país deixa de ser apenas exportador de grão bruto e passa a disputar, em volume, o mercado de produto processado e de maior valor agregado.

    Contexto e impacto para o produtor rural

    Para quem produz soja, a notícia tem dois lados. O lado positivo é que mais esmagamento dentro do país significa mais demanda doméstica pelo grão, o que ajuda a sustentar a base de preços regional e reduz a dependência exclusiva do porto. Uma indústria forte competindo pela soja é um comprador a mais na mesa do produtor. O lado de atenção é que, no curto prazo, o grão segue pressionado: o indicador do Cepea para a soja acumula leve queda de 0,8% em 2026, reflexo da oferta global cheia. Ou seja, o avanço do farelo é uma boa notícia de médio prazo para a cadeia, não um salto imediato no preço pago ao produtor.

    O que o produtor deve fazer

    A leitura prática é acompanhar de perto a política de mistura do biodiesel — qualquer aumento no percentual obrigatório tende a puxar ainda mais o esmagamento e a demanda por soja. Vale também avaliar contratos de fornecimento direto para a indústria esmagadora da região, que pode oferecer condições competitivas frente à exportação de grão. Em um ano de margem apertada, capturar valor onde a cadeia está crescendo — no processamento — é estratégia, não detalhe.

    Sustentabilidade como passaporte de exportação

    Há ainda um componente que separa quem cresce de quem fica para trás: a rastreabilidade. Os mercados que mais pagam por farelo e óleo exigem comprovação de origem livre de desmatamento e regularidade ambiental da propriedade. Granjas e fazendas com licenciamento em dia, CAR regularizado e documentação organizada entram nas listas de fornecedores qualificados; as demais perdem acesso justamente ao destino mais rentável. Transformar conformidade ambiental em ativo comercial é o que garante lugar na fila quando o Brasil assume a liderança.

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