BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1% BOI GORDO R$ 352,80/@ ▲ 0,4% SOJA R$ 128,50/sc ▼ 0,3% MILHO R$ 65,10/sc ▼ 1,2% CAFÉ ARÁBICA R$ 1.480/sc ▼ 2,1% AÇÚCAR R$ 95,22/sc ▼ 3,0% DÓLAR R$ 5,38 ▲ 0,2% FRANGO US$ 1,99/kg ▲ 1,1%

Categoria: Meio Ambiente

Notícias e artigos sobre sustentabilidade e preservação ambiental

  • Pagamento por serviços ambientais sai do papel: o que o produtor precisa saber

    Cinco anos depois da Lei 14.119/2021, o pagamento por serviços ambientais (PSA) finalmente ganhou regulamentação federal. O Decreto 13.018/2026, publicado em junho, detalha a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA) e define o que pode ser remunerado: ações de conservação do solo, da água e da biodiversidade e de captura e retenção de carbono — incluindo o manejo sustentável de sistemas agrícolas, agroflorestais e agrossilvipastoris.

    Quais práticas entram no pagamento por serviços ambientais

    Na prática, o decreto reconhece como elegíveis práticas que boa parte dos produtores já adota, como o plantio direto e os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). A remuneração pode vir em dinheiro, mas também em melhorias de infraestrutura, bens, serviços e instrumentos financeiros como green bonds. O Ministério do Meio Ambiente passa a ser o órgão gestor da política.

    O ponto de atenção: só vale o que excede a obrigação legal

    O decreto prioriza o pagamento por ações que vão além do que a lei já exige — por exemplo, manter vegetação nativa além das áreas obrigatórias ou recuperar áreas degradadas fora de APPs e Reserva Legal. Entidades do setor, como o Sistema FAEP, criticam essa limitação: para elas, quem mantém Reserva Legal e protege APPs também presta serviço ambiental à sociedade e deveria poder ser remunerado por isso. É um debate que deve seguir aberto nas regulamentações estaduais e complementares.

    O que ainda falta definir

    O decreto é um avanço, mas não é o fim do caminho. Ainda dependem de normas complementares os subprogramas do Programa Federal de PSA (com público-alvo, critérios de seleção, modalidades de remuneração e monitoramento), o Cadastro Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (CNPSA) e os incentivos tributários. Ou seja: o produtor que protege uma nascente ou conserva o solo já teve o serviço reconhecido, mas ainda não tem o balcão onde solicitar o pagamento.

    O que fazer desde já

    Quem quer se posicionar para capturar essa receita futura deve começar pelo básico: manter o CAR atualizado e regularizado, documentar as práticas conservacionistas adotadas (plantio direto, ILPF, recuperação de pastagens, proteção de nascentes) e mapear as áreas de vegetação nativa excedente na propriedade. São exatamente esses ativos ambientais que valerão dinheiro quando os subprogramas saírem — e que já valem hoje no mercado voluntário de carbono. Antecipar a organização documental é a diferença entre entrar na primeira leva de pagamentos ou ficar olhando de fora.

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  • Desmatamento na Amazônia cai 61,4% em maio; o que muda para o agro

    Desmatamento na Amazônia cai 61,4% em maio; o que muda para o agro

    Desmatamento na Amazônia recua 61,4% em maio

    O desmatamento na Amazônia caiu 61,4% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados de monitoramento divulgados pelo governo federal. O resultado reforça a tendência de queda observada ao longo do ano e coloca o Brasil no caminho de registrar uma das menores taxas da série histórica — desde que o ritmo de controle seja mantido.

    Mais revelador do que o número geral é o detalhe de onde o desmate ainda acontece. Entre os alertas do período, 37,1% ocorreram em áreas já regularizadas, 21,3% em Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs) e 17,4% em áreas sem qualquer registro fundiário — o desmatamento tipicamente ilegal. Um boletim divulgado em 11 de junho apontou que as FPNDs concentraram cerca de 83,3 mil hectares desmatados entre janeiro de 2025 e abril de 2026.

    Por que isso importa para o produtor

    A queda do desmatamento enquanto o agronegócio segue crescendo — com abertura de novos mercados e o acordo Mercosul-União Europeia em pauta — enfraquece a velha narrativa que associa produção rural a floresta derrubada. Para quem produz dentro da lei, esse é um ativo comercial concreto: compradores internacionais, bancos e o mercado de carbono exigem cada vez mais a comprovação de origem limpa.

    O recado é direto. A pressão regulatória — da lei antidesmatamento europeia (EUDR) às exigências de crédito — separa cada vez mais o produtor regularizado do irregular. Quem tem CAR atualizado, Reserva Legal e APPs em ordem ganha acesso a mercado e financiamento; quem carrega passivo ambiental tende a ficar de fora das melhores oportunidades.

    O que fazer agora

    Regularização deixou de ser burocracia e virou estratégia de negócio. Vale revisar e atualizar o Cadastro Ambiental Rural, concluir o georreferenciamento, resolver pendências fundiárias e manter a documentação de Reserva Legal e áreas de preservação em dia. Mais do que evitar multas, a propriedade regular pode transformar a área de vegetação nativa em fonte de receita — via crédito de carbono, pagamento por serviços ambientais ou valorização da terra.

    Em um cenário de margens apertadas, comprovar conformidade ambiental é o que abre as portas dos mercados que pagam mais e das linhas de crédito mais baratas.

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  • Bioinsumos movimentam R$ 6 bi e cortam custo do produtor

    Bioinsumos movimentam R$ 6 bi e cortam custo do produtor

    O Brasil consolidou-se como líder mundial no uso de insumos biológicos na agricultura. O mercado de bioinsumos movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025, alta de 15% sobre o ano anterior, enquanto a área tratada com essas tecnologias chegou a 194 milhões de hectares — avanço de 28% em um único ano. O número de empresas que registram bioinsumos no país saltou de 81 em 2019 para 209, crescimento de 2,5 vezes. Para 2026, a Anpii Bio projeta novo avanço de 17% no faturamento e de 22% no volume vendido, e o setor pode superar R$ 9 bilhões até 2030.

    O que são e por que o produtor está adotando

    Bioinsumos reúnem inoculantes, biofungicidas, bioinseticidas e agentes de controle biológico — produtos de base biológica que substituem ou complementam fertilizantes e defensivos químicos. O motor da adoção é direto: custo. Com fertilizantes em alta para a safra 2026/27 e margens apertadas em grãos como soja e milho, o produtor busca alternativas que reduzam a fatura de insumos sem sacrificar produtividade. Inoculantes que fixam nitrogênio e solubilizam fósforo, por exemplo, cortam parte da necessidade de adubo mineral, cujo preço é fortemente ligado ao dólar e à importação.

    Há também o ganho agronômico de médio prazo: manejo biológico bem conduzido melhora a saúde do solo, reduz a pressão de resistência de pragas e doenças e diminui resíduos — fator que pesa cada vez mais nas exigências de mercados compradores, sobretudo a União Europeia. Não por acaso, os biofungicidas vêm puxando o crescimento do segmento.

    A conexão com a pauta ambiental e o que observar

    Para a Senior, o ponto central é que bioinsumos não são só economia de custo: são parte das práticas que tornam a propriedade elegível à agricultura de baixo carbono e a programas de geração de ativos ambientais. Solo mais saudável, menor uso de químicos e melhor eficiência produtiva compõem o pacote de práticas reconhecidas em projetos de carbono e em linhas de crédito sustentável — uma camada de valor que vai além da safra do ano.

    O alerta fica por conta da qualidade e da regularização. A entidade Abinbio pressiona por uma regulamentação mais rápida do setor, e a produção on farm (na própria fazenda) exige cuidado técnico: produto mal manejado não entrega resultado e pode frustrar o investimento. Antes de migrar, vale avaliar produtos registrados, fazer testes em áreas-piloto e medir o retorno por hectare. Feito com critério, o bioinsumo deixa de ser tendência e vira ferramenta concreta de redução de custo e de posicionamento ambiental da propriedade.

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  • Baixo carbono já cobre 65 milhões de hectares: o produtor está dentro?

    Baixo carbono já cobre 65 milhões de hectares: o produtor está dentro?

    As tecnologias de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) já estão presentes em 3,61 milhões de estabelecimentos rurais brasileiros — o equivalente a 71% dos 5,07 milhões de estabelecimentos mapeados pelo Censo Agropecuário do IBGE. Segundo a Plataforma ABC+, ferramenta oficial de monitoramento do plano, são cerca de 65 milhões de hectares sob sistemas produtivos sustentáveis em todo o país. A meta do ABC+ é chegar a 72,68 milhões de hectares até 2030.

    O que está por trás dos números

    O Plano ABC não é novidade — e é justamente isso que o torna confiável. Na primeira fase (2010-2020), o programa atingiu 54 milhões de hectares, superando em 52% a meta oficial de 35,5 milhões. No mesmo período, a linha de crédito do Programa ABC liberou R$ 32,27 bilhões em 38,3 mil contratos para financiar recuperação de pastagens degradadas, plantio direto, sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, florestas plantadas, bioinsumos e irrigação. O plantio direto, sozinho, já é adotado em cerca de 70% das áreas agrícolas do país, segundo a Embrapa.

    E o impacto não é só contábil. Dados da Embrapa Soja indicam que sistemas bem manejados de plantio direto chegam a sequestrar quase 3 toneladas de CO₂ equivalente por hectare ao ano. Entre 1990 e 2025, o ganho de produtividade evitou a incorporação de cerca de 50 milhões de hectares de novas áreas à produção — terra que não precisou ser aberta.

    O que isso significa na prática para o produtor

    Primeiro: crédito. As práticas ABC têm linha de financiamento própria, com condições melhores que o custeio convencional — e a tendência, confirmada a cada Plano Safra, é de o crédito rural exigir cada vez mais comprovação ambiental, a começar pelo CAR regularizado.

    Segundo: carbono. Com o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) em regulamentação ao longo de 2026, quem já adota recuperação de pastagem, plantio direto ou integração tem o ativo; o que falta, na maioria das fazendas, é a documentação — linha de base, monitoramento e verificação. Sem isso, a prática sustentável existe no campo, mas não vira receita.

    Terceiro: valorização da terra. Propriedade com pasto recuperado, CAR limpo e histórico produtivo documentado vale mais e vende melhor. O dado de 71% mostra que adotar tecnologia sustentável deixou de ser diferencial — virou o padrão. O diferencial agora é transformar essas práticas em ativo financeiro: crédito mais barato, crédito de carbono e liquidez patrimonial.

    O produtor que já faz o manejo certo está na metade do caminho. A outra metade — comprovar, certificar e monetizar — é onde a maioria trava. É exatamente aí que vale buscar apoio técnico especializado.

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  • Metano na pecuária: o PL 4.422 e o que muda para o produtor

    Metano na pecuária: o PL 4.422 e o que muda para o produtor

    O que aconteceu

    Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, volta ao centro do debate um projeto que mexe diretamente com a pecuária: o PL 4.422/2025, em tramitação no Senado Federal. O texto dispõe sobre a prevenção e a redução das emissões de metano de origem antrópica e estabelece obrigações de resultado para os setores de agropecuária, resíduos, energia, processos industriais e mudança do uso da terra. Na prática, ele altera a Lei 12.187/2009 (Política Nacional sobre Mudança do Clima) para incluir Planos Setoriais de controle do metano entre os instrumentos oficiais. Segundo a ficha de tramitação do Senado, a matéria passa pelas comissões de Integração Nacional, de Agricultura (CRA) e de Meio Ambiente (CMA), com decisão terminativa nesta última; o prazo de emendas correu entre 7 e 13 de abril de 2026.

    Metano na pecuária e o PL 4.422 — emissão da agropecuária 298,6 Mt CO2e
    A agropecuária é a maior fonte de metano do país: 298,6 Mt CO₂e.

    Por que isso importa para quem cria gado

    O metano é o ponto sensível da conta. De acordo com dados de inventário citados pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente, o Brasil é o quinto maior emissor global de metano, e a agropecuária responde pela maior fatia — cerca de 298,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, à frente de resíduos (66,6 milhões) e do uso da terra (27,8 milhões). A maior parte vem da fermentação entérica do rebanho bovino, ou seja, da própria digestão do animal. É por isso que qualquer marco legal sobre metano recai, antes de tudo, sobre a pecuária de corte e de leite.

    Vale registrar que o tema é controverso. Entidades do setor argumentam que o rebanho brasileiro já reduziu a intensidade de emissão por quilo de carne nas últimas décadas e cobram que metas não se transformem em custo regulatório sem contrapartida. Do outro lado, ambientalistas defendem que compromissos internacionais assumidos pelo Brasil precisam virar obrigação concreta. O projeto ainda pode mudar nas comissões — mas a direção da agenda é clara.

    O que o produtor pode fazer agora

    A boa notícia é que reduzir metano deixou de ser só discurso: já existe tecnologia disponível. A Embrapa desenvolveu metodologia para medir a emissão de metano em reprodutores bovinos, abrindo caminho para selecionar geneticamente animais menos emissores. Aditivos alimentares que cortam a emissão entérica avançam rápido — uma startup argentina anunciou em maio de 2026 um composto que reduz o metano bovino em até 90% em testes. Somam-se a isso práticas já consolidadas: integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF), recuperação de pastagens degradadas e melhoria do manejo, que aumentam a produtividade por hectare e diluem a emissão por arroba.

    A leitura Senior

    O recado é estratégico: a pecuária de baixo carbono está saindo do campo da imagem para o campo do balanço. Quem mede, reduz e comprova emissão tende a acessar mercados mais exigentes, linhas de crédito verde e, em muitos casos, a transformar a redução em crédito de carbono — receita nova sobre a mesma área. Esperar a obrigação chegar é o pior cenário: significa cumprir com pressa, sem ganho. Antecipar-se, com inventário de emissões e plano de manejo, transforma uma exigência futura em vantagem competitiva hoje. No Dia do Meio Ambiente, a melhor homenagem que o produtor pode fazer ao próprio negócio é tratar carbono e metano como o que de fato são: ativos de gestão.

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  • Pasto degradado vira cacau e carbono: a virada da bioeconomia no Pará

    Pasto degradado vira cacau e carbono: a virada da bioeconomia no Pará

    O que está acontecendo

    No Pará, áreas de pasto degradado estão deixando de ser passivo improdutivo para virar floresta produtiva. A Embrapa já desenvolve mais de 40 projetos de bioeconomia na Amazônia — boa parte no estado — recuperando solos esgotados com sistemas agroflorestais (SAFs) que combinam cacau, mandioca, banana, guaraná e castanha. Perto da Floresta Nacional de Carajás, o plantio de banana cria a sombra ideal para o cacau crescer ao lado de espécies florestais. O movimento ganhou reforço institucional: em abril de 2026, o governo federal lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que coloca a biodiversidade no centro da estratégia econômica do país.

    Como o modelo funciona — e por que dá dinheiro

    A lógica é transformar terra degradada em três receitas ao mesmo tempo: produção de alto valor, ativo ambiental e crédito de carbono. A Belterra Agroflorestas, que atua no Pará e em outros estados, opera cerca de 2.500 hectares de SAF, substitui o gado por cacau de alto valor e projeta capturar aproximadamente 500 mil toneladas de carbono até 2030. Para acelerar a expansão, o BNDES aprovou R$ 100 milhões pelo Fundo Clima — parte de um investimento total de R$ 135 milhões para revitalizar 2.750 hectares até 2027, com sequestro estimado de 850 mil toneladas de carbono. Em outras palavras: já há capital de peso enxergando o pasto degradado amazônico como oportunidade, não como problema.

    Por que isso interessa ao produtor paraense

    O Pará é o maior produtor de cacau do Brasil — cerca de 52% da produção nacional — e convive com milhões de hectares de pastagem em algum grau de degradação. Recuperar essa área com SAF não é filantropia ambiental: é diversificar renda, reduzir a dependência de uma única commodity, valorizar a terra e abrir a porta para o mercado de carbono, que remunera por tonelada sequestrada. Em um estado que sediou a COP30 e segue no centro das atenções ambientais do mundo, propriedade regular e com floresta produtiva tende a valer mais e a vender melhor.

    O que o produtor deve avaliar

    Antes de converter pasto em sistema agroflorestal, vale confirmar a regularidade ambiental (CAR ativo, sem embargo), mapear a área degradada e seu potencial de recuperação, dimensionar o cacau e as espécies do consórcio e, principalmente, entender como acessar o financiamento — Fundo Clima e linhas de baixo carbono — e como habilitar a área para projetos de carbono. É um investimento de médio prazo, já que o cacau leva alguns anos para produzir, mas combina fluxo de caixa futuro com valorização patrimonial imediata.

    A leitura Senior

    Pasto degradado é capital parado. A bioeconomia paraense mostra que recuperar essa terra pode pagar duas vezes: na renda do cacau e na tonelada de carbono. Mas o que destrava o acesso a financiamento e a projetos de carbono é a regularidade ambiental da propriedade. Quem organiza CAR, passivos e documentação primeiro chega à mesa do investidor — quem deixa para depois assiste o vizinho capturar o prêmio.

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  • Caminho Verde Brasil: R$ 30 bi para recuperar pasto e produzir mais

    Programa federal mira 40 milhões de hectares de pasto degradado

    O Programa Caminho Verde Brasil, do Ministério da Agricultura e Pecuária, tem a meta de restaurar até 40 milhões de hectares de áreas degradadas ao longo de dez anos, transformando pastagens de baixa produtividade em lavouras e sistemas de alto rendimento — sem precisar abrir uma única árvore nova. O programa já tem R$ 30,2 bilhões previstos, com a primeira fase recuperando entre 1,4 e 3 milhões de hectares financiados por receitas de leilão.

    Por que isso é grande para o produtor rural

    O número que explica a oportunidade é este: o Brasil tem cerca de 165 milhões de hectares de pastagens, e aproximadamente 82 milhões apresentam algum grau de degradação. É terra que já está aberta, dentro da porteira, produzindo abaixo do potencial. Recuperar esse solo significa colher mais na mesma área, em vez de avançar sobre vegetação nativa — exatamente o tipo de intensificação que o mercado interno e os compradores internacionais passaram a exigir.

    A distribuição dos recursos por bioma dá a dimensão de onde está o foco: o Cerrado deve receber R$ 17,2 bilhões, a Mata Atlântica R$ 4 bilhões, a Amazônia R$ 3,5 bilhões e a Caatinga R$ 3 bilhões. Para o produtor situado nessas regiões, isso representa linhas de financiamento e mecanismos de apoio para recuperar solo, corrigir pastagem e migrar para sistemas mais produtivos com custo de capital menor do que o de mercado.

    A oportunidade vai além da produtividade

    Restaurar área degradada não melhora só a colheita. Solo recuperado e manejo de baixo carbono são a base para acessar pagamentos por serviços ambientais e gerar créditos de carbono — uma fonte de receita adicional que ganha corpo à medida que o mercado regulado brasileiro avança. O produtor que documenta a recuperação da sua área, mantém a regularização ambiental em dia e estrutura o projeto tecnicamente sai na frente para captar tanto os recursos do programa quanto os ganhos ambientais que vêm depois.

    O que fazer agora

    O primeiro passo é diagnóstico: saber quanto da sua área está degradada, qual o potencial de recuperação e como enquadrar a propriedade nas linhas do programa e nas exigências ambientais. Recuperação de pastagem combina agronomia, planejamento financeiro e adequação ambiental — e quem chega com o projeto pronto disputa melhor os recursos que estão sendo destravados.

    Leia também: Exportação de carne bovina bate recorde · Mercado de carbono: o que muda para o produtor

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    Fontes consultadas: Mapa/Gov.br, Canal Rural, Embrapa
  • Super El Niño em 2026: o que o produtor precisa saber já

    O que está em jogo

    Depois de um período de La Niña, o Pacífico equatorial entrou em fase de neutralidade — condição com cerca de 80% de probabilidade de persistir até o fim do primeiro semestre de 2026, segundo o INMET. O alerta é para o que vem depois: a partir do trimestre maio-junho-julho, a chance de formação do El Niño supera 60%, e pode ultrapassar 90% no segundo semestre. Para o trimestre agosto-setembro-outubro, a probabilidade já é igual ou maior que 90%, com tendência de o fenômeno se manter até 2027.

    Por que olhar para isso agora

    O El Niño não age de forma uniforme no Brasil — ele divide o país. Nas regiões Norte, Nordeste e em parte do Centro-Oeste e Sudeste, o padrão histórico é de redução de chuvas e aumento de veranicos, sobretudo na primavera e no início do verão. Isso atinge justamente a janela de implantação da soja e do milho, elevando o risco de perdas em lavouras de sequeiro. Já na região Sul, o efeito tende a ser o oposto: chuvas acima da média, encharcamento de solo, maior incidência de doenças fúngicas e dificuldade no plantio e na colheita.

    A incerteza que ninguém deve ignorar

    A intensidade dos impactos depende da força do fenômeno e da interação com as temperaturas dos oceanos Atlântico e Índico — variáveis que ainda podem mudar o quadro nos próximos meses. Por isso, o dado que importa não é a probabilidade isolada, mas a janela de preparação: há tempo de agir antes do plantio da safra 2026/27, e quem se antecipar terá vantagem sobre quem reagir só quando a seca ou o excesso de chuva chegar.

    O que fazer antes do plantio

    Três frentes práticas: (1) revisar o calendário e o zoneamento agrícola da região, ajustando a janela de semeadura ao cenário previsto; (2) avaliar cultivares mais tolerantes ao estresse hídrico (no Norte e Centro-Oeste) ou ao excesso de umidade e a doenças (no Sul); e (3) revisar o seguro rural e a gestão de risco da propriedade — em ano de El Niño, a proteção contra perda de safra deixa de ser opcional. Planejamento de irrigação, drenagem e manejo de solo entram na conta conforme a região.

    Mais do que torcer pelo clima, o produtor que trata o El Niño como variável de gestão — e não como surpresa — protege margem e produtividade. A informação climática é o primeiro insumo da safra.

    Leia também: Cotações de maio: boi, milho e soja · Exportação de carne bovina bate recorde

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