Categoria: Meio Ambiente

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  • Super El Niño em 2026: o que o produtor precisa saber já

    O que está em jogo

    Depois de um período de La Niña, o Pacífico equatorial entrou em fase de neutralidade — condição com cerca de 80% de probabilidade de persistir até o fim do primeiro semestre de 2026, segundo o INMET. O alerta é para o que vem depois: a partir do trimestre maio-junho-julho, a chance de formação do El Niño supera 60%, e pode ultrapassar 90% no segundo semestre. Para o trimestre agosto-setembro-outubro, a probabilidade já é igual ou maior que 90%, com tendência de o fenômeno se manter até 2027.

    Por que olhar para isso agora

    O El Niño não age de forma uniforme no Brasil — ele divide o país. Nas regiões Norte, Nordeste e em parte do Centro-Oeste e Sudeste, o padrão histórico é de redução de chuvas e aumento de veranicos, sobretudo na primavera e no início do verão. Isso atinge justamente a janela de implantação da soja e do milho, elevando o risco de perdas em lavouras de sequeiro. Já na região Sul, o efeito tende a ser o oposto: chuvas acima da média, encharcamento de solo, maior incidência de doenças fúngicas e dificuldade no plantio e na colheita.

    A incerteza que ninguém deve ignorar

    A intensidade dos impactos depende da força do fenômeno e da interação com as temperaturas dos oceanos Atlântico e Índico — variáveis que ainda podem mudar o quadro nos próximos meses. Por isso, o dado que importa não é a probabilidade isolada, mas a janela de preparação: há tempo de agir antes do plantio da safra 2026/27, e quem se antecipar terá vantagem sobre quem reagir só quando a seca ou o excesso de chuva chegar.

    O que fazer antes do plantio

    Três frentes práticas: (1) revisar o calendário e o zoneamento agrícola da região, ajustando a janela de semeadura ao cenário previsto; (2) avaliar cultivares mais tolerantes ao estresse hídrico (no Norte e Centro-Oeste) ou ao excesso de umidade e a doenças (no Sul); e (3) revisar o seguro rural e a gestão de risco da propriedade — em ano de El Niño, a proteção contra perda de safra deixa de ser opcional. Planejamento de irrigação, drenagem e manejo de solo entram na conta conforme a região.

    Mais do que torcer pelo clima, o produtor que trata o El Niño como variável de gestão — e não como surpresa — protege margem e produtividade. A informação climática é o primeiro insumo da safra.

    Leia também: Cotações de maio: boi, milho e soja · Exportação de carne bovina bate recorde

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